Para divulgar suas produções, profissionais de cultura da Baixada investem em vídeos gravados

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Se produzir cultura já é desafiador, na Baixada Fluminense os obstáculos são ainda maiores, principalmente na pandemia. Driblando quarentena, equipamentos públicos fechados, precariedade da tecnologia para transmissão ao vivo, entre outras dificuldades, artistas e produtores culturais estão disponibilizados filmes, documentários, peças e oficinas já gravados.

Em Nova Iguaçu, o videomaker e fotógrafo Levi de Andrade, de 27 anos, lançou o projeto “Baseado em vidas”, composto por três curtas-metragens e disponibilizados no Instagram (@levi.meirelles). Cada filme aborda os diferentes momentos que devem ser vividos pelas pessoas nesse período atípico que passamos:

— O “Encontra-se” fala das doenças mentais provocadas no trabalho e de como isso, que sempre existiu, pode piorar na pandemia. O “Respire” fala da pausa que devemos fazer nessa loucura que vivemos. No mês que vem, será disponibilizado o “Ame-se”.

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Levi trabalha como técnico de informática, mas sonha atuar apenas no audiovisual. Na pandemia, além dos filmes, ele intensificou um trabalho que já realizava há algum tempo: faz a divulgação de pequenos comércios da região.

— Entregamos para eles um material de boa qualidade que, talvez eles não conseguissem com um preço acessível. E é um bico — ressalta Levi.

Uma das cenas do curta “Encontra-se”
Uma das cenas do curta “Encontra-se” Foto: Divulgação

O projeto também conta com o produtor e diretor de fotografia Vitor Guedes, de 26 anos. Os amigos dividem uma câmera comprada recentemente para realização de filmes e trabalhos.

— Com a câmera, tivemos liberdade autoral para fazer mais curtas — contou Vitor.

Em Nilópolis, a fotógrafa e cineasta Cíntia Lima também foi uma das premiadas no edital da Secretaria estadual de Cultura. O documentário “Da casinha para a vida”, produzido com a verba do edital, só foi lançado junto com os outros premiados, ano passado.

— Mas não conseguimos fazer o lançamento individual e pessoalmente por causa da pandemia. Então, lançamos no nosso canal d Youtube, Malice Produções Culturais.

O marido de Cíntia, Adrian Monteiro, foi selecionado e lançou seu canal de música, o Chiqueiro Elétrico. Juntos, o casal estuda agora com oficina de audiovisual no canal da produtora.

Letícia Lisboa e Jessé Cabral, da companhia Sol Sem Dó, disponibilizam vídeos gravados no Youtube
Letícia Lisboa e Jessé Cabral, da companhia Sol Sem Dó, disponibilizam vídeos gravados no Youtube Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo

Letícia Lisboa, integrante da companhia artística Sol Sem Dó, de Duque de Caxias, lembra da dificuldade de participar com a Cia. de algumas lives. Queda de internet e imagem congelada eram alguns dos problemas. Em agosto, eles foram premiados com o edital “Cultura presente nas redes”, da Secretaria estadual de Cultura e Economia Criativa.

Com a verba, investiram e produziram quatro vídeos: “In sol ação”, “Tremelica: mãe, mulher e cansada”, “Carrapishow” e “História para tapar buraco”. Todos são disponibilizados no canal da companhia, no Youtube.

— Quatro integrantes fizeram vídeos individuais. Um colaborou com o vídeo do outro — contou Letícia.

A produção das cenas promoveu uma parceria entre artistas. Apesar das dificuldades financeiras, os integrantes da companhia não abriram mão da solidariedade entre produtores na região.

— Tínhamos espetáculos fechados na agenda de março a junho. Com a pandemia, tudo acabou sendo cancelado. Os editais aliviam as dificuldades financeiras, mas, já que teríamos grana para fazer o vídeo, decidimos pagar um profissional para ter um material de qualidade, e contratamos o Mazé Mixo, da agência Trella, que também é de Nova Iguaçu — explicou Jessé Cabral, outro integrante a companhia.





Fonte: G1

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