Atleta de 14 anos vende doces a R$ 1 no Rio para competir em mundial de jiu-jítsu: ‘Sonho ser campeão’

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“Ajude um atleta a ser campeão mundial por apenas R$ 1”. Com essa frase escrita em uma plaquinha, pendurada no pescoço junto com seis medalhas, e uma caixa de papelão com docinhos sortidos. Éa assim que Fellype Leonardo da Silva Gomes, de 14 anos, sai diariamente de casa, de segunda a sábado, em Del Castilho, na Zona Norte do Rio, para vender brigadeiros, beijinhos, cajuzinhos e outros sabores para arrecadar dinheiro e realizar um dos sonhos: disputar um mundial de jiu-jítsu.

O garoto, que começou a praticar o esporte há três anos, precisa juntar R$ 1.500 até o fim de novembro de 2020 para bancar a inscrição, as passagens de avião, hospedagem e alimentação dele e sua mãe, Keila Gomes, de 32 anos, para um torneio infantojuvenil de jiu-jítsu que vai acontecer em São Lourenço, no interior de Minas Gerais, entre os dias 11 e 13 de dezembro.

A ideia de vender algo e arrecadar dinheiro veio do professor de Fellype, que sugeriu que ele comercializasse água na rua junto com uma plaquinha para explicar a situação. No entanto, o adolescente resolveu utilizar os docinhos, que já vende com a mãe há dois meses, para pedir ajuda e alcançar o seu sonho. Já no primeiro dia de vendas, na terça-feira, dia 29, Fellype saiu com uma caixa com 50 docinhos e vendeu todos a R$ 1. Mas ele ganhou uma ajuda extra de R$ 40.

— Eu comecei a vender os docinhos com a plaquinha ontem (dia 29), e já consegui R$ 90. Vendi todos e ainda ganhei a ajuda extra. Eu vendo os doces no horário de almoço, porque treino quatro vezes na semana, três vezes por dia. Como a escola está parada por causa da quarentena, porque não estou tendo aula online, eu tenho treinado mais para competição. Espero conseguir todo o dinheiro e poder realizar esse sonho, porque o meu sonho é ser campeão mundial de jiu-jítsu — diz ao EXTRA.

As vendas são feitas na porta do NorteShopping, do Nova América ou na área conhecida como guarda. Fellype ostenta com orgulho as três medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze que já conseguiu nas sete competições que já disputou. Ele as leva para o trabalho diário, mas em sua página no Instagram ostenta com felicidade suas conquistas.

— Fui apresentado ao jiu-jítsu aos 12 anos, por um amigo, em um projeto social aqui mesmo em Del Castilho. Eu adorei e não parei mais de treinar. Já são três anos no esporte e já participei de sete torneios. Quero muito ir para o Mundial. Sonho em ser uma atleta e me inspiro muito no Rafael Mendes (hexacampeão mundial de jiu-jítsu) — afirma o garoto, que sai sempre de máscara de proteção e luvas.

Fellype Gomes, de 14 anos, com as medalhas. os docinhos e a plaquinha explicando seu sonho
Fellype Gomes, de 14 anos, com as medalhas. os docinhos e a plaquinha explicando seu sonho Foto: Arquivo Pessoal

Mãe nunca o viu competir

Além de realizar o sonho de participar de um torneio Mundial, Fellype ainda pode dar uma alegria para mãe. Keila Gomes nunca teve a oportunidade de ver o filho mais velho em ação. Por causa das despesas, a família sempre conseguiu o suficiente para bancar as incrições do adolescente e despesas de transporte que ele necessitava. Agora, pode ser a chance de ela ver o garoto mostrando sua habilidade no esporte, apesar de sempre ter tido medo de vê-lo se machucando.

— Vai ser um sonho realizado se isso acontecer. O Fellype é um medido dedicado, esforçado e que corre atrás daquilo que ele quer. Ele almeja ser um campeão no esporte e a gente apoia ele. No começo, eu ficava muito preocupada porque ele se machuca muito, mas fui acostumando e entendendo. Eu até brinco que ele vai ficar conhecido no hospital de ossos de tanto que ele se machuca (risos) — brinca a mãe.

Auxiliar de serviços gerais, Keila, que ainda tem uma filha de 11 e outra de 4 anos, está desempregada por causa da pandemia de Covid-19. O marido ainda está empregado, mas por morarem e aluguel e numa família com cinco pessoas, ela resolveu vender os doces com a ajuda de Fellype. Diariamente, ela percorre da Suburbana, em frente a uma catedral, até o bairro de Pilares para oferecer doçura às pessoas.

— Fiquei desempregada e resolvi vender os doces há dois meses. Meu filho tem me ajudado, nos dividimos para vender. Agora, ele está focado em conseguir o dinheiro para poder competir. Vamos muito no horário de almoço como estratégia, né, todo mundo quer um docinho depois de comer (risos). Ofereço em pensões, lojas, as pessoas na rua… e assim vamos juntando algo — diz.

Se você quiser ajudar Fellype Gomes a realizar seu sonhos, basta entrar em contato pelos telefones (21) 975758822 e 99060.6883. Também podem enviar mensagens pelo Instagram do menino (VEJA AQUI).





Fonte: G1

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