Após morte de adolescente em assalto, colegas fazem protesto por mais policiamento em São João de Meriti

Luiz Guilherme Assis de Vasconcelos tinha 16 anos, sonhava em ser professor de educação física e estava animado com a possibilidade de um estágio na escola. Na manhã de quarta-feira (16), a caminho do Ciep 179 Professor Cláudio Gama, em São João de Meriti, ele foi esfaqueado ao tentar proteger uma colega de um assalto e não sobreviveu.

Segundo a Polícia Civil, o suspeito abordou a estudante que acompanhava Luiz Guilherme. O adolescente interveio para defendê-la e foi atingido por vários golpes de faca. Ferido, Luiz Guilherme foi levado para o Hospital Municipal de São João de Meriti, onde deu entrada às 7h21, foi estabilizado e passou por drenagem torácica. Em seguida, foi transferido para o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, onde morreu.

Horas depois do crime, Fabrício Mateus da Silva, de 26 anos, foi preso em ação conjunta da 64ª DP e do 21º BPM, após análise de imagens de segurança e denúncias à polícia. Ele tinha três anotações criminais, incluindo por roubo, e havia saído da prisão há pouco mais de três meses.

Colegas pedem mais segurança na região

Após morte de adolescente em assalto, colegas fazem protesto por mais policiamento em São João de Meriti
Foto: Reprodução/TV Globo

Na escola, colegas lamentaram a perda. “Ele era uma pessoa muito gentil, muito engraçada, fazia amizade com todo mundo”, disse a estudante Maria Luísa. Outra colega, Laísa Vilela, resumiu o que todos sentiam: “Ele perdeu a sua vida como herói.” Os estudantes aproveitaram o momento para cobrar mais policiamento. “Eles não ligam para a gente. Daqui a um ano, a gente vai ver gente morrendo ainda?”, questionou Kamilly Bebiano.

A avó de Luiz, Cirlei Aparecida, disse que precisou ser medicada no hospital para se manter de pé. “A sensação é de que a impunidade é muito grande”, afirmou, pedindo que a morte do neto sirva para evitar novas tragédias com outros alunos.

Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre velório e enterro.

Última mensagem antes de morrer

Foto: Reprodução/Super Rádio Tupi

O pai, Caio Vasconcelos, revelou que o filho mandou mensagem logo antes de sair de casa. “Ele me mandou mensagem dizendo que estava indo pra escola e falou: ‘Pai, se cuida’. Eu disse: ‘Filho, te amo, se cuida também’. Foi a última coisa que consegui falar”, contou. Caio descreveu o filho como estudioso e dedicado: “Nunca me deu trabalho. Estava totalmente animado com essa escola por causa da possibilidade de estágio.”

Ele disse que o filho tentou proteger a colega e deu a chance de ela escapar. “Aconteceu a fatalidade, ele ainda conseguiu ir para a escola para poder pedir socorro. Isso mostra mais uma vez o quanto ele era forte. Mesmo perdendo muito sangue, mas eu só tenho orgulho dele”, disse.

“Vão ficar as lembranças dele como filho, as lembranças dele como amigo e agora a lembrança dele como herói, porque para mim ele fez o que ele fez foi um ato de herói”, finalizou.

Tupi.FM