Moradores do Centro se queixam do abandono de terreno que serviria à ampliação do Inca

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Quase seis anos depois da paralisação das obras de ampliação do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o terreno onde seria erguido o novo prédio continua abandonado e virou um imenso matagal, em pleno Centro do Rio. A área tem 14.585m² e ocupa quase um quarteirão inteiro ao lado do prédio-sede, na Praça da Cruz Vermelha. A situação preocupa os vizinhos, que temem a invasão do local e também reclamam da grande quantidade de insetos e roedores, além da insegurança no entorno.

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Segundo moradores da Avenida Henrique Valadares e da Rua Washington Luiz, a situação está insuportável e a região não tem mais tranquilidade, principalmente à noite, no trecho que dá para a Rua Conselheiro Josino. Essa rua dá para os fundos do terreno e, segundo relatos, o local está ocupado por moradores de rua e uma pequena cracolândia começa a se formar no local. Isis Viana Lisboa, moradora da Rua Tenente Posolo, conta que já foi assaltada ali:

Na foto, moradora Lourdes Helena com terreno que pertecia ao Iaserj, ao fundo, onde vários prédios foram demolidos e serviria para a expansão do INCA
Na foto, moradora Lourdes Helena com terreno que pertecia ao Iaserj, ao fundo, onde vários prédios foram demolidos e serviria para a expansão do INCA Foto: Ana Branco / Agência O Globo

— Como não tem um prédio fica muito escuro e não tem uma frequência de pessoas circulando pela rua. Isso traz insegurança. O ideal é que aquele terreno tivesse uma utilidade. Primeiro para ter um fluxo de pessoas. Isso podia inibir a presença de usuários de drogas e assaltos, por conta da iluminação e da movimentação. Também atrairia mais policiamento. Eu já fui assaltada ali perto, há pouco tempo. Além disso, tem a questão do matagal, que atrai vetores. É uma área estratégica, de fácil acesso e que poderia ser melhor aproveitada — sugere a moradora.

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As obras de ampliação do Inca, orçadas na época em R$ 500 milhões, chegaram a ser iniciadas, com o começo da execução das fundações. Mas, após a empresa responsável pela construção, a Schahin Engenharia, ter sido envolvida na Operação Lava-Jato, os trabalhos foram interrompidos e nada mais foi feito. Pouco tempo depois a empreiteira teve a falência decretada.

O novo prédio seria erguido no espaço ocupado anteriormente pelo Hospital do Iaserj, demolido em 2013. A área foi cedida à União pelo governo do estado. O projeto inicial previa no local um centro de desenvolvimento científico para o controle do câncer, além de áreas destinadas ao atendimento de pacientes.

Moradores reclamam de insetos e roedores, além de invasões
Moradores reclamam de insetos e roedores, além de invasões Foto: Ana Branco / Agência O Globo

— É muito ruim ver aquele matagal tomando conta do terreno. Tem uma parte dele que parece uma mini floresta. E isso atrai mosquitos e ratos. Tem uma guarita lá dentro, mas não sabemos se tem gente lá. Isso poderia inibir invasões. Tinha um projeto bacana para aquele espaço que ia valorizar a área e ajudar quem tem câncer, mas não foi adiante — lamenta Lourdes Helena Costa Leite dos Anjos, moradora da Avenida Henrique Valadares, que ainda guarda o prospeto com a maquete do novo prédio, que não saiu do papel.

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As queixas são antigas. Em 2016, a principal preocupação era com a guerra declarada ao Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Apesar da forte campanha feita pelo Ministério da Saúde, naquela época, tudo indicava que o dever de casa não era feito pelo Inca em seu próprio quintal. Em 2018, depois de muitas reclamações, os tapumes que cercavam o terreno foram substituídos por um muro e as calçadas ampliadas. Mas, de lá para cá nada mais foi feito.

—As pessoas dizem que até cobra já viram ali, além dos insetos que podem provocar doenças com a chikungunha. É muito inconveniente para o morador que convive com todo tipo de risco, inclusive de assalto. Já fizemos abaixo-assinado e encaminhamos diversos ofícios para o Inca. Depois de um movimento nosso limparam e cercaram o terreno com muro, mas largaram mão de novo — reclama Berenaldo Lopes, presidente da Associação de Moradores e Amigos do Centro Residencial, região que inclui o Bairro de Fátima e a Cruz Vermelha.

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De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a organização desconhece a informação de que o terreno teria sido invadido por moradores de rua. No esclarecimento, o INCA informa que o espaço foi cercado por muros de alvenaria e cercas perfucortantes foram instaladas, em 2019, para evitar invasões.

Ainda segundo o INCA, em virtude da paralisação das obras em 2015, consequência do abandono por parte da empresa contratada na época, o Instituto vem buscando atualizar e revisar o projeto, que hoje fica sob a coordenação do Ministério da Saúde, após a apresentação de uma proposta de Integração dos Institutos Federais no Rio de Janeiro.





Fonte: G1