Profissionais de saúde se emocionam ao receber vacina contra Covid-19 em hospital infantil

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Eles estão acostumados a enfrentar crianças com medo de agulha, que choram quando precisam receber uma injeção. Mas, na tarde desta quinta-feira, foi a vez de profissionais de saúde que lidam com pacientes infantis irem às lágrimas. A enfermeira Alessandra Júlio, que trabalha no Hospital Prontobaby, na Tijuca, caiu em prantos ao ser imunizada contra a Covid-19 na unidade, que começou a proteger médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem que atuam na linha de frente de combate à doença e também os de grupos de risco. A emoção não foi à toa: além da dura rotina em UTI pediátrica, a enfermeira enfrenta um drama pessoal. Um de seus irmãos, doente renal crônico, foi contaminado e está internado há 20 dias em estado gravíssimo.

— Eu morava com meus pais e irmãos, éramos dez pessoas. Mas, há quase um ano, resolvi sair de casa para protegê-los, já que trabalho em hospital e o risco de contágio é maior. Aluguei um apartamento e fui viver sozinha. A precaução não foi suficiente. Meu pai, que é cardiopata, não foi contaminado, mas meu irmão está doente. Acreditamos que ele pegou o vírus na clínica onde faz hemodiálise. Por isso, essa vacina, para mim, é tão importante. Sei que, com a imunização, menos gente vai sofrer. Só lamento que ela ainda não esteja disponível para todos.

A médica Fernanda Perez é fotografada por colega ao ser vacinada
A médica Fernanda Perez é fotografada por colega ao ser vacinada Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Também na fila para receber a sua dose, a médica Fernanda Perez, coordenadora da emergência do Prontobaby, diz que notou, nas últimas semanas, um aumento de casos de crianças e adolescentes com quadros respiratórios, que podem se confirmar, ou não, como Covid. No ano passado, diz ela, o Grupo Prontobaby, que tem unidades na Tijuca, Lagoa, Méier e Ramos, atendeu 1.700 bebês, crianças e adolescentes com suspeita de coronavírus. Destes, 12% testaram positivo.

— A vacinação dá um alento. Precisamos continuar com os mesmos cuidados, usar máscara, álcool em gel, face shield, são precauções que já estão enraizadas. Mas a imunização dá uma certa tranquilidade. Vai todo muito trabalhar com menos estresse. Logo no início da pandemia, foi desesperador, mas, depois, quando passamos a entender a doença, foi melhorando. Agora, acredito que é mais um passo rumo à normalidade — disse Fernanda, antes de pedir que uma colega registrasse o momento em que ela esticou o braço para receber sua dose. — É para minha irmã. Ela ficou emocionada quando soube que eu seria imunizada e pediu uma foto.

Enfermeira prepara vacina para aplicação nos profissionais do Prontobaby
Enfermeira prepara vacina para aplicação nos profissionais do Prontobaby Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

De folga, o médico Fabrício Andrade dos Reis, que trabalha em UTI pediátrica, também fez questão de ir à clínica onde trabalha, que já aplicou cem doses da vacina, para receber a sua:

— Esperei um ano por isso, é um alívio. Mas é bom lembrar que não dá para relaxar. Ainda falta a segunda dose e o vírus continua circulando.





Fonte: G1

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