Protesto por atraso de trens no Rio paralisa circulação em três ramais da SuperVia por cerca de quatro horas


A semana mais uma vez começou com caos e transtornos para os usuários da SuperVia que, irritados com os constantes atrasos das composições, fizeram um protesto em Deodoro, ateando fogo em pedaços de dormentes junto aos trilhos. A Superia explicou que furtos de cabos ocorridos entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira no ramal Japeri fizeram com que os intervalos precisassem ser ampliados, por medida de segurança. Passageiros reclamaram que a espera, em alguns casos, durava até 50 minutos.

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A circulação de trens chegou a ficar suspensa por mais de 4 horas e afetou os ramais de Deodoro, Santa Cruz e Japeri, que só voltaram a funcionar no começo da tarde, por volta das 12h40, quando, segundo a concessionária os passageiros começaram a ser informados da normalização pelo sistema de som das estações. Ainda segundo a SuperVia, o protesto começou pouco depois das 8h.

Protesto por atraso de trens no Rio paralisa circulação em três ramais da SuperVia por cerca de quatro horas
Manifestação levou a suspensão da circulação em vários ramais Foto: Reprodução

Por meio de suas redes sociais, a SuperVia postou que “em função de manifestação na via nas proximidades da estação Deodoro, a circulação dos trens para os ramais de Santa cruz (interligado ao ramal Deodoro), Japeri e a extensão Paracambi foi temporariamente suspensa. As estações desses ramais precisaram ser temporariamente fechadas para embarque”, postou. Passageitos protestaram na internet, alegando que os problemas não começaram por causa do protesto, mas sim devido os atrasos.

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— Está díficil para quem precisa de transporte na Zona Oeste. Se já não bastasse a falta de ônibus, tem os trens que todos os dias apresentam problemas — reclamou Lucileia Novais, de 45 anos, moradora em Santa Cruz, que usa o trem todos os dias para chegar ao trabalho no Centro.

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Os primeiros problemas surgiram ainda no começo da manhã. Passageiros reclamaram que um dos trens que seguia na direção da Central do Brasil apresentou problemas técnicos. Irritadas com os atrasos frequentes, algumas pessoas desceram da composição e tentaram atear fogo na linha férrea do ramal de Deodoro.

— Ninguém aguenta mais esse sistema de transposrte público falido que somos obrigados a usar todo santo dia. Seja ônibus ou trem.É uma vergonha morar e trabalhar aqui — desabafou uma passageira.

Nas redes sociais, internautas postaram imagens de estações superlotadas durante a manhã, uma delas a de Nilópolis. Usuários do ramal Santa Cruz também fizeram postagens e queixas na internet. Uma passageira disse que estava na estação Deodoro e relatou que usuários revoltados estavam colocando fogo na linha férrea e que, por conta disso, nenhum trem saía:

—Estamos aqui nesse sufoco — informou.

Trens parados resultaram em plataformas lotadas
Trens parados resultaram em plataformas lotadas Foto: Reprodução

Os problema afetaram tanto quem vinha da Zona Oeste como quem se dirigia da Baixada Fluminense em direção ao Centro ou Zona Norte do Rio. A espera, segundo os passageiros era longa e desde as primeiras horas do dia.

— Por volta das 7h30 o trem veio lotado. Não tinha como entrar no primeiro. O segundo tinha muita gente na estação e também lotou. Foi uma demora muito grande — reclamou um passageiro que vinha de Nova Iguaçu.

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Durante o protesto, uma passageira passou mal e teve que sair carregada. A Polícia Militar foi acionada depois que alguns passageiros vandalizaram as portas de trens. Por volta das 12h, alguns começaram a receber restituições do dinheiro da passagem em um pedaço de papel para garantir acesso aos trens. Porém, os ramais seguiam com o serviço paralisado.

A SuperVia informou que pela manhã, o ramal Japeri começou a operar com intervalos ampliados devido a furtos de 165 metros de cabos em Ricardo de Albuquerque e Japeri, ocorridos entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira. Mas, às 8h15, a operação precisou ser suspensa nos ramais Deodoro-Santa Cruz, Japeri e extensão Paracambi devido à invasão de passageiros à linha férrea na estação Deodoro.

Segundo a concessionária alguns passageiros jogaram dormentes sobre a via e os incendiaram. A SuperVia reclamou também de que houve vandalismo contra portas de trem. “Já na estação Marechal Hermes, passageiros invadiram a cabine de um trem, vandalizaram as janelas e tentaram incendiar dormentes dentro de um trem. A SuperVia acionou a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros para as providências necessárias”, informou a empresa por meio de nota.

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De acordo com a concessionária, em 2021 houve 861 ocorrências de furto de cabos de cobre de sinalização, um aumento de 142% em comparação a todo o ano de 2020. Em consequência disso, foi necessário repor 41,7 quilômetros de cabos (aumento de 420%), informou. Em relação aos cabos de rede aérea, foram 69 ocorrências de furtos no ano de 2021, tendo sido necessário repor 6,3 quilômetros de cabos. As reposições decorrentes dos furtos geraram um gasto na ordem de R$ 1,65 milhão, só com material, segundo a concessionária.





Fonte: G1