Com doações, ex-moradora de rua Ana Paula curte domingo na praia com as filhas: ‘Alívio’

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RIO — Mesmo quando vivia a dura realidade das ruas, Ana Paula Gama, de 46 anos, reservava os fins de semana para curtir as areias da praia de Copacabana, ou a grama do Aterro do Flamengo, com as filhas pequenas, Thainá e Gabriela, de 6 e 8 anos. Ontem, fizeram o mesmo. E com sorrisões largos estampados nos rostos, sentindo uma tranquilidade que há muito tempo não viam.

— Eu levava as meninas para brincar longe das ruas para que elas tivessem um alívio daquele sufoco todo. Rolavam na grama, davam risada, é uma delícia. Hoje, foi a ida mais tranquila à praia, com certeza. Sinto um alívio só de pensar que minhas filhas chegarão em casa e vão ter o que comer. Só eu sei o que já passamos — diz Ana Paula, com a voz embargada de choro.

De longe, a carioca via as meninas se divertindo chutando as ondinhas da beira do mar.

Foto: ANTONIO SCORZA / Agência O Globo

— Vinha muito aqui, ganhava peixe quando não tinha o que comer. Tem gente ali que me conhece desde menina — relembra a matriarca, que no momento da entrevista já estava alimentada com uma carne ao molho madeira feita no capricho por ela.

E a emoção que estava segurando vem à tona ao agradecer, mais uma vez, pela reportagem de EXTRA e O GLOBO contando sua história, que a permitiu receber doações de várias partes do Brasil. Infelizmente, ainda existem centenas de outras Ana Paula pelas ruas.

— Passei há pouco por uma família morando na calçada. Disse a eles: “Estava na situação de vocês. Tenham fé, um dia, tudo vai mudar”.

Na casa em que mora, no Morro do Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul, estão surgindo as primeiras mudanças. Renan, um dos filhos de Ana Paula, que é pedreiro, está tocando as obras com os materiais doados. Começou pelo banheiro, que está pronto.

Foto: ANTONIO SCORZA / Agência O Globo

— Trocaram as tubulações e está tudo lindo. Estão para chegar as portas e as janelas. Fico aliviada para dormir. Antes, entravam muitos ratos. Já teve um que passou em cima de mim e da minha filha grávida. Até joguei fora os colchoes velhos, não tinha como aproveitar a cama. Me foram prometidas outras doações. Também estou ganhando em dinheiro. E espero conseguir comprar o que mais precisar.

As transformações também serão físicas. Uma clínica odontológica vai cuidar da saúde bucal de toda a família.

— Terça-feira vou arrancar um dente que está inchado. E quinta começo o tratamento para mudar meu sorriso (risos).

A nova fase trouxe novos sonhos para Ana Paula.

— Quero trabalhar, dar mais qualidade de vida para minhas filhas e investir nos estudos delas. Tudo já está melhorando. Não falta mais comida, não tenho do que reclamar.

Até o time de futebol do coração estava lhe dando alegrias.

— Flamengo foi campeão e terça-feira tem mais jogo — diverte-se Ana Paula, que vestia a camisa do octacampeão brasileiro, e se despediu para fazer um macarrão com carne moída no jantar.





Fonte:
G1

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