Moradores reclamam de falta d’água há 6 dias após problema na Elevatória do Lameirão

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Um problema técnico na Elevatória do Lameirão, na Zona Oeste do Rio, tem deixado vários bairros sem água. Moradores relatam que as torneiras secaram na última sexta-feira, e desde então eles têm encontrado muitas dificuldades para cozinhar, lavar roupas, tomar banho e até mesmo para beber água. Segundo os relatos nas redes sociais, o desabastecimento acontece em pelo menos 16 bairros da capital e também na cidade de Nilópolis, na Baixada Fluminense.

— Prejudica muito a nossa vida. Quando ela (a água) chega, no começo da manhã, já vem sem força, bem fraquinha. Aí logo depois já acaba. Eu fico economizando, guardando nos baldes e bacias pela casa. Precisei comprar água pra beber — relata a comerciante Dalva Gomes, de 61 anos, moradora da Rua Aritiba, em Realengo.

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Na mesma rua, o eletricista Wilson Oliveira, de 63 anos, conta que já gastou mais de R$ 100 com garrafas e galões de água nos últimos dias. O valor poderia ser maior se não fosse a ajuda dos vizinhos.

— Moro com a minha mulher. Estamos comprando água para beber e cozinhar. Para tomar banho, consigo água com os vizinhos que têm cisterna e nos ajudam, dividem o pouco que acumularam. Mesmo sem água na torneira, a conta chega todo mês. Pago mais de R$ 200 por um serviço que não é prestado direito — reinvindica o morador.

Em nota, a Cedae informou que a Elevatória do Lameirão voltará a operar com 100% de sua capacidade no prazo de 20 a 25 dias, com a conclusão do reparo em um motor da unidade. O problema deixou o sistema operando com 75% da sua capacidade de fornecimento.

Pouca água não foi suficiente para encher nem a garrafa de dois litros
Pouca água não foi suficiente para encher nem a garrafa de dois litros Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Em Realengo, a situação se repete, pelo menos, nas ruas do Governo, Pirapuá, General Azeredo e Alcides Bezerra. A dona de casa Luana Santos, de 32 anos, não conseguiu nem encher a garrafa de dois litros com a pouca água que sai das torneiras de casa. Ela teme as dificuldades de poder ficar sem água até perto do Natal:

— Já é difícil normalmente, imagine para mim que tenho uma filha de quatro anos. É ruim demais ficar sem água dentro de casa. E 25 dias vai ser quase lá no Natal, muito tempo sem solução.

Na Rua Flack, no bairro do Riachuelo, Zona Norte do Rio, pouca água que tem saído das torneiras. Além disso, apresenta uma coloração turva, como se fosse ferrugem, e muitas partículas suspensa.

— Começou no domingo, e não tem nem como tomar banho com essa água. Nós já gastamos muito dinheiro desde então com água para fazer tudo dentro de casa — conta o mecânico Marcílio Rodrigues, de 43 anos. — Nesse calor que tem feito, ficar sem água em casa chega a ser desumano.

Marcílio Rodrigues, na rua Flack, no Riachuelo, com a água bastante turva
Marcílio Rodrigues, na rua Flack, no Riachuelo, com a água bastante turva Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

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Na mesma rua, uma vila com 23 casas sofre do mesmo problema. A dona de casa Rogéria de Jesus, de 53 anos, diz que está buscando água nos vizinhos e armazena em casa. Até o neto dela, Guilherme, de 2 anos, precisou recorrer ao banho no balde d’água.

— Quando a água cai, geralmente durante a madrugada, ela não tem força para subir e chegar até a minha casa, que é a primeira. Aí ficamos nessa situação horrorosa. As minha roupas sujas estão acumuladas até agora para lavar. Se eu tivesse dinheiro, jogaria tudo fora e compraria outras. A Cedae que deveria pagar a nossa conta. Se não pagarmos, eles cortam. E o prazo de solução vai só aumentando — desabafa.

Em Santa Teresa, moradores relatam estar há quase uma semana sem água em casa. Nas partes mais altas do bairro, onde a situação é mais crítica, não há uma gota.

— Ficar sem água é uma situação difícil demais. Praticamente todas as nossas atividades dependem dela. Tive gastos com galão que não estavam dentro do meu orçamento, então precisei apertar aqui, deixar de comprar uma coisa ali para ter água em casa, até mesmo para beber e dar comida para o meu filho — afirma a vendedora Ana Paula Costa, de 28 anos.

Há relatos ainda de desabastecimento em Pedra de Guaratiba, Guaratiba, Campo Grande, Vila Valqueire, Ricardo de Albuquerque, Anchieta, Penha, Engenho Novo, Lins, Vila Isabel, Tijuca, Grajaú, Centro e Lapa.

O que diz a Cedae

A Compania disse que “está realizando ações operacionais (como “manobras no sistema”) para redirecionar e equilibrar a distribuição de água nas redes de abastecimento – como forma de minimizar os impactos do serviço emergencial que está em andamento” e acrescentou que para atender hospitais e outros serviços essenciais, “foi montado esquema especial com oferta de carros-pipa durante este período”.

A Cedae reforça a orientação para que os clientes que possuem sistema de reserva interna (cisterna e/ou caixa d’água) utilizem a água armazenada somente para tarefas essenciais e reforça a economia.

Em relação aos relatos de água turva e “barrenta”, a Cedae alegou que “que não há relação com a geosmina e que técnicos estão vistoriando os locais para verificar se houve desprendimento de partículas internas da rede local em decorrência das manobras operacionais realizadas para minimizar os impactos do serviço emergencial”.

Segundo a Companhia, caso seja identificada alteração na água, técnicos providenciarão descarga na rede e darão andamento no procedimento para a normalização do fornecimento, conforme prevê protocolo de verificação da qualidade. O cliente que identificar alguma alteração pode entrar em contato pelo 0800-282-1195 para solicitar vistoria.

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Fonte: G1

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