No verão, ônibus do Rio terão que manter o ar desligado e janelas abertas

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Com a aproximação do verão e em plena pandemia do coronavírus, o carioca que depende do transporte público pode começar a se preparar para enfrentar a estação mais quente do ano sem ar-condicionado nos ônibus. Primeiro, porque os consórcios não atingiram a meta de climatizar toda a frota até 30 de setembro, como estava acordado com a prefeitura. Segundo, porque o próprio município autorizou os coletivos a circularem com o ar desligado e as janelas abertas como medidas de prevenção à Covid-19.

Ônibus no Rio: os que têm aparelho de ar condicionado, desligaram
Ônibus no Rio: os que têm aparelho de ar condicionado, desligaram Foto: FABIANO ROCHA / EXTRA/21.10.2020

— O fim do ano está chegando e, com ele, o verão. Vai ficar complicado para quem usa o transporte público, principalmente para o morador da Zona Oeste, região que é bastante quente. E não é de hoje que isso acontece — reclama Rodrigo Ávila, de 27 anos, morador de Padre Miguel e usuário das linhas 794 (Cascadura-Bangu) e 801 (Bangu-Taquara).

Motoristas também sobrem nos ônibus no Rio: os que têm aparelho de ar condicionado, desligaram
Motoristas também sobrem nos ônibus no Rio: os que têm aparelho de ar condicionado, desligaram Foto: Brenno Carvalho / Extra

De acordo com dados da Secretaria municipal de Transportes (SMTR), pelo menos 20% dos coletivos convencionais não têm aparelho instalado, o que corresponde a mil do total de 4.987 nas ruas. Mas mesmo os que já possuem têm circulado com o equipamento desligado. A Prefeitura do Rio informou que a recomendação para os ônibus climatizados andarem com ar-condicionado desligado e janelas abertas vale enquanto durar a pandemia do novo coronavírus e que o objetivo é preservar a saúde de passageiros e motoristas, assegurando a renovação do ar.

Ônibus no Rio: os que têm aparelho de ar condicionado, desligaram
Ônibus no Rio: os que têm aparelho de ar condicionado, desligaram Foto: BRENNO CARVALHO / Extra

No entanto, há veículos cujas janelas são vedadas e não podem ser abertas. A SMTR disse que, quando não for possível circular com janelas abertas e ar desligado, as empresas devem assegurar que a manutenção dos sistemas de climatização esteja dia, mas não informou como isso é fiscalizado.

Ônibus no Rio: os que têm aparelho de ar condicionado, desligaram
Ônibus no Rio: os que têm aparelho de ar condicionado, desligaram Foto: FABIANO ROCHA / extra

A meteorologista Andrea Ramos, do Inmet, diz que projeções indicam que as temperaturas devem ficar acima da média entre dezembro e março. Fevereiro deve ser o mês mais quente, com média de 32 graus; mas em dezembro, janeiro e março, a média de 30 graus também deve ser ultrapassada.

Coordenador da Comissão de Controle de Infecção do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Uerj, o infectologista Marcos Junqueira Lago afirma que a decisão da prefeitura de autorizar os ônibus a circular com ar desligado e janelas abertas é correta, porque muitos desses equipamentos não renovam o ar, apenas reciclam o que já está no ambiente interno, o que pode facilitar a contaminação.

— Limitar o número de passageiros ao de assentos e obrigar o uso de máscara são boas recomendações — sugere o especialista.

Climatização, uma novela antiga

A climatização de toda da frota de ônibus municipais é uma novela que começou em 2014 e, pelo visto, ainda está longe do fim. O primeiro prazo deveria ter sido cumprido no fim de 2016, mas, nada feito. Depois de vários calendários ignorados, um novo acordo foi formalizado pela prefeitura e pelas concessionárias em abril de 2018. Na ocasião, ficou estabelecido que 80% da frota deveria estar climatizada até o fim do ano passado; em junho deste ano, 90%; e em 30 de setembro, 100%. Agora, em plena pandemia e com a orientação de andar de janelas abertas, nem adianta brigar. Enquanto isso, Carmem Maria dos Santos, de 57 anos, moradora do Bairro de Fátima, prevê um verão escaldante e de sofrimento no 497 (Penha-Cosme Velho):

— Uso essa linha quando preciso ir à rodoviária ou para trabalhar, no Largo do Machado. Os coletivos são todos velhos e em péssimas condições. Já sofremos o ano inteiro. No verão será pior.

A SMTR explicou que a climatização dos ônibus faz parte de um termo assinado entre o município e os consórcios que vem sendo reavaliado por uma comissão de trabalho, “considerando os impactos da pandemia sobre o setor de transportes”. O órgão informou ainda que a frota cadastrada no município é de 5.977 veículos, sendo 4.987 ônibus convencionais, 376 BRTs e 614 frescões — nesses dois últimos grupos, toda a frota é refrigerada. Dos convencionais, de 75% a 80% estão climatizados.

O Rio Ônibus alegou que os quatro consórcios operacionais (Intersul, Internorte, Santa Cruz e Transcarioca) vinham cumprindo rigorosamente as metas estipuladas para a climatização da frota até o início da pandemia, que, segundo a nota, “ impactou diretamente o setor de transporte”. O sindicato reivindica que, diante disso, os prazos acordados sejam revistos.

Táxis e aplicativos

A recomendação para viajar com ar desligado e janelas abertas também vale para táxis e carros aplicativos. Os motoristas precisam ter álcool gel 70% para oferecer aos clientes, e todos precisam usar máscaras.

Para ter a certeza de que seus colaboradores estão seguindo as recomendações sanitárias, a Uber implantou um sistema de segurança para diminuir os riscos de contágio. Os motoristas parceiros precisam passar por um checklist online, que inclui uma selfie para comprovar o uso da máscara. E os passageiros só podem viajar sentados no banco traseiro.

Os usuários também precisam informar pelo app se estão tomando as devidas precauções. Motoristas poderão cancelar as corridas, sem prejuízo para eles, caso um passageiro esteja sem máscara. E o mesmo pode ser feito por quem pediu o carro.

Morgan Minardi Brasileiro, de 54 anos, que na pandemia tem sobrevivido como motorista de aplicativo, garante que os usuários colaboram:

— Eles mesmos pedem para desligar o ar e abrir a janela assim que entram no carro.

Nas medidas preventivas para táxis, publicadas em 6 de julho pela Prefeitura do Rio, não é citado que o ar-condicionado deve ficar desligado, mas a orientação é deixar as janelas abertas para manter o ambiente ventilado.

— E, para evitar aglomeração dentro do veículos, as cooperativas estão orientando transportar, no máximo, três passageiros — afirmou Alan Ramos, do Sindicato dos Taxistas.

Trens e metrô com ar ligado

Diferentemente de ônibus, táxis e carros de aplicativo, metrô e trens têm circulado com o ar-condicionado ligado. As concessionárias alegam dificuldades técnicas para manter os equipamentos desligados, mas garantem que eles são submetidos a manutenção regular.

O MetrôRio esclareceu que, como as janelas dos vagões são vedadas, é “tecnicamente inviável retirar os equipamentos de ar-condicionado”. Segundo a concessionária, a filtragem e a troca do ar que circula nos trens são feitas pelos aparelhos.

A SuperVia também explicou que segue um cronograma regular de manutenção do ar-condicionado, intensificado durante a pandemia. Segundo a concessionária, não há determinações do governo para a circulação de trens sem refrigeração e com janelas abertas: “O que, inclusive, não seria recomendado por questões técnicas e de segurança”. A concessionária destacou que “está respeitando todas as determinações do poder público no enfrentamento à Covid-19, tendo mantido a taxa de ocupação abaixo dos 60%”.





Fonte: G1

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