Família recebe ligação sobre estado de saúde de paciente um dia após enterro; hospital se desculpa e abre sindicância | Norte Fluminense

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Após realizar o sepultamento de João Manoel Barcelos, de 70 anos, vítima da Covid-19, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, a família viveu momentos de incerteza e angústia. Um dia após o enterro, a filha dele, recebeu uma ligação do Hospital Beneficiência Portuguesa sendo informada sobre o estado de saúde de seu pai.

Na conversa ao telefone, que foi gravada, a profissional de saúde deu um nome parecido com o de João Manoel, depois, ao ser indagada pela filha, ela chegou a falar João, mas decidiu checar e ligar novamente. Ao retornar, a funcionária do hospital explicou que se tratou de um equívoco, que o pai dela realmente havia ido a óbito e se desculpou. Mas a dúvida continuou para a família.

Após receber a ligação, parentes de João Manoel percorreram o hospital para verificar se ele estava no local, mas não o encontraram.

“Fomos correndo pro hospital […] chegando lá disseram que a gente não podia entrar e que meu pai realmente tinha falecido. […] Colocamos pressão, não teve mais protocolo, não teve mais risco na verdade colocaram até a gente em risco. Rodamos o hospital todo, fomos em todas as UTIs”, conta Jonellis, filho de Jo.

A família entrou na Justiça pedindo explicações ao hospital. Jonellis Barcelos, um dos filhos, chegou a postar um vídeo sobre o caso das redes socais.

“Eu não tenho a certeza hoje se meu pai tá vivo ou morto. […] O dano emocional que eu e minha família estamos vivendo eu não quero que outras pessoas venham viver”, desabafa Jonellis.

João Manoel estava internado desde o dia 23 de agosto no Hospital Beneficiência Portuguesa, em Campos, por contrair o novo coronavírus. No dia 19 de setembro, a família recebeu a notícia de que ele havia falecido por complicações causadas pela doença. Sem poder reconhecer o corpo do idoso devido aos protocolos específicos para casos de morte que envolvam a Covid-19, familiares fizeram o sepultamento com o caixão lacrado.

“No último dia 19 recebi a notícia do falecimento do meu pai, João Manoel Barcelos. Fizemos todo o sepultamento sem poder ver o corpo dele devido ao protocolo de sepultamento para falecidos de Covid. No dia seguinte, conforme de costume, o telefone de minha irmã recebe uma ligação deste hospital para dar notícias do quadro clínico do senhor João Manoel Barcelos como ainda vivo. Como receber notícias do quadro clínico de alguém que já estava sepultado?”, questiona Jonellis na publicação.

De acordo com uma nota da Prefeitura, o único óbito registrado no dia 19 foi o de João Manoel Barcelos.

Ainda segundo o município, houve um equívoco ao verificar o contato do familiar a quem o hospital deveria ligar para passar o estado de saúde. Isso porque, a informação era em relação a um paciente de nome parecido com o do idoso e, por esse engano, a atualização clínica foi repassada a família de João Manoel.

“O que ocorreu é grave e a equipe médica da Unidade de Terapia Intensiva informa que se desculpou pessoalmente com a família e agora o faz publicamente”, diz trecho da nota.

A Prefeitura afirmou, ainda, que o protocolo seguido no município para liberação de corpo e enterro é o protocolo da Organização Mundial de Saúde “seguido não só em Campos, mas em todo o país”.

Sobre a permissão de entrada dos familiares de João Manoel ao hospital, o governo municipal disse que “a equipe médica somente autorizou a entrada do familiar após paramentação (colocação de EPI – Equipamento de Proteção Individual) apenas devido à grave situação”.

O hospital informou que vai abrir sindicância para apurar o caso.

“A unidade lamenta profundamente o ocorrido e lembra que todos os profissionais que atuam no local são extremamente capacitados e zelosos. Além de possuírem reconhecimento no enfrentamento ao coronavírus”, finalizou.

De acordo com o advogado da família de João Manoel Barcelos, Alex da Mata, o hospital entregou ao oficial de justiça, na tarde desta segunda-feira (28), os prontuários desde o início da internação do idoso, no dia 23 de agosto, além da declaração do médico que atestou o óbito do paciente.

Ainda de acordo com o advogado, os documentos serão apreciados ainda nesta terça-feira (29).

Após enterrar parente, família de Campos recebe informação de que homem estaria vivo

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Fonte: G1

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