Na véspera de finados, Cemitério do Caju recebeu número tímido de visitantes, em comparação com anos anteriores

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Álcool em gel e a restrição do número de visitantes se juntam à tradição de dias cinzentos no feriado de finados, celebrado nesta segunda. Para evitar aglomerações, algumas pessoas anteciparam para este final de semana a visita aos cemitérios. Por conta do isolamento social, o número das missas que acontecem nos 17 cemitérios do Rio foi reduzido, e elas serão realizadas também nas igrejas próximas.

Maior da América Latina, o Cemitério de São Francisco Xavier, conhecido como Cemitério do Caju, na Zona Portuária, recebeu um número tímido de visitantes neste domingo, em comparação com as vésperas de Finados de anos anteriores.

Madalena Alves, de 78 anos, teve que despistar a família para visitar o túmulo do filho de 55 anos, que morreu há seis meses vítima da Covid-19
Madalena Alves, de 78 anos, teve que despistar a família para visitar o túmulo do filho de 55 anos, que morreu há seis meses vítima da Covid-19 Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Moradora de Maricá, a aposentada Madalena Alves, de 78 anos, teve que despistar a família para visitar o túmulo do filho de 55 anos, que faleceu há seis meses vítima da Covid-19.

– Eles ficam preocupados com a minha saúde, mas o mínimo que posso fazer como mãe são essas pequenas homenagens. Já fui impedida de participar do enterro e me despedir do meu filho, então sempre que dá eu venho trazer flores. Preferi vir hoje porque amanhã minha família não ia querer que eu saísse sozinha – conta a idosa, que fez o trajeto de Itaipuaçu até o Cemitério do Caju de ônibus.

A cuidadora de túmulos Giorgina Campos conta que, em 21 anos de trabalho, nunca tinha visto o Cemitério do Caju tão vazio numa véspera de Finados.

– No Dia das Mães e no Dia dos Pais não veio quase ninguém. Hoje até teve um movimento, mas nem se compara com o que era antes. Agora, muitas familias pedem para colocarmos flores e mandarmos fotos – contou Giorgina, que cuida de 20 sepulturas.

‘Sempre venho na véspera de Finados para não pegar o cemitério cheio, mas hoje está bem mais tranquilo do que em outros anos’, diz Wilma de Souza Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Com o hábito de visitar o túmulo da família pelo menos duas vezes anualmente, a aposentada Wilma de Souza, de 81 anos, esteve no local pela primeira vez este ano, por conta da pandemia:

– Sempre venho na véspera de Finados para não pegar o cemitério cheio, mas hoje está bem mais tranquilo do que em outros anos. Ainda não tinha conseguido vir neste ano por conta da pandemia, mas não podia deixar de fazer uma homenagem para minha mãe, que faleceu há 13 anos.

A aposentada Antonia Pires também costuma visitar o cemitério na véspera de Finados, para evitar aglomeração, e aproveitou para acender uma vela para seus familiares mortos:

– Há quarenta anos venho religiosamente, desde a morte do meu pai. Nunca falhei

Os cemitérios Jardim da Saudade, que, no Rio, tem unidades em Sulacap e Paciência, na Zona Oeste, afirmam, em nota, que só é permitida a entrada com máscara, mediante aferição de temperatura logo na entrada. Dizem ainda que há diversos totens com álcool em gel espalhados pelos ambientes e que as missas serão realizadas em espaços abertos, com cadeiras posicionadas a dois metros de distância umas das outras. Funcionários do cemitérios também estarão durante todo o dia alertando as pessoas para evitar aglomerações.

Segundo o Crematório e Cemitério da Penitencia, no Caju, todos os eventos pelo dia de Finados serão realizados ao ar livre, com distanciamento social e obrigatoriedade do uso de máscaras. Haverá álcool gel disponibilizado em diversos pontos e toda a programação terá transmissão pelas redes sociais.

Programação para o Dia de Finados

Nesta segunda-feira, o arcebispo metropolitano do Rio, cardeal Orani Tempesta, celebrará missas em memória aos que morreram na pandemia. A primeira, às 7h30, será no Cemitério da Penitência, no Caju, onde acenderá uma pira batizada de “Chama da esperança”. Com o projeto arquitetônico do Coletivo Crisa Santos, o fogo da obra tem como simbolismo iluminar os pesquisadores nos seus estudos da vacina contra o novo coronavírus.

Depois, o cardeal plantará uma muda de jequitibá-açu no Jardim in Memoriam. Árvore-símbolo do Rio de Janeiro, a espécie está em extinção e representa a perpetuidade e a evolução da vida. A ação, sugerida pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), também é uma referência à importância da preservação ao meio ambiente e contra as queimadas no país. Os coordenadores da campanha A Vida Não Para vão comandar a revoada de 200 balões contendo mensagens enviadas por internautas através das redes sociais do cemitério.

— Para nós, cristãos, a morte, que no passado era como uma caverna escura, sem saída, tornou-se um túnel, cujo final é luminoso. A morte não é um salto no vazio, mas, sim, um salto para os braços de Deus — diz o cardeal.

A programação no cemitério de Sulacap começa às 8h30, com a subida de um balão dirigível de 20 metros,  em formato de coração vermelho
A programação no cemitério de Sulacap começa às 8h30, com a subida de um balão dirigível de 20 metros,  em formato de coração vermelho

Na sequência, Dom Orani seguirá para o Jardim da Saudade de Sulacap. A programação no cemitério começa às 8h30, com a subida de um balão dirigível de 20 metros, em formato de coração vermelho, com chuvas de milhares de pétalas de rosas, simbolizando o amor eterno às mais de 20 mil vítimas da pandemia no Rio de Janeiro. O balão descerá às 11h, com a benção do arcebispo, em um minuto de silêncio pelas famílias.

Ele inaugurará ainda o memorial Eterno, criado em homenagem às vítimas do vírus. As duas unidades do Jardim da Saudade, em Sulacap e em Paciência, terão missas ao longo do dia e cultos evangélicos. Os visitantes serão recebidos com álcool gel e será proibida a entrada sem máscaras.

O memorial Eterno, criado em homenagem às vítimas do coronavírus, será inaugurado no Jardim da Saudade de Sulacap
O memorial Eterno, criado em homenagem às vítimas do coronavírus, será inaugurado no Jardim da Saudade de Sulacap

Mais tarde, às 14h, o arcebispo vai ao cemitério de Santa Cruz, também na Zona Oeste, onde depositará uma coroa de flores na ala dos falecidos indigentes, como faz todos os anos.
Em outros cemitérios da cidade, agentes pastorais de diversas paróquias, membros das novas comunidades e ministros da consolação e esperança estarão a postos, oferecendo mensagens de esperança e fé aos familiares dos mortos. Também estão previstas celebrações de outras missas, presididas por bispos ou sacerdotes locais, nas igrejas próximas.
Confira horários de missas

– Cemitério da Penitência: 11h (padre Pedro Paulo) e 15h (padre Pedro Paulo).

– Cemitério São João Batista (Botafogo): às 10h (Dom Antonio Augusto) e às 15h (Padre Pedro Paulo).

– Cemitério São Francisco Xavier (Quadra dos Padres): 8h (Dom Assis), 10h (Dom Paulo Romão), 12h (padre Wellington Gusmão), 14h (padre Marcelo Freitas) e 16h (padre Ionaldo Pereira).

– Cemitério Santo Antonio, em Paquetá: 9h (padre Nixon Bezerra).

– Catedral de São Sebastião: 8h (padre Ramon da Silva), 10h (Dom Assis), 13h (padre Wagner Toledo) e 15h (padre Vanderson de Oliveira).





Fonte: G1

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