Jovens de projeto social da Zona Sul visitam o Bondinho Pão de Açúcar pela primeira vez

0
13


Os sorrisos escondidos por baixo das máscaras de proteção transpareceram nos olhares. Nesta sexta-feira, 20 alunos do Instituto Desportivo e Cultural Haroldo Britto, projeto social que atua nas comunidades da Rocinha e Chácara do Céu, Zona Sul do Rio, visitaram pela primeira vez o Bondinho Pão de Açúcar, na Urca. Dentro do teleférico, a apreensão com a altura — que chega a 396 metros no segundo morro —, dividiu espaço com as inúmeras selfies e o encantamento dos pequenos em ver a cidade lá do alto, em meio às nuvens. Nem mesmo o tempo encoberto tirou a magia do passeio.

— Meu Deus, é muito alto. Mas não tenho medo, só se eu estivesse sozinho — disse o pequeno Sérgio Rodrigues, de 8 anos, que mora na Rocinha e é aluno de judô. — Eu gosto muito de treinar, de ficar com meus amigos. Aprendo um monte de coisas legais com os professores.

O projeto nasceu em 1997 inspirado nas iniciativas do professor de judô Fernando Britto, de 66 anos, filho de um dos pioneiros na prática do esporte no Brasil, Haroldo Britto, que dá nome ao grupo. Hoje, cerca de 40 crianças são atendidas nas duas comunidades, com aulas gratuitas também de jiu-jitsu. Para os professores, mais do que a técnica, crianças e adolescentes aprendem valores de vida.

— Os benefícios do projeto vão além do esporte, com aprendizado sobre disciplina, persistência, respeito ao próximo, perseverança, autoconfiança e cidadania. Mas não é fácil. É cada dia rachando um coco, sem machado. Tem que ser na mão — afirma Fernando Britto.

Alunos de judô e jiu-jítsu visitam pela primeira vez o Pão de Açúcar.
Alunos de judô e jiu-jítsu visitam pela primeira vez o Pão de Açúcar. Foto: Luiza Moraes / Agência O Globo

No Morro da Urca, nem a estátua do engenheiro Cristóvão Leite de Castro, responsável por implantar um sistema teleférico de última geração ao Bondinho Pão de Açúcar, escapou da brincadeira das crianças, que dançaram e simularam golpes de judô e jiu-jtisu com o monumento. O pequeno Kevin Araújo, de 9 anos, era só alegria no passeio. Mas apesar da pouca idade, o menino sonha alto.

— Eu quero ser atleta profissional, chegar numa Olimpíada e vencer.

Duas alunas brincam com estátua de engenheiro homenageado
Duas alunas brincam com estátua de engenheiro homenageado Foto: Luiza Moraes / Agência O Globo

O CEO do Bondinho Pão de Açúcar, Sandro Fernandes, destaca o encantamento das crianças ao conhecerem o ponto turístico.

— Estamos felizes em proporcionar essa experiência para essa futura geração de atletas. Receber os alunos é motivo de imensa alegria para nós. O parque é um espaço para divertir e entreter os diversos tipos de público, gerando brilho nos olhos. Por isso, esperamos ter proporcionado lembranças deste dia que ficarão sempre na memória.

Voluntários destacam gratidão e reconhecimento de ex-alunos

O ex-atleta Gilson Custódio, de 41 anos, integrou voluntariamente o projeto após ser bicampeão brasileiro e campeão pan-americano de judô, em 1999. Hoje, como professor e coordenador do instituto, conta com o apoio do filho, Gabriel Rodrigues, de 21, que também ministra aulas para os pequenos. De acordo com os dois, as visitas a pontos turísticos e passeios culturais são importantes para estreitar os laços com os alunos e proporcionar momentos de alegria.

— Eu era uma criança muito agitada, então a direção da escola me indicou a prática de um esporte. Foi aí que comecei. O retorno é super gratificante. Hoje temos ex-alunos atuando no projeto, pessoas que voltam agradecidas, querendo retribuir o apoio que tiveram. Estamos aqui para formar cidadãos, antes de vê-los como atletas. Muitos dizem que salvamos a vida deles, pois acabariam no crime — conta Gilson.

Durante o passeio, crianças e adolescentes ficaram encantados com o visual
Durante o passeio, crianças e adolescentes ficaram encantados com o visual Foto: Luiza Moraes / Agência O Globo

Esse resgate social marcou a vida do atleta e professor voluntário Luiz Carlos Dias, de 36 anos, que dá aulas de jiu-jitsu para as crianças.

— Meu primeiro professor eu conheci no sinal de trânsito, onde vendia balas e chicletes para sobreviver, ainda criança. Ele me incenticou a entrar no esporte como uma forma de cidadania e construção de futuro. Por isso, me sinto muito honrado em ajudar tantos jovens.

Hoje, o instituto já conta com a colaboração de parceiros privados que ajudam a manter os espaços. Em dezembro do ano passado, o projeto foi aprovado na Lei de Incentivo ao Esporte. Eles aguardam a captação de recursos para ampliar o atendimento a até 200 jovens e incluir também os idosos e pessoas com necessidades especiais.

O professor Luiz Carlos (de máscara do Flamengo) posa para fotos com os alunos
O professor Luiz Carlos (de máscara do Flamengo) posa para fotos com os alunos Foto: Luiza Moraes / Agência O Globo

Whatsapp





Fonte: G1

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui