Marcelo Crivella e Eduardo Paes miram um no outro no horário eleitoral e se antecipam a críticas

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Marcelo Crivella tenta a reeleição Foto: Gabriel Monteiro / Agência O Globo
Eduardo Paes quer voltar à Prefeitura do Rio Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Na estreia da propaganda eleitoral na TV e no rádio, nesta sexta-feira (9) os dois primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura do Rio, Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos), anteciparam-se a temas sensíveis que podem enfrentar na corrida até as urnas, como corrupção. Os dois também trocaram farpas, algumas explícitas, outras apenas insinuadas. Já a maioria dos demais candidatos, alguns novatos na política e por isso pouco conhecidos do grande público, focou na apresentação de suas biografias.

O ex-prefeito Paes abriu seu horário gratuito abordando o tema da corrupção, tentando se descolar da imagem do ex-governador Sérgio Cabral, preso desde 2016 e condenado pela Lava-Jato. Ninguém pode ser julgado porque foi “amigo de alguém que se sujou”, disse o candidato do DEM, sem citar o ex-correligionário, quando os dois eram do MDB. Já Crivella, que tenta a reeleição, repetiu que é o “mais insatisfeito de todos os cariocas” e que queria ter feito mais em sua gestão, mas ressalvou que, além de crises como a da Covid-19, teria assumido o município com problemas de caixa e obras superfaturadas, que seriam herança do antecessor, Paes, mas sem citar o nome do adversário.

Paes, por sua vez, foi mais direto na citação ao concorrente. Disse que a cidade “não suporta mais” um novo Crivella e um novo Wilson Witzel (PSC), em referência ao governador afastado do Rio. E prometeu que, se eleito, colocará em funcionamento “tudo que foi abandonado por Crivella”. Ao tratar das denúncias de corrupção que o ligam a Cabral, afirmou que nenhuma se sustentou e emendou dizendo que é ficha limpa e que não enriqueceu na política.

Já Benedita da Silva (PT) ressaltou que o Rio nunca teve uma mulher negra como prefeita. Ao lado de sua candidata a vice, a deputada estadual Enfermeira Rejane (PCdoB), ela escolheu o tema da Saúde para suas primeiras aparições no horário eleitoral. E lembrou o episódio do “fala com a Márcia”, de julho de 2018, no qual Crivella, em uma reunião com 250 pastores e líderes evangélicos, sugeriu que a funcionária da prefeitura fosse procurada para resolver atendimentos na rede de saúde — o caso foi revelado por uma reportagem do EXTRA.

Martha Rocha (PDT), Renata Souza (PSOL), Luiz Lima (PSL) e Paulo Messina (MDB) escolheram apresentar suas biografias. Martha Rocha e Messina, por exemplo, ressaltaram suas formações escolares na escola pública. Martha continuou falando sobre seus 31 anos de atuação na Polícia Civil. E Messina frisou sua participação na política na última década. Renata Souza recordou sua atuação junto à vereadora assassinada Marielle Franco e recorreu a uma intervenção do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL). Luiz Lima abordou a carreira como atleta de natação e foi o único a citar o presidente Jair Bolsonaro, lembrando que, em Brasília, foi convidado a ser um dos vice-líderes do governo na Câmara dos Deputados.

Com poucos segundos na TV, Fred Luz (Novo) e Clarissa Garotinho (PROS) apresentaram suas candidaturas como diferentes das demais. E Glória Heloíza (PSC) deixou perguntas no ar, como quem ela é, em forma de versos.

O cientista político Paulo Baía, da UFRJ, avalia que os candidatos aproveitaram bem o horário eleitoral e as inserções no primeiro dia de propaganda na TV e no rádio. Além das apresentações normais da estreia, ele destaca o fato de Crivella e Paes terem se antecipado a possíveis críticas que devem acompanhá-los até a votação.

— Eles seguiram as pesquisas que provavelmente têm em mãos. Paes sabe que o que fragiliza é sua amizade com Cabral e outros, como (Jorge) Picciani (ex-presidente da Alerj). Então, já no primeiro programa, ele toca na ferida. O Crivella fez o mesmo, ao falar de assuntos em que a prefeitura tem sido criticada — diz Baía.

É uma espécie de “vacina” para se prevenir de possíveis ataques, diz outro cientista político, Felipe Borba, professor da UniRio. Ele acredita que esse início de campanha na TV e no rádio possa esquentar uma corrida eleitoral que, na opinião dele, ainda está morna:

— O horário eleitoral normalmente desperta o eleitor para a disputa. Este ano, além das consequências da pandemia do novo coronavírus, temos um eleitor do Rio muito desesperançoso, após denúncias de corrupção e a prisão e afastamento de governadores.

Borba e Baía afirmam, no entanto, que agora a corrida eleitoral deve se intensificar também nas redes sociais, inclusive com os programas de TV sendo replicados. Já o cientista político Eurico Figueiredo, da UFF, faz uma ressalva. Ele acredita que o formato do horário eleitoral precisa ser repensado, para que contribua mais à decisão do eleitor.

— Com o tempo curto e a linguagem fragmentada, a propaganda acaba não levando a melhor informação. É mais a apresentação de um slogan de campanha do que propriamente de um programa de governo, seja para a prefeitura seja para a Câmara dos Vereadores — avalia ele.

O horário eleitoral do primeiro turno será veiculado até o dia 12 de novembro, de segunda a sábado. Na TV, será exibido das 13h às 13h10 e das 20h30 às 20h40. Já no rádio, será transmitido das 7h às 7h10 e das 12h às 12h10. Os candidatos têm ainda 70 minutos diários, inclusive aos domingos, para se apresentarem em inserções de 30 a 60 segundos durante a programação. Diariamente, serão 42 minutos para os postulantes a prefeito e 28 minutos aos que concorrem para ser vereador.





Fonte: G1

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