os efeitos da ressaca no Rio

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A frente fria que chegou ao Rio trouxe com ela uma intensa ressaca, causada pelos fortes ventos. Em diversos pontos do estado, foram registrados estragos e transtornos gerados pelo mar revolto. O alerta emitido pela Marinha do Brasil informa que ondas de até 4 metros de altura ainda poderão ocorrer na costa fluminense até a noite deste sábado.

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Na capital, um trecho da Avenida Delfim Moreira, a principal via do Leblon, na Zona Sul, passou mais de 12 horas interditado para o trânsito, entre a noite de quinta-feira e o início da tarde desta sexta, e voltou a ser fechado no início da noite. O mar invadiu o calçadão e a pista de rolamento, levando areia e afetando o mobiliário de alguns quiosques que ficam na orla.

Comlurb atuou para limpar o calçadão do Leblon
Comlurb atuou para limpar o calçadão do Leblon Foto: Leo Martins

Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, a interdição na Delfim Moreira acontece na altura da Avenida Bartolomeu Mitre, no sentido Ipanema, “devido ao avanço do mar provocado pela ressaca”. O desvio se dá pela própria Bartolomeu Mitre, com opções de rota pelas avenidas Visconde de Albuquerque e Ataulfo de Paiva.

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Ao longo da madrugada e na manhã desta sexta-feira, dezenas de garis atuaram na região para limpar a pista, o calçadão e a ciclovia. De acordo com a Comlurb, duas pás carregadeiras e dois caminhões basculantes foram empregados no serviço. A areia foi colocada de volta na praia, enquanto a limpeza é feita com água de reuso. “O trabalho da Comlurb prosseguirá enquanto durar a ressaca”, informou o órgão.

Durante a noite, enquanto a ciclovia do Leblon ainda estava tomada pela água, o atleta Lucas Fink aproveitou para realizar manobras sobre uma prancha no calçadão. O vídeo gravado pelo skimboarder viralizou no Instagram, onde o post registrando as peripécias teve mais de 16 mil curtidas. “Quando vi esse fenômeno acontecendo, não pude deixar de aproveitar, e acabou que rendeu pra caramba! Matei a saudade, dei altas manobras, me diverti com os amigos e ainda aparecemos AO VIVO na TV”, escreveu Lucas.

‘Garimpeiros’ na Praia do Leblon Foto: Daniel Delmiro

Se para o atleta a ciclovia alagada virou esporte, para outro grupo a ressaca transformou-se em oportunidade de retorno financeiro. Na tarde desta sexta-feira, na altura do posto 11, dezenas de “garimpeiros” tomaram as areias e o mar do Leblon. São pessoas que, utilizando detectores de metais e outros equipamentos, tentam localizar pertences valiosos perdidos trazidos pela força da água.

Já em Saquarema, na Região dos Lagos, uma água repleta de espuma invadiu ruas próximas às praias de Itaúna e da Vila, as mais famosas da cidade. O fenômeno é comum quando o mar está de ressaca. Segundo a prefeitura, não houve danos estruturais, e a limpeza foi realizada na manhã desta sexta-feira.

— Nessa época do ano é comum a ocorrência deste fenômeno, com a chegada das frentes frias no nosso município. Nossa equipe foi acionada, foi ao local fazer a interdição parcial e orientou a população — explicou ao “G1” o coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Pedro Soares.

Espuma tomou conta da Praia da Vila, em Saquarema
Espuma tomou conta da Praia da Vila, em Saquarema Foto: Reprodução

Já no Norte Fluminense, o ponto mais atingido pela ressaca foi o Pontal de Atafona, em São João da Barra. Embora tenham sido feitas barreiras de contenção nos dias anteriores, duas casas foram atingidas e tiveram a estrutura afetada pelas ondas. Ninguém ficou ferido ou desabrigado. A região é conhecida pelos destroços de antigas residências também destruídas pelo mar no passado.

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A Defesa Civil de São João da Barra comunicou que ainda existe o risco de que novos danos ocorram na orla da cidade. Um alerta solicita que surfistas e pescadores não entrem na água pelo menos até o próximo domingo. O banho de mar também deve ser evitado.





Fonte: G1