Chuvas formam ‘língua negra’ na Praia do Leme, na Zona Sul do Rio

A forte chuva da tarde desta segunda-feira causou a formação de uma “língua negra” na Praia do Leme, na Zona Sul do Rio. Um vídeo publicado nas redes sociais mostra o momento em que a água extravasa pela areia no momento da chuva. Segundo a concessionária Águas do Rio, não há registros desse tipo de deságue desde junho do ano passado, quando línguas se formaram na altura da Rua Santa Clara, em Copacabana, e em Ipanema.

A empresa alega, ainda, que, na concepção atual do sistema de drenagem e esgotos sanitários da Zona Sul, a ocorrência das “línguas negras” é prevista em situações de chuvas excepcionais. Nesse caso, a Águas do Rio se colocou como responsável pela diminuição e menor impacto para os canais e praias da cidade.

Em maio de 2022, o GLOBO noticiou a formação de uma “língua negra” provocada pelo extravasamento de águas pluviais de uma elevatória da Águas do Rio, que atingiu as areias da praia de Copacabana devido à chuva.

Na época, o biólogo Mario Moscatelli sugeriu duas medidas que podem ajudar a resolver o problema: o levantamento de quais são as fontes poluidoras a partir de ligações clandestinas, e a neutralização dessas emissões, e a “viabilização de uma galeria que suporte a carga de águas poluídas pela lavagem das ruas e encaminhá-las para o interceptor oceânico”.

— Seria basicamente um interceptor que evitaria que a água das chuvas, contaminadas pela sujeira das ruas e potenciais conexões clandestinas de esgoto, chegassem na praia. Ou seja, não haveria mais chegada de águas pluviais na praia — explicou.

Na manhã desta terça-feira, uma escavadeira da prefeitura fazia a limpeza do local
Na manhã desta terça-feira, uma escavadeira da prefeitura fazia a limpeza do local Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Na manhã desta terça-feira, uma escavadeira da Comlurb fazia a limpeza do local. A Águas do Rio explica que a limpeza inédita do Interceptor Oceânico, que já retirou 1.700 toneladas de sedimentos tem ocasionado diminuição de casos parecidos.

A concessionária diz atuar em conjunto com Inea e a Fundação Rio Águas no combate a lançamentos irregulares de esgoto sanitário na rede de drenagem, também como maneira de minimizar as ocorrências.

Somente na Zona Sul da capital carioca, a Águas do Rio diz que já coibiu o deságue de 13 piscinas olímpicas de esgoto nos rios, córregos, mangues, canais e praias. Além disso, a empresa também afirma que contribui na limpeza e desassoreamento das galerias pluviais e já retirou mais de 70 toneladas.



Fonte: Portal G1