Aplicativo para passageiros de axé é lançado no RJ: ‘viagem sem discriminação’

Um novo aplicativo de transportes de passageiros está disponível no Rio de Janeiro: é o Axé Driver. A empresa nasceu de um projeto do Centro de Tradições Afro-Brasileiras (Cetrab), com o objetivo de dar maior proteção aos passageiros que seguem religiões de matriz africana e precisam seguir as tradições, deslocando-se pelas ruas com vestimentas tradicionais, além de itens para trabalhos, nem sempre bem-recebidos por motoristas.

— Já há algum tempo, a gente vem tendo notícias de intolerância e desrespeito aos povos tradicionais de terreiro. Vários são os tipos de intolerância. Muitas das vezes, o carro chega próximo, percebe que é alguém trajando roupa tradicional e passa direto, ou se recusa a desligar o rádio quando está tocando gospel, ou então, começa a fazer seu proselitismo — queixa-se Marcelo Monteiro, sócio da Axé Driver e sacerdote de terreiro.

— Os valores estão abaixo dos dois maiores concorrentes. Colocamos preços acessíveis; quanto à taxa do motorista, ele só nos reembolsa 15% da corrida: é um valor abaixo de todas as grandes empresas. Lembrando que não é exclusividade para o povo de axé, qualquer um pode usar o aplicativo porque o importante é o respeito — explica.

— Os valores estão abaixo dos dois maiores concorrentes. Colocamos preços acessíveis e, a taxa do motorista, ele só nos reembolsa 15% da corrida: é um valor abaixo de todas as grandes empresas. Lembrando que não é exclusividade para o povo de axé, qualquer um pode usar o aplicativo, porque o importante é o respeito — explica.

Para se cadastrarem, os motoristas precisam baixar o aplicativo. A Axé Driver garante que fará contato, além de conferir os antecedentes criminais do colaborador e enviar um termo para que o motorista se comprometa com a qualidade no tratamento dos clientes.

O aplicativo funciona em três categorias: carro, moto e utilitário.

Aplicativo Axé Driver oferece três categorias: carro, moto e utilitário
Aplicativo Axé Driver oferece três categorias: carro, moto e utilitário Foto: Reprodução

— Agora a meta é desmembrar o utilitário em transporte de passageiros e de carga porque nós temos a necessidade de alugar dois ou três carros para ir a uma festividade, cachoeira ou praia. Além disso, a ideia é que a gente tenha também o carro para transporte de oferendas. No dia 2 (Dia de Iemanjá), por exemplo, muita gente precisou de condução para levar o seu balaio até a praia — observa Marcelo, que também explica que a categoria para cargas será útil para quem for ao Mercadão de Madureira, por exemplo, e precisar transportar “coisas grandes”, como bichos e esteiras.

O Rio de Janeiro recebe o projeto-piloto do aplicativo, em sete cidades, antes que o projeto seja implantado em outros estados. Além da capital, Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias, São João de Meriti, Nilópolis e Mesquita têm o Axé Driver à disposição, segundo a empresa. Nesses primeiros 15 dias de serviço, ao todo, 24 motoristas se cadastraram, assim como 204 passageiros.

A Secretaria municipal de Transportes do Rio (SMTR) informa que a atividade de transportes de aplicativo não é regulamentada na cidade e que há projetos de lei aguardando votação na Câmara dos Vereadores, para que a atividade seja regulamentada. Confira a nota:

“A prefeitura publicou um decreto no início de 2021 que normatizava a prestação de serviço individual remunerado de passageiros por plataformas de aplicativo. Contudo, o decreto foi derrubado na Justiça e já foi revogado. A Prefeitura encaminhou à Câmara dos Vereadores dois projetos de lei para regulamentar a atividade. Os PLs aguardam votação”.



Fonte: Portal G1