Berço da Bossa Nova no Rio, Casa Villarino anuncia o fechamento após 67 anos

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Um dos berços da Bossa Nova no Rio de Janeiro encerrou suas atividades. A Casa Villarino Bar, localizada na Rua Calógeras, no Centro do Rio, anunciou o fechamento do estabelecimento na noite de segunda-feira, dia 16, em meio à pandemia do coronavírus. Aberta em 1953, o local foi onde o jovem Tom Jobim foi apresentado a Vinicius de Moraes há 64 anos. Sentados em uma das mesas, que preservada até hoje pela adminstração, eles criaram a peça “Orfeu da Conceição”.

“É com grande pesar que informamos aos nossos queridos clientes e amigos a suspensão das nossas atividades no dia 16/11/2020. Nos sentimos muito honrados e orgulhosos por termos feito parte da bela história da Casa Villarino, um dos berços da Bossa Nova e ponto de encontro de intelectuais e artistas. Agradecemos a todos aqueles que nos prestigiaram com sua presença desde 1953. Continuamos com o e-mail para contato csvillarino@gmail.com e as redes sociais”, disse a postagem do restaurante.

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Das seis casas Villarino no Centro, só sobrou a matriz, com nove empregados. O local era administrado por Stella Imai. Em entrevista ao GLOBO, em setembro de 2019, ela disse que era preciso muita criatividade para tocar o negócio:

— Há o pessoal das quentinhas a R$ 10, que não tem nossos encargos nem fiscalização. A Vale e outras empresas saíram daqui. Fomos perdendo clientes. A queda chegou a 50%. Ofereço pipoca, amendoim, chocolate e caldinho nos happy hours. Já tenho 97 pratos com nomes de clientes, e coloco um por dia no cardápio. O dono do prato ou o aniversariante que leva cinco pessoas não paga. Participo de eventos, e, toda última sexta do mês, tem uma festa temática.

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A Casa Villarino Bar, no Centro do Rio, encerrou as atividades em meio à pandemia da Covid-19
A Casa Villarino Bar, no Centro do Rio, encerrou as atividades em meio à pandemia da Covid-19 Foto: Brenno Carvalho / O Globo – 22.07.2019

Quando foi criada, a Casa Villarino funcionava como uma uisqueria e só abria a partir das 18h. O local de ponto de encontro de grandes artistas da nossa música e da época do rádio, como Ary Barroso e Elizete Cardoso. Políticos, artistas plásticos e personagens da boemia carioca eram frequentadores assíduos do bar.

O Berço da Bossa ainda mantinha a parte estrutural original da década de 1950, como o piso, fotos e registros autografados por todos os artistas, políticos e grandes nomes que ali estiveram.

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Fonte: G1

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