Fundador do tradicional Angu do Gomes, Basílio Moreira morre aos 91 anos

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O empresário Basílio Augusto Moreira, de 91 anos recém-completados na última sexta-feira, morreu na tarde desta quarta. Fundador do restaurante Angu do Gomes, reduto gastronômico e boêmio do Rio, ele estava internado há duas semanas, vítima de um acidente doméstico. No hospital, de acordo com sua assessoria, teve uma pneumonia e não resistiu.

20/09/2019 - Rigo Duarte com o avô Basílio Moreira, fundador do Angu do Gomes, em frente ao primeiro restaurante da marca, na Saúde
20/09/2019 – Rigo Duarte com o avô Basílio Moreira, fundador do Angu do Gomes, em frente ao primeiro restaurante da marca, na Saúde Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

A marca que ganhou as ruas da cidade nasceu há 65 anos. Outro português, Manuel Gomes, teve a ideia de vender angu com miúdos de boi em carrocinhas espalhadas pelas ruas do Rio. A inspiração veio de uma baiana que preparava o angu em uma lata grande e o vendia na Praça Quinze.

“A minha história de vida é, em grande parte, a história do Angu do Gomes. Eu vi o projeto tomar forma e dediquei os melhores anos da minha vida ao trabalho diário de fazer o sonho crescer e se consolidar, e se tornar uma experiência afetiva para o carioca. A ideia original era alimentar o povo com uma comida simples e acessível para todo mundo, mas se tornou muito mais que isso. As pessoas têm uma memória sentimental com o Angu do Gomes, porque ele passou a fazer parte do cenário das ruas. E isso é o que me fez chegar até aqui, aos 90 anos, e com uma enorme satisfação no peito”, disse Basílio, pouco antes do último aniversário.

18/08/1979 - O tradicional Angu do Gomes, a qualquer hora comida quente a preços acessíveis, em barraca na Praça XV
18/08/1979 – O tradicional Angu do Gomes, a qualquer hora comida quente a preços acessíveis, em barraca na Praça XV Foto: Paulo Moreira / Agência O Globo

A primeira barraquinha foi montada na Central do Brasil no início dos anos 50 e fez sucesso. Em 1965, com a morte de Manuel, seu filho João se juntou a Basílio para fazer o comércio se expandir. Em 1977, a marca ganhou seu primeiro endereço fixo. De 100 pratos diários, eles passaram a servir 400.

— No auge, na década de 70, chegamos a ter 80 barraquinhas e também um restaurante na Rua São Francisco da Prainha, aqui na Saúde. Vinha muita gente famosa — lembrou Basílio, em entrevista ao jornal O GLOBO no ano passado.

Basílio Moreira e o sócio João Gomes
Basílio Moreira e o sócio João Gomes Foto: Arquivo pessoal

Entre eles, estavam Roberto e Erasmo Carlos, clientes assíduos na Praça Quinze, e o ex-presidente Juscelino Kubitschek. O sambista João Nogueira, que ligava para a casa pedindo para que eles não fechassem antes de ele chegar, cita o angu famoso em um trecho da música “Espere oh! nega”, do disco “Espelho”, de 1977. Vó Maria, a sambista viúva de Donga, também fez parte da história da marca, assim como Tom Jobim, Sérgio Mendes e Ruy Castro.

“A história, o legado e a paixão pela gastronomia popular carioca de Seu Basílio nunca serão esquecidos. A força de resistência que proporcionou longevidade a ele e sua marca serão sempre fonte de inspiração para esta e futuras gerações. Sua memória segue viva no coração de todos os que com ele conviveram, segue viva em suas anedotas e causos, em fartas panelas de fubá saindo quente do fogão, em cada pratinho de alumínio que acompanha encontros calorosos entre amigos, e nas inúmeras lembranças de todos que fizeram e fazem parte da grande família criada em torno do afeto do Angu do Gomes. Obrigada por tudo e por tanto, Seu Basílio”, declarou, em nota, a assessoria do restaurante.





Fonte: G1

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