Amante da natureza e dos animais, Mateus Viana criava tilápias

0
342

Mateus Correia Viana, que foi encontrado morto no box do banheiro de um apartamento no Leblon, era formado em Direito e estudava para concurso de Delegado. Enquanto o sonho da carreira policial não se concretizava, ele trabalhava na fazenda da família, a Fazenda Correia, no interior do estado, onde criava tilápia e produzia alimentos orgânicos. Nascido e criado na Tijuca, na Zona Norte do Rio, o jovem se mudou para a Zona Sul há cerca de três anos. Ele completou 30 anos no último dia 11.

As publicações em seu perfil no Instagram mostram que Mateus teve uma vida social ativa: era músico e estava sempre rodeado de amigos. Também era amante dos animais e da natureza. Em uma foto na qual aparece junto a um tanque-rede de tilápia, ele escreveu: “Orgulho do que me tornei. Grato pelo que tenho. Grato pelo que terei”.

Nas redes sociais, Mateus se apresenta como empreendedor e oferece encomendas de tilápia: “Sou um pequeno produtor em uma fazenda de orgânicos no interior do Rio de Janeiro. Vendo filé de tilápia congelado e embalado a vácuo, ovos orgânicos, queijo, mel e algumas verduras”, descreve ele.

Na Fazenda Correia, onde trabalhava, ele também gostava de montar a cavalo. Em uma foto feita em julho de 2019, ele aparece empinando um cavalo. Nos comentários, amigos brincam chamando-o de Zorro e Beto Carrero. Em outra imagem, de 2018, Mateus fica de cabeça para baixo em cima do animal, plantando bananeira com a cabeça apoiada na cela.

O jovem também aparece abraçado com cachorros. Em uma foto, junto a um boxer, ele escreveu: “Tudo pra mim”.

Nos tempos vagos, Mateus exibia seu dom para a música. Em vídeos publicados nas redes sociais ele canta e toca violão. Em sua última publicação no feed do Instagram, feita no dia 3 de maio, ele aparece cantando a música “Samurai”, do Djavan, e escreve na legenda: “Music is everything” (música é tudo).

O jovem era aventureiro: gostava de andar de moto, praticava wakesurf e snowboard. Em vídeo publicado em abril do ano passado, ele aparece saltando em um lago do alto de uma ribanceira de cerca de cinco metros de altura. Os amigos brincam, nos comentários, sobre seu desempenho atlético: “Tokyo 2021”.

Em uma foto publicada no ano passado, já em meio à pandemia, ele contou sentir falta de grandes eventos. “Que saudade daquela aglomeração”, comentou ele, publicando uma foto antiga de uma festa. Em outros posts, há imagens dele abraçado a amigos no carnaval e no revéillon.

Os corpos do casal Mateus Correia Viana e de Nathalia Guzzardi Marques, ambos de 30 anos, chegaram ao Instituto Médico Legal (IML) do Centro do Rio, pouco antes das 6h desta quarta-feira. Durante a manhã, peritos do IML farão as perícias nos corpos para identificar o que motivou as mortes. Investigadores, neste primeiro momento, acreditam que eles possam ter sido vítimas de um vazamento de gás, pois o aquecedor de água fica dentro do cômodo.

Criação de tilápia

Em 2015, Mateus começou um projeto de criação de tilápia, descrito por ele como um dos peixes mais nutritivos e de carne “magra” do mundo. A piscicultura se tornou um negócio em 2017, quando ele anunciou nas redes sociais o início oficial do empreendimento.

“No inicio o intuito era produzir meu próprio alimento extremamente saudável, pois não é segredo pra ninguém que eu sou adepto há anos de um estilo de vida voltado para os esportes e a saúde, e poderia assim comer uma carne completamente limpa, tendo a certeza de sua quantidade de nutrientes e o não uso de ‘venenos’. Após começar a produzir para meu consumo e vender os peixes inteiros excedentes para algumas peixarias locais, eu evolui minha produção para que pudesse produzir em maior quantidade e passei a fazer os filés e embala-los a vácuo para uma melhor conservação e durabilidade, chegando assim a ter a condição de atender diretamente o consumidor final”, explicou ele.

Após começar a vender para amigos que tinham o mesmo estilo de alimentação saudável, ele decidiu aumentar a escala do negócio. Nos anúncios do protudo, prometia no melhor preço do mercado e a maior qualidade possível.

Fonte: G1