Após festas e aglomerações no carnaval, especialista prevê alta de casos no Rio

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Não teve serpentina, bloco nem bateria, mas as aglomerações correram soltas em bares, casas de festa e ruas neste carnaval. Apesar da força-tarefa montada pela Prefeitura do Rio com apoio da PM, jovens se reuniram sem máscara nem distanciamento social em pontos já tradicionais de desrespeito aos protocolos sanitários. De sexta-feira até a madrugada de ontem, a indiferença à pandemia se repetiu em vários pontos da cidade. Nos últimos três dias, o município aplicou 54 infrações e interditou 27 estabelecimentos.

A chegada da nova cepa do coronavírus ao Rio, somada ao desrespeito registrado às normas sanitárias, representa, para a especialista em saúde pública Lígia Bahia, um “risco redobrado”:

— É pedra cantada. Vai aumentar o número de casos, e consequentemente também os quadros graves. As multidões que vimos durante o carnaval são extremamente perigosas. Diante do cenário geral, vimos pouquíssima repressão.

Cenas flagradas pela TV Globo no Morro do Vidigal retrataram a indiferença das pessoas em relação à Covid-19, que teve na terça-feira o maior número de casos em 24h no estado. As imagens na favela da Zona Sul mostraram duas festas que ainda estavam lotadas ontem de manhã.

Grupo de pessoas fechou a Rua Men de Sá, na Lapa, sendo depois disperado por agentes
Grupo de pessoas fechou a Rua Men de Sá, na Lapa, sendo depois disperado por agentes Foto: Alexandre Cassiano / Extra / 14.02.2021

O secretário de Ordem Pública, Brenno Carnevalle, chegou a dizer que a prefeitura tinha dificuldades para impedir festas em áreas de risco. Mas, à tarde, com apoio da PM, a prefeitura interditou o Hotel e Bar Mirante do Arvrão e o Restaurante Alto Vidigal. A Polícia Civil vai pedir à Justiça o bloqueio dos bens dos sócios dos estabelecimentos.

— O principal desafio é as pessoas entenderem a gravidade da situação do ponto de vista de saúde pública. Em alguns momentos, durante as fiscalizações, registramos uma hostilidade muito grande contra os agentes, garrafa de vidro sendo lançada, pessoas presas por desacato. Isso dificulta muito o nosso trabalho, porque dispersar uma multidão que está fazendo uso de bebida alcoólica, em um contexto como esse, não é algo trivial — diz Carnevalle.

Avenida Olegário Maciel, na Barra da Tijuca, lotou na noite de segunda-feira de novo
Avenida Olegário Maciel, na Barra da Tijuca, lotou na noite de segunda-feira de novo Foto: Luiza Moraes / Extra / 16.02.2021

O EXTRA voltou na noite de segunda-feira à Avenida Olegário Maciel, na Barra, onde centenas de pessoas passaram a noite em frente a bares, algumas dançando ao lado de caixas de som portáteis. Quase ninguém usava máscara ou respeitava o isolamento. O cenário era parecido na Rua Dias Ferreira, no Leblon. O desrespeito se estendeu para as areias de Ipanema, onde a Guarda Municipal interrompeu uma festa na altura da Rua Farme de Amoedo. Na Praça São Salvador, em Laranjeiras, frequentadores se reuniram com instrumentos e, até as 2h, fizeram barulho e rivalizaram com outro grupo que usava uma caixa de som.

Na Rua Dias Ferreira, Leblon, aglomeração em máscara
Na Rua Dias Ferreira, Leblon, aglomeração em máscara Foto: Brenno Carvalho / Extra / 14.02.2021

Na Ilha de Guaratiba, na Zona Oeste, uma festa marcada pela internet, que acontecia numa casa na Estrada da Ilha, foi interditada por agentes municipais com o apoio de PMs, que apreenderam aparelhos de som, bebidas e dispersaram o público. A operação da Seop na noite de segunda também acabou com o evento “Segunda Certa” que acontecia no espaço “7,8. Dançando” na Avenida Dom Hélder Câmara, na Abolição, e outro evento foi suspenso no Engenho de Dentro.

Recorde de casos

O estado do Rio registrou 8.385 novos casos de Covid-19 em 24h, segundo balanço divulgado ontem pela Secretaria estadual de Saúde. Foi o maior número desde o início da pandemia. O recorde anterior era de 31 de dezembro, quando foram registradas 6.275 novos pacientes. A média móvel de casos por dia ontem era de 3.261, subindo 12%, o que, para os especialistas, indica estabilidade.

Também ontem foram registradas 118 mortes provocadas pela doença. A média móvel de óbitos está em 120, 11% menor do que duas semanas atrás. Ao todo, o estado soma 31.630 casos e 563.926 casos desde o início da pandemia.

Em Búzios, aumento previsto

O número recorde ocorre num momento em que o estado assiste a desrespeito a regras sanitárias. A Defensoria Pública em Búzios informou que as ações fiscalizadoras não têm dado conta de todos os pontos de aglomeração. Para a defensora da Coordenadoria de Saúde e Tutela Coletiva da Região dos Lagos Raphaela Jahra, a atuação policial em Búzios é insuficiente para conter as festas.

— A polícia está fiscalizando, mas não está conseguindo inibir as festas clandestinas. Assim, a expectativa é que, em 15 dias, haja um aumento exponencial do número de casos.





Fonte: G1

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