Profissionais da saúde de Niterói protestam contra demissão de servidores

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Trabalhadores do Programa Médico de Família, outros profissionais da área da saúde e moradores de comunidades atendidos pelo serviço protestaram na tarde desta sexta-feira (25) na frente da Prefeitura de Niterói contra a demissão de 2000 profissionais do Médico de Família que serão desligados na próxima quinta-feira (31). Os profissionais, que também protestam contra as más condições de trabalho nas unidades de saúde, estiveram no local para conseguirem um posicionamento oficial do governo municipal sobre o que acontecerá com o grande número de profissionais que ficarão sem emprego.

O ato desta sexta-feira é o quarto protesto da classe, que acontecem desde o dia 17 de março. Além de temerem por seus empregos, os profissionais estão apreensivos com o que será do tratamento dos moradores de comunidades que já possuem familiaridade com os médicos e enfermeiros que lá trabalham, alguns já trabalhando há mais de 10 anos em uma comunidade.

“A gente briga também pelos outros funcionários, que estão perdendo emprego em pleno pós-pandemia. Eles não estão valorizando o que esses profissionais fazem, eles são altamente capacitados e repor essa mão-de-obra vai ser difícil, porque estão colocando pessoas que não têm nem noção do que estão fazendo”, disse o médico Márcio Medeiros, que é médico do programa e atua no Morro do Cavalão há mais de 20 anos e tem duas pessoas de sua equipe, com mais de 30 anos de experiência sendo dispensadas.

“Trabalho no Morro do Cavalão há quase 21 anos prestando assistência à comunidade junto com a minha equipe, que tem duas auxiliares de enfermagem. As duas, com mais de 30 anos de trabalho, estão sendo desligadas do programa. A gente tem uma boa aderência da comunidade, tem a empatia, o conhecimento, o entendimento, condição de entrar nas residências, saber as condições de cada família, abordando a saúde como um todo, não só a doença, mas saber a dificuldade de toda as famílias, e nós estamos nessa situação onde estamos sendo desligados e estão entrando profissionais que não têm conhecimento algum de comunidade, que podem deixar muito a desejar, deixar a comunidade desamparada, porque a gente não faz só atendimento e ambulatório, a gente faz a prestação de serviço, atendimento em casa, abordando a família como um todo. Além disso, a unidade onde trabalho está deixando muito a desejar por conta das condições de trabalho.”, completou o médico.

“A gente acompanha a família, entende ela em todos os aspectos, não é somente um atendimento médico, você acompanha todo o quadro de saúde, social, toda a história daquela família, então leva tempo para você concluir uma história. Você então tira de repente todos os profissionais que conhecem a história desta família, conhece o histórico de saúde, sabe todas as pendências de saúde dela e coloca pessoas que não conhecem nada a respeito? Fica complicado. Essa saúde que a gente vem lutando há tanto tempo vai ficar perdida. Então, o que está acontecendo é muito grave para a população, em termos de saúde é um desmonte total.”, disse a enfermeira da família, Mariana Mariano.

Outra questão reivindicada pelos profissionais é que a Prefeitura ainda não disse qual será o futuro dos profissionais que ficarão sem emprego já no próximo mês. No lugar deles, entrarão profissionais de uma empresa estatal.

“Nossa reivindicação agora é em relação aos trabalhadores de saúde que estão desempregados, são quase 2 mil funcionários da saúde na rua diante de uma pandemia enorme, então foi um descaso muito grande que fizeram com esses profissionais que trabalharam arduamente nessa pandemia e não somente nela. É um caos social e a prefeitura precisa se responsabilizar por isso, porque, querendo ou não, são duas mil famílias que não sabem o que vai ser do próximo mês, a gente tá exigindo uma postura da prefeitura, do prefeito em relação a esse caos que a gente tá vivendo.”, disse Mariana.

A Prefeitura marcou uma conversa com a classe na tarde desta sexta-feira para dar informações sobre o futuro dos profissionais.

“A gente espera mesmo que tenha uma solução para esse caos, que eles consigam pelo menos manter esse pessoal da saúde, porque precisamos de mais trabalhadores, realmente, não precisa mandar gente embora, porque a saúde tá um caos, precisamos resolver isso. A gente quer a resposta do que ele vai fazer com essas duas mil pessoas que estão na rua.”, concluiu Mariana.

Questionada sobre a situação e o futuro dos profissionais, a Prefeitura de Niterói ainda não se pronunciou.



Fonte: O São Gonçalo