Amigo de ciclista que morreu na Niemeyer lamenta demora para sepultamento; ‘Estamos no escuro’

Iago Matthos, de 29 anos, era amigo do gerente de restaurante Márcio Freire há mais de 15 anos, amizade que se desenvolveu após trabalharem juntos. Desde ontem, após receber a notícia de que o amigo havia sido atropelado por uma van e arremessado entre o vão da ciclovia Tim Maia e a Avenida Niemeyer, prontificou-se a acompanhar o socorro. Esteve presente desde a chegada de Márcio ao hospital Miguel Couto, no Leblon, até o momento em que a família se desesperou ao saber a morte. Na manhã desta quinta-feira, o bartender desabafou que o corpo ainda não foi liberado para o sepultamento. Seundo ele, a demora causa angústia nele e em todos os parentes.

— Nós queremos enterrá-lo. Estamos em luto e sofrendo muito, mas ninguém dar um retorno para gente. Até agora o hospital não ligou. Estamos no escuro sem saber quando vamos poder fazer o sepultamento do Márcio. É muito triste isso. Está tudo muito confuso. A gente espera que eles entrem em contato logo. Não entendo por que demora tanto — lamentou Iago.

Foto: Foto: Divulgação

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio informou que o corpo de Márcio Freitas foi liberado na manhã desta quinta-feira para ser encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). No entanto, a SMS esclareceu que quem é responsável por fazer a retirada é a Defesa Civil do Estado.

Iago relatou que ele, o filho mais velho e o irmão do ciclista ficaram esperando informações sobre o atestado de óbito de Márcio até ontem à noite na porta do Hospital Miguel Couto. Mas foram orientados a ir para casa e esperar pela ligação do hospital. O restaurante que Márcio trabalhava como gerente avisou a família que só pode providenciar o sepultamento quando receber o atestado de óbito e que até o momento ainda não teve informações da unidade hospitalar.

— Assim que saímos do Miguel Couto, fomos direto para casa dele (Márcio) retirar os pertences e as roupas. Ele morava numa espécie de hostel, então não deu trabalho. Foi muito triste. A ficha de que ele morreu ainda não caiu. Estamos, aos poucos, tentando aceitar que ele se foi. Mas sem fazer o sepultamento, fica difícil. Cada hora de espera só aumenta a nossa dor — declarou Iago.

A delegada da 15° DP (Gávea), Bianca Lima, que é responsável pela investigação do caso, informou que uma testemunha será ouvida na tarde desta quinta-feira. Além disso, ela disse que apura se houve crime de homicídio culposo no trânsito que causou a morte caso da morte do ciclista.

Em depoimento à Polícia, o motorista alegou que a bicicleta de Márcio teria vindo em sua direção, desgovernada, e que teria tentado desviar. Segundo a delegada, foi feita perícia no automóvel e imagens de câmeras do local foram recolhidas. No entanto, ele deverá ser ouvido novamente até a conclusão do caso.



Fonte: Portal G1