Arcebispo do Rio apela a fiéis para colaborar mais com campanhas contra a fome durante celebração de missa da Páscoa

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Durante a Missa da Páscoa realizada nesse domingo na Catedral do Rio, no Centro, o arcebispo Dom Orani Tempesta, demonstrou preocupação com o aumento da fome durante a pandemia. Ele destacou o trabalho social que Igreja Católica realiza junto a suas paróquias no sentido de garantir comida para os mais necessitados e fez um apelo aos fiéis para que colaborassem mais com as campanhas de combate a fome. Após a celebração, a Arquidiocese fez a distribuição de cerca de 500 quentinhas para moradores de rua.

— Iniciamos uma campanha (de doação de alimentos) e incentivamos a todos que na sua própria paróquia o faça. Todas têm esse trabalho social. A Igreja Católica tem esse trabalho que incrementou bastante desde o ano passado. Mas, vemos que por mais que nós façamos tem aumentado muito os necessitados. Por isso continuamos trabalhando nessa solidariedade e nessa fraternidade. Os que quiserem podem trazer (suas doações) aqui na Catedral que ela encaminha para diversas comunidades e grupos sociais que atendem tantas pessoas que estão em suas casas e passam necessidades pelo desemprego, como também aqueles que estão nas ruas e que não têm o que comer — pediu o religioso.

Muitas pessoas se aglomeraram em fila sem distanciamento para receber o alimento
Muitas pessoas se aglomeraram em fila sem distanciamento para receber o alimento Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Ao contrário do que fazia antes da pandemia, a Arquidiocese trocou o tradicional almoço para moradores em situação de rua realizado nas próprias dependências da Catedral, pela distruição das quentinhas por vários pontos do Centro do Rio, como Praça Tiradentes, Praça da Cruz Vermelha e Avenida Presidente Vargas. O objetivo era evitar aglomeração.

Mas, mesmo assim uma longa fila se formou na entrada da Catedral, sendo que nem todos estavam obedecendo o distanciamento. A distribuição foi feita logo depois da missa, que respeitou os protocolos de segurança, como limitação de público a 30% da capacidade, aferição de temperatura na entrada, higienização das mãos com álcool, exigência do uso de máscaras e distanciamento social.

O cardápio composto por churrasco misto, acompanhado de arroz, feijão, farofa e salada de maionese seria a única refeição do dia para muitas das pessoas que aguardavam a distribuição, depois da celebração. Esse é o caso de Mário Bento, de 48 anos, que está nas ruas há um ano. Antes do corpo, ele fez questão de alimentar a alma, acompanhando a missa celebrada por Dom Orani.

— Para a gente que está na rua essa é a única refeição do dia de hoje. Me sinto agradecido por garantir essa alimentação, ainda mais no dia de hoje e após essa missa para celebrar a Páscoa — disse.

Leandro Pereira, de 40, que vive nas ruas desde a infãncia, mas ainda sonha com um teto para chamar de seu, também fez questão de rezar antes de receber o alimento.

— A gente vem não só por causa da refeição, mas também pelo apoio espiritual, para se fortalecer da fé e apropveitar essa benção que é esse almoço — afirmou.

A situação de Mauri Barcelos, de 52 anos, é um pouco diferente. Há quatro meses ele vive abrigado numa instituição, após uma temporada na rua. Mas nem sempre foi assim. Ex-sargento temporário do Exército, também trabalhou na Aeronáutica e em carro forte, quando conseguiu juntar os R$ 128 mil que pagou por um apartamento na Muzema.

Vindo de São Paulo, viu o sonho de vida melhor no Rio desmoronar há dois anos. Ele era proprietário de um dos dois prédios do Condomínio Figueiras, que desabaram matando 24 pessoas e deixando dezenas de desabrigados.

— Essa refeição é o único alimento que eu tenho no momento. Cheguei de São Paulo com um sonho. Dei R$ 128 mil num apartamento na Muzema e perdi minha família. De lá para cá vieram outras dificuldades e me encontro desempregado e só volto a trabalhar no dia 13. Vai fazer dois anos que aconteceu aquilo e até agora ninguém resolveu nossa situação. Nem aluguel social temos. Era sargento temporário no Exército, fiquei nove anos e sete meses na como paraquedista e trabalhei em carro forte. Juntei dinheiro para comprar aquele imóvel e hoje me encontro nessa situação — reclamou o ex-morador da Muzema.

O cônego Cláudio Santos, pároco da Catedral contou que mesmo durante a pandemia, manteve a distribuição de cerca de 700 cafés da manhã para a população de rua, distribuídos aos domingos no estacionamento do templo e respeitando as regras de distanciamento. Ele disse que o número não sofreu aumento em relação ao período anterior à pandemia, assim como o de refeições servidas nesse domingo, porque também cresceu proporcionalmente o número de grupos que fazem esse tipo de ação social pela cidade.

—Fazemos um trabalho articulado com outras instituições. E, quando cada um faz a sua parte, a gente consegue chegar a um número maior de necessitados — disse.

Quentinhas foram preparadas em buffet na Freguesia
Quentinhas foram preparadas em buffet na Freguesia Foto: Divulgação

Buffet que perdeu clientes na pandemia preparou quentinhas

As quentinhas foram preparadas num buffett na Freguesia, em Jacarepaguá, que pertence a um empresário que vivia de festas e eventos, mas viu seu negócio naufragar durante a pandemia. Jorge Justino de Oliveira, de 42 anos, que hoje vive apenas dos recursos oriundos de um restaurante na Taquara, do qual é sócio, resolveu aproveitar a estrutura do local para fazer caridade.Para isso, ele conta com uma equipe voluntários que prepara uma média de 300 quentinhas por semana para distribuição nas ruas. Os mantimentos vêm de doações.

— O buffet não está tendo encomendas, então a gente faz comida para distribuir aos nossos irmãos de rua, com a ajuda de doações, inclusive da Catedral. Tenho duas kombis, uma cozinha industrial enorme de um salão grande — afirmou o empresário, que contou que neste domingo foram distribuídas juntos com as quentinhas ovos de páscoa e roupas, também fruto de doação..

O Domingo de Páscoa também foi celebrado com missa no Santuário Cristo Redentor, às 11h, pelo Padre Omar, sem público e apenas com transmissão pela internet. Um QR Code exposto na tela durante a transmissão, recolheu doações para a campanha social “Cristo Redentor, Eu Quero Doar”, que levava ao site de ajuda às pessoas em situação de vulnerabilidade social. Ao final, o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, fez a tradicional Benção da Páscoa.

A campanha já distribuiu desde o começo da pandemia 400 toneladas de alimentos e itens de higiene pessoal, proteção facial e limpeza distribuídas a milhares de famílias em situação de vulnerabilidade e instituições sociais. Também já foram entregues mais de 2 milhões de pães produzidos em parceria com a Associação Tarde com Maria. No total, são cerca de 200 comunidades carentes atendidas. A meta para este ano é chegar a 500 toneladas de doações.





Fonte: G1

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