capa do jornal Extra ganha repercussão internacional

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Após a reportagem do EXTRA sobre o garimpo de restos de ossos e carnes rejeitados por supermercados por moradores do Rio ganhar a atenção de internautas, artistas e políticos brasileiros, a capa da última quarta-feira, dia 29 de setembro, teve repercussão internacional. O jornal britânico The Guardian estampou em seu site uma matéria que relaciona a crise da fome aos protestos ocorridos nesse sábado (02), em todo o país, contra o presidente Jair Bolsonaro.

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Com destaque para os cliques do fotojornalista premiado Domingos Peixoto, o britânico classifica as imagens como “de partir o coração”. A fim de contextualizar a situação para quem vive no exterior, ainda traz dados: estima-se que 19 milhões de pessoas passaram fome desde o início da pandemia.

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Mesmo depois de cerca de 30 anos documentando o conflito das drogas e as mazelas sociais no Rio de Janeiro, Peixoto confessou ao jornal ter ficado chocado ao ver seres-humanos vasculhando carcaças animais, em busca de algo para comer.

“Faz dois dias que não durmo, tentando processar tudo. As pessoas estão tendo que cozinhar com lenha — e não apenas os sem-teto. Temos que encontrar maneiras de contar essas histórias para tentar ajudar de alguma forma”, disse o fotógrafo.

Para não passar fome, cariocas recorrem a restos de carnes e ossos, descartados por supermercados
Para não passar fome, cariocas recorrem a restos de carnes e ossos, descartados por supermercados Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

O repórter Rafael Nascimento de Souza também foi entrevistado e lembrou um depoimento de uma entrevistada quando questionou o consumo dos restos: “Meu jovem, ou comemos isso ou morremos de fome”, disse ela.

Na mesma matéria, The Guardian destaca que milhares de manifestantes marcharam pelas ruas do Rio para denunciar a calamidade social, culpando Bolsonaro pelo problema e pela alta inflação. Ainda afirma que o presidente brasileiro vem sendo mundialmente criticado pela maneira com que vem conduzindo a batalha contra o coronavírus — com demora em providenciar as vacinas e com a defesa de remédios sem eficácia como solução alternativa.





Fonte: G1