Três acusados pela morte de universitária em Campos, RJ, são condenados à prisão; quarto réu ainda será julgado | Norte Fluminense

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O julgamento começou na manhã desta segunda-feira (12) e durou cerca de 20 horas. A sentença foi lida pelo juiz por volta das 5h48 da manhã desta terça (13).

Ana Paula Ramos foi baleada em uma praça de Campos em 2017 — Foto: Reprodução

Ao todo, 14 depoimentos foram colhidos, sendo 10 testemunhas e os quatro réus. A madrugada foi marcada pelas argumentações dos promotores do Ministério Público, do assistente de acusação e das defesas dos acusados. A votação do júri só teve início às 4h20.

Luana Sales, que era cunhada da vítima, foi condenada a 24 anos de reclusão. Wermison Carlos Sigmaringa Ribeiro e Igor Magalhães de Souza, apontados como executores, foram condenados a 13 anos em regime fechado.

O quarto réu, Marcelo Henrique, que teria feito o contato entre a mandante e os executores, será julgado separadamente, por um novo corpo de júri.

“Nós da acusação estávamos muito tranquilos em relação ao acervo probatório trazido pela delegacia de guarus. Fizemos nossa sustentação com base em apontamentos probatórios com páginas, laudos e outros documentos essenciais que corroboravam as nossas afirmações. Diante disso, acabou ensejando o resultado. Foi mantida a íntegra, o homicídio. Foram mantidas as duas qualificadoras e, portanto, deu esse resultado”, disse o advogado assistente de acusação Márcio Marques.

Ainda segundo Marques, houve a atenuação na pena dos dois acusados de executar o crime porque eles colaboraram com a Justiça e, por isso, as sentenças dos dois foram menores do que a sentença de Luana.

As defesas não quiseram gravar entrevista, mas o advogado assistente de acusação informou que os defensores já entraram com recurso.

O pai da universitária acompanhou todo o julgamento e saiu do Fórum com a sensação de dever cumprido.

“Mesmo que fossem 50, 100 anos ou perpétua não me traria alegria nenhuma. Como não me trouxe. [Tenho] apenas a sensação do meu dever cumprido porque eu prometi pra minha filha que, nem que me custasse a vida, eu iria até o final. Essa é a maneira do povo de Deus clamar por Justiça. Nós não clamamos com violência no mesmo patamar deles, não. A Justiça foi feita”, disse Paulo Roberto Ramos.

Durante o interrogatório, Igor Magalhães e Wermison Ribeiro, os dois com 23 anos, mudaram as suas versões. Os dois disseram em depoimentos anteriores que Marcelo participou da organização do crime e sabia que a intenção era matar Ana Paula. Mas, no julgamento, os dois disseram que Marcelo só fez o contato entre os dois e Luana, sem saber do homicídio.

Marcelo sustentou as versões dos outros réus e disse que não sabia da intenção de matar a vítima, o que também vai contra o que ele mesmo tinha dito nos depoimentos anteriores. Marcelo também negou ter encontrado com os outros três acusados um dia antes do crime – outra mudança com relação às outras vezes em que foi ouvido.

Já Luana, negou qualquer participação no crime e se recusou a responder as perguntas apresentadas pelo Ministério Público e pelo assistente de acusação. Após o interrogatório, ela pediu que a Justiça faça jus à palavra.

Os advogados responsáveis pelas defesas dos acusados não quiseram dar entrevista.

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Ana Paula Ramos, de 25 anos, foi baleada no dia 19 de agosto de 2017 em uma praça no Parque Barão do Rio Branco, em Guarus. O caso chegou a ser tratado como um assalto, mas as investigações da Polícia Civil apontaram para um crime passional, devido a um desentendimento entre a cunhada e a universitária.

A vítima estava acompanhada da cunhada, suspeita de ser mandante do crime, no momento em que foi abordada pelos dois atiradores.

A universitária estava de casamento marcado e, no dia do crime, a cunhada, que seria madrinha na cerimônia, havia combinado de ir ver o vestido de noiva junto com Ana Paula. De acordo com as investigações da Polícia Civil na época, o grupo se reuniu no dia anterior e no local do crime para combinar os detalhes.



Fonte: G1