PF cumpre prisão de quatro desembargadores do TRT do Rio, incluindo ex-presidentes, por esquema de corrupção

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A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) cumprem, na manhã nesta terça-feira, 11 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão para colher provas sobre esquema de corrupção no Tribunal Regional de Trabalho da 1ª Região, do Rio de Janeiro. Os mandados foram expedidos pela ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Um deles está sendo cumprido na sede do TRT, no Centro do Rio, onde seis viaturas da PF estão no local.

Quatro desembargadores são alvos de prisão: Marcos Pinto da Cruz, José da Fonseca Martins (ex-presidente do TRT), Fernando Antonio Zorzenon da Silva (ex-presidente do TRT) e Antonio Carlos de Azevedo Rodrigues. Também foram presos Eduarda Pinto da Cruz, irmã e operadora de Marcos Pinto da Cruz; Sônia Regina Dias Martins, esposa e operadora de José da Fonseca Martins Júnioor; Marcello Cavanellas Zorzenon da Silva, filho e operador de Fernando Zorzenon; Leila Maria Gregory Cavalcante de Albuquerque, esposa e operadora de Antonio Carlos Rodrigues; Pedro D’Alcântara Miranda Neto, advogado de empresas de ônibus; o advogado Manoel Messias Peixinho e sua esposa Suzani Andrade Ferraro.

O advogado Manoel Messias Peixinho tenta esconder o rosto após ser preso em operação da Polícia Federal
O advogado Manoel Messias Peixinho tenta esconder o rosto após ser preso em operação da Polícia Federal Foto: Rafael Nascimento de Souza / Extra

Outro alvo de busca e apreensão é o juiz do trabalho Múcio Nascimento Borges, do Tribunal Regional do Trabalho. Os agentes estiveram na casa do magistrado no Leblon, na Zona Sul, e no gabinete do jurista no Centro do Rio. A Polícia Federal ainda esteve na Barra da Tijuca, Centro do Rio, Leblon, Copacabana e na Lagoa. O GLOBO tenta contato com a defesa dos presos.

A operação tem como foco o Plano Especial de Pagamentos do TRT-RJ, destinado a centralizar os pagamentos dos grandes devedores trabalhistas. A centralização de execuções trabalhistas, a cargo da Caex, uma unidade vinculada à Presidência do TRT, começou com os clubes de futebol, para impedir que as elevadas dívidas trabalhistas e os constantes bloqueios judiciais de bilheterias quebrassem as equipes. Quando uma empresa consegue centralizar as dívidas, todas as execuções pulverizadas em varas de trabalho ficam suspensas. A inclusão no plano é vantajosa por impedir bloqueios inesperados na conta corrente. Desta forma, a firma consegue pagar as dívidas em parcelas e manter as operações comerciais sem problemas.

A investigação sobre o plano especial do TRT-RJ está no mesmo inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que afastou o governador Witzel. Além dele, corriam ainda quatro sindicâncias – três abertas no próprio TRT e uma no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — para apurar irregularidades na centralização e o envolvimento de dois desembargadores, Marcos Pinto da Cruz e Fernando Zorzenon — ex-presidente do TRT e responsável pelo ato que instituiu a centralização em 2017.

A princípio, fontes ligadas à operação informam que o esquema corrupto envolvia empresas de ônibus e de saúde. A medida cautelar, elaborada pela força-tarefa da Lava-Jato no Rio por delegação da PGR, continha 170 páginas escritas. Há áudios de parentes de desembargadores considerados provas O esquema chegou a ter um grupo no aplicativo chamado “Consórcio”.

A operação é um desdobramento da Tris In Idem, que resultou no afastamento de Wilson Witzel (PSC) do governo do Rio. Segundo as investigações, o desembargador Marcos Pinto da Cruz, do TRT do Rio, teria organizado em conjunto com Witzel um esquema de desvio de dinheiro por meio de ações trabalhistas. Após o cumprimento de busca e apreensão contra o desembargador em outubro do ano passado, a PF localizou novas provas e aprofundou as investigações do caso.





Fonte: G1

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