Rocha que caiu em Vila Isabel levanta suspeitas de ser meteorito entre moradores, mas especialista não vê semelhança

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Uma suposição no mínimo inusitada bagunçou ainda mais a já bagunçada rotina dos frequentadores do Bar Ajota, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, no início da tarde deste sábado, dia 5.

O pedreiro Luís Santos da Silva, de 65 anos, apareceu no botequim segurando um artefato que ele está convicto de ter caído do céu em sua casa. Ele suspeita que pode ser um meteorito, principalmente depois das notícias de várias ocorrências do tipo no Nordeste nos últimos dias.

— Foi na madrugada de quinta para sexta-feira. Minha mulher tomou um susto. Na hora, deu um clarão. A mulher achou que era alguma coisa de energia elétrica, mas como eu sei que ali não tem nada de transformador nem instalação, não liguei muito. Só fui ver depois o que era.

Buscando esclarecimentos, o EXTRA procurou a professora Diana Andrade, do Observatório do Valongo da UFRJ, e uma das integrantes do grupo das Meteoríticas — mulheres cientistas que foram a Pernambuco no final de agosto reunir amostras do meteorito brasileiro que, em breve, será registrado oficialmente num banco de dados internacional.

Quanto à foto tirada por Luís, porém, a análise da especialista pode ser um balde de água fria para o morador de Vila Isabel. Ao observar a imagem, Andrade não enxergou semelhanças com um meteorito.

— De qualquer forma, demora desde o clarão até o estouro e a queda. Não é tudo de uma vez. Provavelmente, não é um meteorito — afirmou.

Andrade explicou que a verificação da rocha poderia ser mais precisa caso houvesse mais fotos ou mais fragmentos que indicassem tratar-se de um meteorito.

— Por essa (imagem), concluo que não é um meteorito. — Teria que verificar se as pessoas filmaram o clarão, o bólido e se ouviram a explosão também.

No último dia 19, uma “chuva de pedras” de até 30 centímetros de diâmetro atingiu a cidade de Santa Filomena. Segundo o grupo das Meteoríticas, fragmentos do meteorito que caiu no sertão pernambucano são da época da formação do Sistema Solar.

Luís, que mora no Morro da Divineia, contou que não há encostas perto de sua casa, de onde poderia ter se soltado um pedaço de rocha. Para o pedreiro, mais conhecido em Vila Isabel como Rolinha, o objeto que caiu no seu bairro continua um mistério e não imagina uma alternativa para a origem da rocha, além de ter vindo do espaço.

— Tem mais ou menos um quilo. É meio avermelhado, amarelado, sei lá. E tem um cheiro esquisito, parece de queimado — descreveu.

Segundo Rolinha, o artefato quebrou um pedaço do muro e também danificou parte da calçada.

— Se bate na laje, caía dentro de casa.

O pedreiro relata que a rocha deixou várias lascas pelo chão. Ele vai guardar o artefato e esperar que especialistas investiguem o fato e digam do que se trata.

— Não é uma pedra comum. Nem bomba nem granada, que isso a gente que mora na favela conhece.

*Colaborou Louise Queiroga





Fonte: G1

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