Livro destaca a importância do subúrbio e mostra riqueza de histórias a serem contadas

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Já parou para pensar de onde vieram os nomes de bairros como Todos os Santos, Água Santa e Encantado? Curiosidades como essas sobre a história do subúrbio carioca e passagens divertidas sobre a região estão no livro “Diálogos suburbanos” (editora Mórula), conta o professor e historiador Rafael Mattoso, um dos organizadores da obra.

Com textos de geógrafos, historiadores, arquitetos e cientistas sobre a formação de bairros como Irajá, Olaria, Penha e Bonsucesso e muitas imagens antigas, o leitor faz uma verdadeira viagem ao passado.

— Os escravos fugidos ocupavam a base dos morros da região (de Irajá), que eram de difícil acesso. E os bairros ao redor têm os nomes ligados a isso: era lá onde os escravos podiam cultuar “todos os santos”, com “água santa”, considerado um líquido “encantado”. Além disso, essa água passava na divisão entre Engenho de Dentro e Piedade, por onde é hoje a Rua Dois de Fevereiro. Piedade, por exemplo, foi o primeiro bairro a ter luz elétrica e abastecimento regular de gás. Era uma região muito valorizada — conta Mattoso.

O professor estudou a transição entre o Império, quando toda a administração das freguesias e dos engenhos era feita pela Igreja Católica, e a República, quando foi criada a Lei Orgânica Municipal, que determina as novas circunscrições dos bairros como os conhecemos atualmente.

— A Igreja de Nossa Senhora da Apresentação é uma edificação de 1613, uma das mais antigas do Brasil, e está ligada diretamente à origem do subúrbio. Foi a partir dela, que ficava na freguesia rural de Irajá, de 1644, que surgiram as subdivisões, como as de Inhaúma, de 1743, e do Engenho Novo, décadas depois — conta o historiador, morador do Engenho Novo, que organiza encontros mensais com estudiosos da região e já planeja uma segunda edição do livro.

Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, em Irajá: importância histórica
Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, em Irajá: importância histórica Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Segundo ele, muitas histórias e pontos históricos do subúrbio são pouco conhecidos dos cariocas. Ele cita o Capão do Bispo, imóvel colonial que foi moradia do primeiro bispo do Brasil, dom José Joaquim Justiniano Mascarenhas de Castelo Branco, até o início do século 19.

Casa do primeiro bispo do Brasil, em Del Castilho
Casa do primeiro bispo do Brasil, em Del Castilho Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Do imóvel na atual Avenida Dom Helder Câmara, partiram as primeiras mudas de café em direção ao Vale do Paraíba e à Floresta da Tijuca.

— Historicamente, a palavra subúrbio não tem nenhuma carga depreciativa. Os subúrbios eram os limites da cidade, as ligações entre os espaços rurais e as áreas que estavam se urbanizando. E essas áreas vão mudando e se deslocando conforme a ocupação do espaço. No entanto, no Rio de Janeiro, se estabeleceu uma área específica para ser chamada de subúrbio: terras que pertenciam à aristocracia e que foram loteadas e vendidas para grupos mais humildes. Isso acabou estigmatizando a região — explica Mattoso.

Mattoso já prepara uma segunda edição do livro com dez novos autores
Mattoso já prepara uma segunda edição do livro com dez novos autores Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

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Fonte: G1

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