Evento gastronômico em Nova Iguaçu tem dia temático sobre influência africana na culinária

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No dia da abolição da escravatura no Brasil, 13 de maio, o evento gastronômico Enchefs, que acontece no Patronato, em Nova Iguaçu, esta semana, vai ter uma programação especial para debater a influência da diáspora africana na culinária brasileira. O fórum acontece nesta sexta-feira às 15h30. Segundo um dos organizadores do evento, o chef Pedro Alex, a ideia é reunir especialistas das mais diversas áreas para debater o tema.

— Vamos falar sobre essa diáspora e discutir a influência da gastronomia africana na culinária brasileira com pratos de religiosidade africana, do candomblé, por exemplo, e também a história, a antropologia com professores da UFRRJ que vão estar com a gente e com os chefs de cozinha nos seus estudos. Vamos debater isso de forma ampla — afirma o chef Pedro Alex.

O evento conta com diversas oficinas em que mais de 50 chefs convidados de lugares de todo o país ensinam os mais variados pratos durante quatro dias. Nesta sexta-feira, porém, todas as oficinas serão comandadas por chefs negros. Marcam presença no evento os chefs Márcia Baiana, Silvia Chagas, Iza da Bahia, João Diamante, Aline Guedes, Antônio Filho, Cadu Freitas, Cidinha Santiago, Dadá da Bahia, além dos organizadores chefs Pedro Alex e Rodrigo Barros.

Mineira que vive em São Paulo e que participa de programas televisivos de culinárias há anos, a chef Cidinha Santiago vai apresentar na sua oficina às 11h uma broa cubu. Ela vai dividir a oficina com o chef Antônio Filho.

— É uma broa que em algumas regiões de Minas Gerais muda de nome. Eu conheci junto com minha vó e minha mãe. A gente usa fubá com leite talhado na receita, mas eu dei uma modificada e uso iogurte. O legal dessa broa é que a gente coloca as colheradas em um pedaço de folha de bananeira, enrola e leva para o forno. Antigamente era feita em panela de ferro em cima do fogão, e na tampa da panela colocava brasas para ela assar — explica a chef.

Chef Cidinha Santiago vai participar de oficinas Foto: Divulgação

O prato é conhecido também como broa de pau-a-pique. Para a chef, o evento é uma oportunidade de passar para as próximas gerações os ensinamentos culinários dos antepassados.

— É uma cozinha que foi apagada da época dos escravizados e a gente vem resgatar. É legal sentir essa meninada nova chegando, porque para nós, enquanto negros, a cozinha é um símbolo de resistência, porque é uma coisa que passou dos nossos antepassados e a gente consegue manter, mesmo depois de todos esses anos. Acho gratificante poder mostrar para as pessoas um pouquinho do que faziam nossos ancestrais — diz a chef.

Além das oficinas e do debate, a programação do dia conta ainda com quatro concursos. O de panificação acontece das 8h30 às 10h30, o de confeitaria das 10h45 às 12h45, o de panificação das 13h às 15h e a competição de bolo artístico é de 15h15 às 17h15.

Essa é a segunda edição do Enchefs em Nova Iguaçu. Para o chef Pedro Alex, a primeira versão foi bem recebida pela população e o evento pôde crescer e proporcionar a popularização da culinária brasileira na Baixada.

— A importância desse vento foi o encantamento e como as pessoas receberam na Baixada a primeira edição. Pessoas me abraçavam e diziam que experimentaram coisas que nunca imaginaram. A gente tem que difundir a gastronomia em todas as áreas. É as pessoas estarem aqui no Rio de Janeiro e poderem experimentar pratos do Pará, do Amapá… popularizar a gastronomia como um todo — justifica.

Participam da programação desta sexta-feira também o jornalista e colunista da EXTRA VIP, Alberto Aquino, o professor da UFRRJ Otair Fernandes, a advogada Adriana Teotônio, o escritor Kanu Akin, a jornalista Lica Oliveira, a empresária Maria Julia Ferreira, o presidente da Fenig, Miguel Ribeiro, o ator Demerson D’Alvaro, e o empresário e ativista Henrique Barack Obama.





Fonte: G1