Aumento de resultados positivos para Covid-19 acende alerta para segunda onda da doença em Macaé, segundo UFRJ | Região dos Lagos

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O Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da UFRJ (Nupem), em Macaé (RJ), atingiu a marca de 10 mil testes moleculares da Covid-19, através da técnica conhecida como PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) na última semana, e fez um alerta sobre uma segunda onda de casos da doença no município.

O alerta foi feito com base no percentual de testes que tiveram resultado positivo nos últimos meses. De acordo com dados do Instituto, na metade do mês de novembro, 41% dos testes de pacientes sintomáticos tiveram resultados positivos para SARS CoV-2 (novo coronavírus), percentual bem maior do que o registrado no início de setembro, quando apenas 9% dos diagnósticos eram positivos.

Para o professor doutor em Genética e Genômica Funcional pela Universidade de Colonia, na Alemanha, e diretor do Nupem/UFRJ, Rodrigo Nunes da Fonseca, já é possível dizer que Macaé vive uma segunda onda de infecções pelo novo coronavírus.

“Em termos de novas infecções já podemos falar que a segunda onda é uma realidade em Macaé. Já quanto aos óbitos temos de acompanhar as próximas semanas. Pode ser ainda que o vírus esteja menos letal ou que o tratamento tenha avançado e menos pessoas venham a óbito”, explica Rodrigo.

Desde o último sábado (21), o município está na fase amarela, que representa grau de risco moderado para contaminação. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado nesta terça-feira (24), Macaé tem 10.828 casos de Covid-19 confirmados, com 185 óbitos causados pela doença.

Ainda de acordo com o levantamento, a taxa de ocupação de leitos terapia intensiva do SUS é 52%.

Novas linhagens do novo coronavírus

Novo estudo identificou quatro linhagens diferentes do novo coronavírus circulando em Macaé, no RJ — Foto: Divulgação/Nupem-UFRJ

O Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade Nupem-UFRJ sequenciou 96 genomas do novo coronavírus e identificou quatro linhagens diferentes do vírus causador da Covid-19 circulantes em Macaé, entre abril e agosto de 2020. De acordo com o instituto, a descoberta é essencial para aprimorar o protocolo de análise de amostras e a futura abordagem médica na luta contra a pandemia no município.

Inicialmente, a equipe do Nupem/UFRJ acreditava que apenas uma linhagem previamente descrita no Brasil (B.1.1.33) estivesse no município causando a Covid-19.

Uma das hipóteses dos pesquisadores é que as mutações possam alterar a evolução da doença, o índice de infecção e a letalidade.

“Os vírus vão sofrendo mudanças na sequência de DNA e a gente consegue observar isso ao longo do tempo. As vezes, pode ser que surja uma linhagem que mate mais ou que mate menos. É isso que a gente está estudando. A primeira coisa é ver quais estão circulando”, explica Rodrigo Nunes.

A tecnologia de sequenciamento de genomas utilizando nanoporos (Oxford Nanopore) foi desenvolvida e realizada de forma pioneira no Nupem/UFRJ a partir de importantes colaborações com o Instituto de Biologia da UFRJ, liderado por Amilcar Tanuri e Cristiano Lazoski, além do aluno de mestrado Felipe Sciammarella. Pelo Nupem/UFRJ o tecnólogo Bruno Rodrigues, o pós-doutor Lupis Ribeiro, a professora Manuela Leal e o professor Rodrigo Nunes da Fonseca atuaram no estabelecimento da técnica.

Mutirões de testes para detecção do coronavírus vêm sendo realizados em Macaé — Foto: Prefeitura de Macaé/Divulgação

O diagnóstico precoce e em massa da Covid-19 faz parte da estratégia para o controle da pandemia, seguido pelo tratamento, isolamento dos indivíduos infectados e seus contatos.

Em Macaé, as iniciativas para controle, incluindo os testes realizados pelo NUPEM/ UFRJ, tiveram efeitos positivos e a cidade entrou na faixa verde de contaminação da Covid-19 na segunda semana de agosto. No entanto, dados mostram um novo crescimento de casos e uma retomada da cidade para a faixa amarela de risco.

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Fonte: G1

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