A prisão de Marcus Amim nesta quinta-feira (15) fez subir para cinco o número de ex-chefes da Polícia Civil do Rio de Janeiro detidos por suspeitas criminais desde 2008. A medida foi executada durante a 8ª fase da Operação Unha e Carne.
Na mesma ofensiva deflagrada pela Polícia Federal, também foi preso o deputado estadual Márcio Canella, apontado como o segundo mais votado do estado.
Além de Marcus Amim, a lista de ex-chefes da Polícia Civil do Rio de Janeiro presos por suspeitas criminais desde 2008 inclui Rivaldo Barbosa, Ricardo Hallak, Álvaro Lins e Allan Turnowski. Os casos envolvem acusações e condenações por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução à Justiça.
Quais ex-chefes também acabaram condenados?
Entre as antigas lideranças da corporação que receberam penas judiciais estão Rivaldo Barbosa e Ricardo Hallak. Barbosa foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 18 anos de prisão pelos crimes de obstrução à Justiça e corrupção, além de sofrer a perda do cargo público.
No caso de Ricardo Hallak, a condenação foi de 5 anos e nove meses de prisão por corrupção passiva. A PF monitorou ligações telefônicas da quadrilha por um ano e captou gravações em que Hallak combinava retaliações a uma delegacia que se recusava a participar da arrecadação de propina.
Em 2020, o Superior Tribunal de Justiça manteve a decisão depois que a ministra Laurita Vaz negou um pedido de habeas corpus da defesa para atenuar a pena.
O que ocorreu nos casos de Turnowski e Álvaro Lins?


Detido em 2008, o então deputado estadual Álvaro Lins, que chefiou a polícia no governo Anthony Garotinho, foi alvo por suspeitas de lavagem de dinheiro, quadrilha armada, facilitação ao contrabando e corrupção passiva. O Ministério Público Federal apontou que o grupo se estruturou dentro do próprio órgão policial para praticar os crimes.
Lins chegou a receber condenação de 28 anos de reclusão por chefiar o esquema, mas deixou a prisão em 2009. Já em 2024, após passar 15 anos demitido por conta do processo criminal, ele conseguiu reintegração à Polícia Civil.
Allan Turnowski foi preso após deixar a chefia da corporação para disputar uma vaga de deputado federal pelo PL. Os investigadores apontaram que ele recebia valores do jogo do bicho e participava de um plano para assassinar o bicheiro Rogério Andrade.
Menos de um mês depois, o ministro Nunes Marques, do STF, autorizou a soltura de Turnowski com aplicação de medidas cautelares, entre elas o veto de entrada em delegacias. O ministro anulou as decisões da primeira instância e enviou o caso para o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foro responsável pelo julgamento de autoridades com prerrogativa de função.
Por que Marcus Amim virou alvo da PF?
A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (15), o deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) e o delegado Marcus Amim, ex-chefe da Secretaria Estadual de Polícia Civil.
As prisões ocorreram durante a Operação Unha e Carne 8, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo investigado movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões em seis anos, com suspeita de participação de agentes políticos.
As ordens de prisão foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A operação representa um novo desdobramento da investigação, iniciada em julho.





