Profissionais relatam falta de sedativos para pacientes com Covid intubados em hospital municipal: ‘Difícil de ver’

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Além de toda a dificuldade que há atualmente para se conseguir um leito de UTI para Covid-19 no Rio, os pacientes que dão entrada em hospitais do município podem acabar encontrando problemas ainda mais sensíveis. Quem é transferido hoje para o CTI do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo – que conta com 30 vagas deste tipo exclusivas para pacientes com coronavírus, todas ocupadas – pode também precisar ter que lidar com a falta de insumos imprescindíveis, por exemplo, para a intubação, que podem ser decisivos entre a recuperação e a morte por conta das complicações respiratórias do vírus. Foi o que relataram ao GLOBO profissionais de saúde da unidade.

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De acordo com funcionários do hospital ouvidos pela reportagem, eles têm assistido nos últimos dias vários pacientes com Covid-19 morrerem por não estarem devidamente sedados para intubação. Os técnicos afirmam que faltam substâncias como Propofol, Fentanil, Dormonid e Rocuronio. Eles explicam que são sedações que, normalmente, são preparadas puras, mas que, por conta da escassez, quando acontece de haver algum destes insumos nas prateleiras, eles acabam tendo que diluir 20 ml para 80 ml de soro, para que possa surtir o mínimo efeito aos pacientes.

– É uma situação que vem acontecendo há mais de um mês. São pacientes respirando com auxílio de ventilação mecânica em TOT (tubo orotraqueal) e acordados. Isso é doloroso demais para nós. É difícil demais ver essa situação – relatou um profissional, emocionado. – Teve um plantão que morreram cinco pacientes, e não foi Covid-19 que matou, foi a negligência de não ter o básico, que é uma sedação.

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O profissional acrescentou ainda que os técnicos estão sem receber salário na unidade, o que tem tornado a rotina ainda mais desgastante.

– Nós estamos de perto vendo tudo isso e, ainda por cima, sem o nosso pagamento. Imagine, chegar em casa de um plantão super esgotante e não ter luz porque não tive dinheiro para pagar a conta? Estamos largados, e eu estou cansado fisicamente e psicologicamente – desabafou.

“Todos os pacientes do CTI de Covid estão em TOT e não tem sedação. Eles estão todos acordados, sem respirar. Tá (sic) tenso! Vontade de sair correndo”, relatou outro profissional.

Mensagem enviada em grupo de profissionais:
Mensagem enviada em grupo de profissionais: ‘Não tem sedação’ Foto: Reprodução

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde. Em nota, a direção do Hospital Albert Schweitzer afirmou que “podem ocorrer faltas pontuais de medicamentos , em razão da dificuldade de aquisição mundial”, mas que “substituições são feitas para não haja prejuízo a assistência prestada aos pacientes”. A unidade negou que pacientes internados no CTI estejam morrendo por falta de sedativos. Sobre a questão do pagamento dos salários dos profissionais, ainda não houve resposta.

Nesta sexta-feira, até o fechamento desta reportagem, a ocupação era de 90% nos leitos de UTI de toda a cidade, com fila de 98 pacientes por uma vaga.

Cidades correram risco de ficar sem Declarações de Óbito em plena pandemia

Além da falta de insumos, o Rio de Janeiro também ficou perto de enfrentar a falta de um outro elemento básico e de grande importância, principalmente em temos de pandemia: documentos de Declaração de Óbito. É o que informou no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do estado, no último dia 29 de março, a subsecretária de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Cláudia Maria Braga de Mello, num comunicado dirigido aos secretários de saúde dos 92 municípios fluminenses.

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No texto, ela alerta para um desabastecimento, por parte do Ministério da Saúde, dos documentos de Declaração de Óbito, e explica que a cota prevista para fevereiro não foi entregue, sendo distribuída apenas uma cota emergencial, de dez caixas com os impressos, suficiente para cobrir apenas um mês, e que, por isso, estaria, naquele momento, distribuindo às cidades, o suficiente apenas para 15 dias.

Na conclusão da carta, a subsecretária, então, aconselha aos municípios: “(…) Solicitamos ainda a colaboração de todas as SMS, que reiterem junto às suas Unidades de Saúde a importância das mesmas redobrarem o cuidado no preenchimento das Declarações de Óbito, evitando rasuras e dessa forma a inutilização de impressos”.

A reportagem procurou o Ministério da Saúde, que ainda não se manifestou sobre o tema. A Secretaria Estadual de Saúde também não respondeu ao GLOBO.

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Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou que recebeu apenas 50% da cota prevista de Declarações de Óbito, mas que, por conta de um estoque estratégico mantido na sede do órgão, não houve impacto na distribuição para as unidades. Neste momento, a SMS afirma que a distribuição já foi regularizada.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) recebe bimestralmente os formulários de Declaração de Óbito da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Houve, em março de 2021, uma redução de 50% no quantitativo recebido, que não impactou a distribuição para as unidades de saúde devido ao estoque estratégico existente na SMS.

Em 6 de abril a SMS recebeu nova remessa de formulários da SES, que completou o quantitativo regular. No momento, a SMS mantém a distribuição da cota normal para as unidades de saúde com a orientação de racionalização do uso, evitando manter estoques sem utilização e reforçando a atenção ao preenchimento para evitar desperdícios.

O estoque disponível na SMS, Coordenadorias Regionais e unidades de saúde é suficiente para utilização por aproximadamente quatro meses, dentro da normalidade da rotina estabelecida“.





Fonte: G1

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