Governador anuncia projeto para a criação de bioparque na Barra da Tijuca

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RIO — O governador Cláudio Castro anunciou um projeto para a criação de um bioparque na Barra, em parceria com a prefeitura do Rio, na manhã desta quarta-feira. Em evento para apresentação de resultados e valores de outorgas da concessão da Cedae, Castro disse que, na esteira dos investimentos para despoluição do Complexo Lagunar da Baixada de Jacarepaguá, pretende criar um bioparque na região.

— A ideia é criar um bioparque na Barra, que será um grande local de turismo e lazer, como existe nos EUA e na Europa. Ainda vou conversar com o Eduardo Paes, mas penso que o projeto precisa ser em parceria entre o estado e município — afirmou Cláudio Castro, que admitiu ainda não ter muitos detalhes, porque a ideia nasceu na semana passada. — Com a limpeza do complexo fica extremamente propício fazer um bioparque ali. Ideia da semana passada.

Além do apoio da prefeitura, o governador disse que o projeto também depende do cronograma de investimentos da concessionária Inguá, que arrematou o bloco onde fica o Complexo Lagunar. Segundo o planejamento da Inguá, a sua operação iniciará em fevereiro de 2022.

Após a cerimônia, o governador Cláudio Castro e o secretário de Meio Ambiente Thiago Pampolha participaram de um passeio de barco pelo Canal de Marapendi e Lagoa da Tijuca. A condução ficou a cargo do biólogo Mario Moscatelli, que defendeu o controle da ocupação do solo no entorno das lagoas, como forma de evitar o despejo de esgoto.

Inspiração em bioparque da China

Moscatelli foi um dos responsáveis por levar a ideia do Bioparque à Secretaria de Meio Ambiente. Ele deu exemplos de recuperação de áreas degradadas, através do reflorestamento de mangues e restingas, como no Fundão. O especialista também deu um exemplo chinês, o Sanya Mangrove park, onde se criou um bioparque de manguezal numa área degradada.

— Já temos no Rio a técnica de transformar áreas profundamente degradadas em bioparques .O que vinha faltando era a vontade política de tornar esse tema realidade — disse Moscatelli.

Sanya Mangrove Park, na China
Sanya Mangrove Park, na China Foto: Reprodução

Outro especialista que vem auxiliando o governo no projeto é o oceanógrafo da Uerj e vice-presidente da Câmara Comunitária da Barra, David Zee. Ele defende que a recuperação do Complexo Lagunar não se restrinja apenas à dragagem, mas que também sejam instaladas Unidades de Tratamento de Rios (UTRs) nos principais rios poluidores do sistema.

— As lagoas são pacientes em UTI, recebendo veneno pelos rios. Eles querem arrumar o tecido necrosado, sem resolver o veneno. Até fazer todo esgotamento sanitário, levaria mais de 10 anos, então agora o certo é agir com filtros, ou seja, as UTRs. Se só dragar, o lixo vai voltar rápido.

Pelo caderno de encargos, o Complexo Lagunar da Baixada de Jacarepaguá precisa receber obras de dragagem, com custo estimado de R$250 milhões. A Baía de Guanabara e a Bacia do Guandu também receberam investimentos para despoluição, de mais de R$2 bilhões para cada.





Fonte: G1