Na linha do Trem do Corcovado, moradores da comunidade dos Guararapes protestam contra deslizamentos

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Moradores da comunidade dos Guararapes, no Cosme Velho, realizaram, na manhã deste sábado, um protesto para impedir o funcionamento do Trem do Corcovado, que leva turistas ao Cristo Redentor. De acordo com lideranças locais, a ação pacífica, que contou com cerca de 40 participantes e percorreu ruas de Santa Teresa, foi motivada por um deslizamento ocorrido na semana passada na localidade.

— O Trem do Corcovado fez uma obra mal planejada de canalização da água da chuva em 2002 e, desde então, sofremos com os deslizamentos de terra no Morro dos Guararapes. Na semana passada aconteceu mais um deslizamento, felizmente sem vítimas fatais. Ainda assim, o risco está ali. A água que foi mal canalizada pelo Trem do Corcovado e a irresponsabilidade das secretarias responsáveis pela fiscalização condenou esse terreno — explica Diego Santana, de 32 anos, um dos líderes da favela.

Moradores da comunidade dos Guararapes protestam diante do Trenzinho do Corcovado
Moradores da comunidade dos Guararapes protestam diante do Trenzinho do Corcovado Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Ainda de acordo com Diego, os maiores deslizamentos de terra na região aconteceram em 2003 e 2010. Neste último, três irmãs foram soterradas e morreram. A mãe das jovens, com idades entre 8 e 18 anos, esteve na manifestação deste sábado, porém não conseguiu acompanhar o grupo até o fim.

— Esse assunto é muito emocionante para ela e para a comunidade, que ficou muito impactada desde a fatalidade — explica Diego, que também denuncia que órgãos fiscalizadores não realizam vistorias periódicas no Morro dos Guararapes, onde o estudante de Letras vive desde que nasceu.

Moradores da comunidade dos Guararapes protestam diante do Trenzinho do Corcovado
Moradores da comunidade dos Guararapes protestam diante do Trenzinho do Corcovado Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

O aluno da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) acredita que, se os riscos de acidentes envolvessem os turistas do Cristo Redentor, as providências reinvindicadas há mais de quinze anos já teriam sido tomadas pelas autoridades.

— Nós sempre fazemos protestos para chamar atenção para esse problema. Quando é para garantir a vida do turista, eles fecham a estrada. A proposta do ato é fazer uma denúncia ao tratamento com a comunidade e viralizar até que chegue no conhecimento das autoridades comprometidas em resolver a situação, que é inaceitável. O perigo aqui é constante — reflete Diego, que garante que todos os 40 participantes do ato seguiram as normas de segurança recomendadas pela OMS para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

Procurada, a assessoria do Trem do Corcovado respondeu que ”que desconhece qualquer razão para acusar a empresa de fazer obra em uma área considerada de risco, onde são proibidos qualquer tipo de obra. O Trem do Corcovado não tem participação nessa questão e é desconhecido qualquer motivo para as acusações citadas.”





Fonte: G1

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