Apesar de firmarem compromisso, governador e prefeito não resolvem causa de alagamento na Baixada

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No último mês de março, em meio a compromissos na Baixada Fluminense, o governador do Rio, Claudio Castro visitou a dona de casa Sheila Firmino, que mora em Belford Roxo, bem no limite de município com Nova Iguaçu, onde mantém um pequeno comércio. Na época, ela reclamou de problemas como asfaltamento e falou sobre o canal Maxabomba, que corta as duas cidades. Sheila explicou que a cada chuva forte, o canal enchia, alagando as residências do entorno e levando prejuízos a diversas famílias. Acompanhado do prefeito de Belford Roxo, Waguinho, Castro prometeu que os governos municipais iriam atuar para melhorar a situação do canal. O problema não foi resolvido e, após a chuva forte entre domingo e segunda, a região voltou a ser inundada.

Castro e Waguinho fizeram promessas durante visita em março
Castro e Waguinho fizeram promessas durante visita em março

Além da própria Sheila, moradores dos bairros do Engenho Pequeno e Andrade de Araújo afirmam que do lado de Nova Iguaçu foi feita uma dragagem e limpeza no canal, mas que do lado de Belford Roxo, nada foi feito. A reportagem do EXTRA percorreu a Avenida do Canal e encontrou muito lixo, mato e móveis dentro do canal, que bloqueavam parte do fluxo da água, o que acaba provocando os alagamentos.

— Em Nova Iguaçu, ainda vieram umas máquinas, dragaram, tiraram o lixo, mas em Belford Roxo,nada. Aí caiu outra chuva forte e alagou tudo de novo. A gente fica desesperançosa, porque nem com visita de governantes muda — disse Sheila.

Moradora da Avenida do Canal, no lado de Belford Roxo, a cuidadora de idosos Thayanne Almeida reclamou que a região continua sofrendo com alagamentos e que o lixo dentro e no entorno do canal só faz aumentar:

— Isso aí é sempre. Alagou hoje, e vai continuar alagando nas próximas. Tem muito lixo, muito mato, isso faz a água subir e invadir as casas. A gente aqui se vira como pode, faz barricada, tenta aterrar os quintais para as casas ficarem mais altas. Esperar que alguma autoridade faça algo é perda de tempo.

A Prefeitura de Nova Iguaçu informou que, após a visita de Castro, equipes da Secretaria Municipal de Serviços Públicos estiveram no local e efetuam a limpeza do Canal Maxambomba e também serviços de tapa buraco e iluminação. Já a Prefeitura de Belford Roxo informou que uma equipe da Secretaria de Conservação irá ao local esta semana para avaliar a situação do canal.

Queixas em Caxias

Em Duque de Caxias, moradores do bairro 25 de agosto passaram a madrugada com marretas e picaretas na mão para não terem as casas submersas. Na Rua Garibaldi, a água ficou retida pelo muro da Vila Olímpica municipal e chegou a mais de um metro de altura. Foi quando moradores pegaram nas ferramentas e quebraram parte do muro, fazendo a água represada escoar. Mesmo assim, muitos tiveram as casas invadidas e perderam móveis e eletrodomésticos. De acordo com moradores, o muro foi construído pelo governo municipal há nove meses. Na época, moradores teriam alertado do risco de represamento da água devido à falta de espaço para escoamento, mas a obra seguiu sem alterações, ocasionando os transtornos com a primeira chuva forte na região após a intervenção. A comerciante Tayssa Barcelos perdeu móveis e eletrodomésticos:

— Vim morar aqui há quatro meses e montei a casa com muito esforço. Perdi quase tudo. Tive de faltar o trabalho para contar os prejuízos, meu medo é perder o emprego.

Também moradora da Rua Garibaldi, a aposentada Marleide Correia não teve tempo de salvar os móveis pois teve de cuidar dos dois netos pequenos para que não se afogassem dentro de casa.

Marleide ficou com a casa tomada por água após chuva
Marleide ficou com a casa tomada por água após chuva

— Quando acordei, a água já estava no joelho do meu neto — contou.

A Prefeitura de Caxias informou que a construção do muro foi uma exigência da Marinha do Brasil, dona do terreno. Durante a construção, foi deixado um espaço para o escoamento, mas a abertura foi insuficiente por causa do grande volume de água acumulada no temporal.





Fonte: G1