Antigo campus da Gama Filho vai virar o Parque Piedade, com áreas de lazer e centro cultural e esportivo


O abandono do antigo campus da Universidade Gama Filho, em Piedade, que há cerca de oito anos irradia decadência à vizinhança, está com os dias contados. As sombras do que já foi um dos símbolos da Zona Norte do Rio vão ser transformadas no Parque Piedade, com quase 17,7 mil metros quadrados de áreas de lazer e um centro cultural, esportivo e educacional em parceria com a Fecomércio RJ. O projeto do município foi revelado depois de, no último dia 16, o prefeito Eduardo Paes ter publicado em Diário Oficial um decreto que declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, 35 endereços da universidade. E pretende ser a alavanca para uma reviravolta de todo o entorno.

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— É uma oportunidade de resgate do bairro da Piedade, após um processo de degradação muito grande com o fechamento da Gama Filho, que movimentava o comércio e, inclusive, a vida noturna. A ideia é que o projeto ajude a reativar a economia, seja um espaço de convivência para os moradores e que tenha um lado educacional, que é uma vocação do local — afirma Diego Vaz, subprefeito da Zona Norte.

Antigo campus da Gama Filho vai virar o Parque Piedade, com áreas de lazer e centro cultural e esportivo
Parque Piedade, a ser construído no lugar do antigo campus da Gama Filho, terá áreas verde e espaços destinados a esportes Foto: Divulgação

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Será uma espécie de “irmão” de outro parque — o de Madureira — que já provocou mudanças de ares no subúrbio carioca. Só que com um conceito atualizado, conta o subprefeito. Os croquis iniciais incluem uma esplanada para eventos, um mirante, hortas comunitárias, anfiteatro, quadra de esportes, praça de skate e espaços com brinquedos de “alta qualidade”, além de uma área comercial para restaurantes e lojas. Passarelas devem ligar o parque à estação de trem e ao trecho do bairro localizado do outro lado da linha férrea. E no edifício onde funcionava a biblioteca da universidade, que hoje se vê depredado por quem passa pela Rua Manoel Vitorino, funcionará um centro de tecnologia.

— Não se trata apenas de substituir os prédios. O desafio era: será que conseguimos trazer de volta a centralidade urbana que havia ali antes de a universidade fechar? A primeira ideia foi do modelo das unidades Sesc, como o Sesc Madureira, no Rio, ou o Pompeia, em São Paulo. Procuramos a Fecomércio, que rapidamente aderiu aos planos. Faremos uma área de lazer com espaços livres e verdes. A federação entra com algumas funções educacionais e as atividades artísticas, culturais e esportivas — diz o secretário municipal de Planejamento Urbano, Washington Fajardo, lembrando que a Gama Filho, no passado, havia sido responsável pela formação de muitos atletas profissionais.

Quase 17,7 mil metros quadrados vão ser transformados em áreas de lazer e num centro cultural, esportivo e educacional
Quase 17,7 mil metros quadrados vão ser transformados em áreas de lazer e num centro cultural, esportivo e educacional Foto: Divulgação

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O projeto conceitual do parque foi todo elaborado pelos arquitetos e urbanistas da pasta, e Fajardo afirma que uma licitação já foi lançada para contratar a empresa que fará o projeto para a execução das obras, o que ajudará a definir valores e prazos para que o novo respiro verde da Zona Norte fique pronto. A Fecomércio, por sua vez, informa que já desenvolve o projeto para as construções que serão destinadas à federação. Assim que “estiver finalizado, ele ficará à disposição da prefeitura do Rio, aguardando o momento em que a instituição tiver autorização para dar início ao projeto”, diz em nota.

— A população pode ficar segura de que em breve terá uma área reformulada e revitalizada — ressalta o subprefeito Diego Vaz.

Ele lembra que na região já há três empreendimentos imobiliários em andamento, cada qual de uma construtora diferente. Ao todo, são 1.700 novas unidades habitacionais. O parque, afirma o Vaz, também servirá a esses novos moradores. E ele espera que atraia novos investidores à região, em consonância com os planos do município de estímulo a uma renovação da Zona Norte, sobretudo, na direção dos ramais de trem que cortam a região.

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Essa também é a expectativa de Fajardo. Ele lembra que uma das bases da revisão do plano diretor do Rio, em debate na Câmara, é o estímulo ao adensamento de áreas próximas aos corredores de transporte de alta capacidade. Assim como é discutida a substituição, por exemplo, de velhas fábricas por moradias, como ocorre com a União, em Piedade, que está sendo transformada em condomínio.

— Isso significa um aumento populacional e, por outro lado, uma reorganização das atividades econômicas. Como se consegue, então, junto aos corredores de transporte, ofertar um adensamento, ao mesmo tempo que essa centralidade possa também ganhar mais sofisticação? Não é apenas substituir comércio (ou antigas áreas industriais) por apartamento, porque, se não, reforça a característica de dormitório, que é perigoso — diz Fajardo, afirmando que o Parque Piedade pode ser um modelo para resolver essa equação.

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Um movimento inicial nesse sentido ocorreu em abril do ano passado, quando Paes assinou um primeiro decreto para desapropriar o imóvel da Gama Filho. Já foi, na época, um alento a moradores e credores, que esperavam uma definição desde a falência do grupo, em 2014.

O campus tem 57.300 metros quadrados de área construída e capacidade para 40 mil estudantes. Mas, quando fechou, havia cerca de 9 mil alunos, muitos que até hoje não conseguiram ter o diploma, porque a universidade foi descredenciada pelo MEC, antes de ser decretada a falência do Grupo Galileo, responsável, na época, pela Gama Filho e UniverCidade.





Fonte: G1