‘Está definhando’ desabafa filha de gonçalense com câncer avançado

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A gonçalense Maria de Fátima dos Santos, de 53 anos, está passando por dias difíceis desde que descobriu que possui um câncer cervical, localizado no colo do útero, no início deste ano. Ela, que trabalha como camareira em São Gonçalo, resolveu tirar suas férias em março, e foi quando seus sintomas pioraram. Hoje, Maria, mesmo com o laudo, está internada em uma unidade de saúde que não é própria para o tratamento do câncer, o Hospital Estadual Prefeito João Batista Caffaro, em Manilha, aguardando sua vez na fila de saúde para que possa ser transferida para um hospital especializado. Durante essa espera, segundo a filha de Maria, a manicure Camila das Graças dos Santos, de 33 anos, a mãe está definhando.

O câncer é uma doença que se propaga de forma rápida e com Maria não está sendo diferente. O problema foi descoberto no início deste ano depois que ela menstruou durante três meses seguidos, todos os dias, sem parar. Ela já está em um estágio avançado da doença. “Ela pediu férias do trabalho em março e nisso ela já estava menstruando sem parar. Depois, ela começou a perder o movimento da perna direita e iniciamos uma corrida contra o tempo, acabei indo parar com ela no Hospital Orêncio de Freitas, no Barreto e lá o médico pediu alguns exames e deu o resultado para o câncer. Isso tudo em meados de abril. Ela retornou para casa e ele disse para tentar uma vaga em um local especializado. No dia 03 de maio, minha mãe teve uma hemorragia forte durante a noite, sujando a casa toda, no dia 04, a levamos ao Pronto Socorro de São Gonçalo, onde o médico emitiu um laudo de urgência para ela, pedindo que eu procurasse uma unidade especializada para controlar o câncer”, disse Camila.

A hemorragia foi controlada, mas dona Maria apresenta agora o risco de ter uma trombose. Fora isso, seu estado de saúde só piora, já que o câncer age rapidamente. “No dia 05 de maio, minha mãe foi liberada para ir embora, já que ali no Pronto Socorro não havia especialidade nesse caso. No dia 06, ela voltou a passar mal e a perder os sentidos, alucinando. Levei para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Colubandê, perto de casa, aonde ela ficou até o dia 09, sendo transferida para o hospital atual em seguida. Agora, estamos na espera de ser chamada na fila”, contou a manicure.

 



Segundo Camila, sua mãe está definhando



Segundo Camila, sua mãe está definhando | Foto: Filipe Aguiar





 

O maior medo de Camila é que a situação de sua mãe piore e ela não consiga um atendimento digno. Tudo o que ela quer, é que sua mãe seja levada para um hospital que trata o câncer. “Já fui em um plantão judiciário e pedi orientações de laudos médicos e tudo para entrar com o pedido de urgência. Antes disso, minha mãe sempre levou uma vida normal, trabalhava, sentia dores na barriga e nas costas, mas nunca reclamava. Hoje, ver ela passando por isso e não pode fazer mais nada faz com que eu me sinta inválida, desprotegida, mesmo pagando os meus impostos com luz, água e tudo”, contou ela que chegou a fazer uma rifa para conseguir realizar os exames de sua mãe.

Além de todo o problema, a família sofre com gastos financeiros e contam com amigos para conseguir arcar com passagens e remédios.

A mãe de Camila só teve seu nome adicionado à fila para um hospital com câncer no dia 04/05, mesmo com ela tendo procurado outros hospitais com o diagnóstico de câncer antes, mas o quadro de sua mãe vem piorando. “Ela está morrendo por falta desse atendimento, ela está hoje no corredor de um hospital com infecção urinária grave e risco de trombose, e não consegue a transferência. No início, minha mãe entrou na fila como atendimento amarelo, sendo mais leve, hoje ela está na fila com urgência, com atendimento vermelho e, mesmo assim, ainda não fomos chamadas para sua transferência para um local especializado, que é tudo o que quero”, afirmou Camila.

Procurada, a Secretaria de Saúde do Estado ainda não se posicionou sobre o caso.



Fonte: O São Gonçalo