Imóveis no Largo do Boticário, no Cosme Velho, passam por reforma para começarem a receber hóspedes

0
23


Em 1979, numa cena do filme “007 contra o Foguete da Morte”, Roger Moore, no papel de James Bond, chega a cavalo a um lugarejo escondido na paisagem carioca. São cinco casas em estilo neocolonial abraçadas pela Mata Atlântica, num terreno cortado pelo Rio Carioca. Aquele pequeno beco, perpendicular à Rua Cosme Velho, também já foi descrito como “um dos lugares mais bonitos do Brasil” pela escritora Clarice Lispector. Hoje, são operários que tentam recuperar toda a beleza e a história do Largo do Boticário, que abrirá suas portas em janeiro do ano que vem com um hostel.

Em meio à retomada: Mercado já disputa terrenos para uso residencial no Centro do Rio

Aos poucos, os sinais de abandono vão ficando para trás. O casario também terá espaços abertos aos cariocas. O empreendimento é da rede Accor, dona de marcas como Ibis, Sofitel e Mercure. As obras começaram em 2018, quando uma lei municipal autorizou o uso comercial do imóvel, além da reforma nos prédios tombados pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac) desde 1990. O projeto original do largo será mantido, bem como a floresta nativa no entorno e o jardim de Burle Marx.

— Não tenho dúvida de que aqui será o novo point do verão carioca — disse o prefeito Eduardo Paes, que visitou o largo ontem com o CEO da Accor na América do Sul, Thomas Dubaere.

Reage Rio!: Porto Maravilha ganha seu primeiro residencial, e região vive expectativa de obras no Moinho Fluminense

Hoje com 97 anos, Sybil Bittencourt, a antiga proprietária, resistiu por muito tempo à pressão do mercado para vender os imóveis.

— Eu me hospedei por seis meses nessas casas entre 2016 e 2018 e me tornei amigo de Sybil. Ela queria ter certeza de que o largo continuaria do jeito que ela conhecia: aberto ao público, com a mata preservada, um projeto aberto ao povo carioca. Nada de luxuoso ou exclusivo — contou o francês Paul Rivière, morador do Rio, que comprou a propriedade.

Funcionários trabalham nas obras do Largo do Boticário
Funcionários trabalham nas obras do Largo do Boticário Foto: Guito Moreto

Investimento de R$ 60 milhões

As quatro casas de Sybil foram vendidas por R$ 10 milhões, em 2018. O imóvel mais bem conservado do conjunto, que tinha outro proprietário, foi comprado pelo mesmo valor. Agora, os sobrados darão lugar à terceira franquia da nova marca jovem de hostels da Accor, a Jo&Joe, cujo primeiro projeto foi inaugurado em 2017 perto de Biarritz, na França.

— O benefício não será somente para clientes que precisam de quarto para dormir, mas também para quem mora aqui no Rio e quer visitar o lugar. É um empreendimento de estilo social hub. Foram investidos cerca de R$ 60 milhões — diz Dubaere.

Abandono: Centro do Rio tem mais de 500 imóveis em estado de conservação ruim ou em ruínas

Serão 330 camas e 80 quartos. Alguns apartamentos poderão acomodar até dez pessoas, mas também haverá quartos privados e coberturas. O complexo terá ainda três restaurantes, dois bares, três piscinas, áreas sociais e para churrasco e um co-working, espaço compartilhado de trabalho.

A intervenção no largo foi bem recebida pela vizinhança.

— Vai ficar lindo. Sobretudo porque vão preservar a cor original de cada casa. Por causa do colorido das casas, minha mãe dizia que o largo parecia uma portinha de tinturaria: era essa a mágica do lugar — conta a atriz Patrícia Bueno, filha da crítica de teatro Barbara Heliodora.

O Largo do Boticário, no Cosme Velho
O Largo do Boticário, no Cosme Velho Foto: Guito Moreto





Fonte: G1