‘Poderia ter atirado, mas não é certo tirar a vida de ninguém’, diz advogada que desarmou cliente mesmo baleada | Norte Fluminense

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on whatsapp


Ela levou três dos quatro tiros disparados por Diego Dorado, de 21 anos, mas, mesmo baleada, conseguiu desarmá-lo. Ele foi preso e preferiu ficar em silêncio durante o depoimento, segundo a polícia.

Em vídeo postado no Instagram nesta quinta-feira (27), Nayara conta que está com uma bala alojada no peito e no braço. E que um dos pulmões e as duas mãos também foram atingidos. Ela mostra um dos dedos polegares, que teve medo de ser amputado.

“Apontou a arma pra mim, e, na mesma hora, eu tentei segurar a arma. Ele deu um tiro no meu dedo, que teve que reconstruir. Agradeço ao hospital Unimed, porque como chegou o estado do meu dedo aqui era pra amputação. Chorei muito para que não amputasse, e eles conseguiram reformar o meu dedo”, disse a advogada.

Vídeo mostra advogada entrando em luta corporal com ex-cliente armado em Campos

Nayara conta ainda que ao conseguir tirar a arma do homem, não quis atirar nele.

“Eu consegui tirar, no final, a arma da mão dele, e joguei. Eu poderia ter atirado nele, mas eu não quis, porque não é certo tirar a vida de ninguém”.

De acordo com a polícia, a advogada cuidava de várias causas do cliente agressor, dentre elas o inventário do pai dele. E, segundo as investigações, a motivação do crime seria o não pagamento dos honorários da advogada estabelecidos no contrato.

No vídeo, Nayara explica que ao chegar no escritório, o homem disse: ”vim revogar a procuração”, e apontou a arma.

“Ele tá me devendo em torno de R$ 160 mil. Em dezembro do ano passado ele tentou revogar minha procuração na tentativa de não me pagar. Eu entrei no processo e pedi pro juiz para destacar meus honorários quando saísse o formal de partilha. Depois disso, ele sumiu. Simplesmente sumiu”.

Segundo a polícia, o homem foi autuado por tentativa de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Na delegacia, ele não quis prestar depoimento.

No vídeo postado nas redes sociais, Nayara, que tem um filho de um ano e uma filha de 6 anos, ainda agradeceu o apoio que colegas de profissão deram ao seu marido e também a ajuda que teve ao ser socorrida por uma de suas clientes e por um estudante de medicina, que a levou de carro para o hospital, depois de ter o socorro negado por taxistas do local.

“Eu lembro que ele falou que era estudante de medicina, que ele não era da cidade de Campos. Então eu consegui que ele me trouxesse para a Unimed, eu quero agradecer a ele, porque eu não sei o nome dele. Cheguei no hospital e estou sendo muito bem atendida. O médico falou que não corro risco de vida”, relatou Nayara em outro trecho do vídeo.



Fonte: G1