Benny Briolly, primeira vereadora trans de Niterói, precisou sair do país após ser alvo de ameaças

0
18


A vereadora Benny Briolly (PSOL), primeira parlamentar trans eleita em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, anunciou nesta quinta-feira, dia 13, que precisou sair do país para se proteger devido a “ameaças a sua integridade física”. Serão aproximadamente 15 dias que ela permanecerá afastada da Câmara Municipal de forma presencial. A vereadora segue acompanhando as sessões plenárias, que já ocorrem de forma virtual por causa da pandemia.

Daniel Vieira Nunes, presidente do partido na cidade, mostrou-se indignado com a situação.

— A política de ódio não vencerá e o Estado precisa garantir a integridade da vida e da atuação parlamentar de uma vereadora eleita — afirmou.

Em um comunicado postado em suas redes sociais, a equipe da parlamentar ressaltou que mesmo antes de ser empossada, em dezembro, ela já havia sido alvo de ataques preconceituosos. A assessoria de imprensa de Benny confirmou a informação de que ela já deixou o Brasil.

“Não é de hoje que parlamentares negras, travestis, mulheres, LGBTQIA + e defensoras dos direitos humanos sofrem com a violência política dentro e fora dos espaços legislativos e de tomadas de decisões”, destaca a nota. “Essa prática é fruto da estrutura patriarcal e racista que desumaniza nossos corpos e teme o avanço do nosso projeto político de transformação da sociedade”.

Já fazem cinco meses que a vereadora vem enfrentando diversas ameaças e ofensas, tanto no campo virtual como físico. Uma das mais graves envolveu um e-mail citando o endereço da vereadora enquanto exigia sua renúncia do cargo e a ameaçava de morte caso não o fizesse.

“Além disso, Benny recebeu comentários em suas redes sociais desejando que ‘a metralhadora do Ronnie Lessa’ a atingisse”, acrescenta a postagem. “Paralelo a isso, uma série de incidentes de segurança tem nos deixado cada vez mais alerta. As instituições que atuam na proteção de defensoras de direitos humanos e têm acompanhado esses acontecimentos estão cada vez mais preocupadas com o aumento do risco. Nossa Mandata já comunicou, informou e oficiou várias instâncias do Estado brasileiro sobre a grave situação. Mas até o momento não foram tomadas medidas efetivas que protejam sua vida e seus direitos políticos”.

O PSOL considerou como “medida drástica” a saída temporária de Benny do país.

“O que é absurdo e incompatível com o Estado democrático”, afirmou. “Benny segue acompanhando as sessões plenárias da Câmara Municipal de Niterói, que por conta da Pandemia estão sendo virtuais”.

“Toda a equipe da Mandata de Favela segue firme trabalhando com muitas ações legislativas e a frente da Comissão de Direitos Humanos, da Criança e do Adolescente que a vereadora preside. Porém é inegável que o afastamento cercea seus direitos políticos e prejudica
profundamente o exercício do cargo para qual Benny foi eleita: vereadora de Niterói. Não aceitaremos! Seguimos cobrando providências, para que tão logo ela possa retornar”.

Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL, acredita que a perseguição à vereadora é uma expressão da situação de degradação da democracia brasileira.

— As violências que levaram a Benny sair do país para proteger sua vida são as mesmas que colocam o país na vergonhosa posição de ser o que que mais mata pessoas trans no mundo — declara Juliano.

Segundo dados do relatório anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra), em 2020 ocorreram 175 assassinatos de pessoas transexuais, sendo em sua maioria mulheres negras e pobres.

Em 2020, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL), que também se encontra em estado de grave ameaça, precisou mudar de estado para que sua vida estivesse assegurada. Em solidariedade à vereadora Benny Briolly, ela disse que “é inadmissível que uma vereadora não consiga exercer seu mandato devido à violência política e ameaças”.

— Benny é nossa companheira e seu mandato é essencial para a cidade de Niterói. Não podemos aceitar o que está acontecendo. Toda nossa força e solidariedade!





Fonte: G1