A cada 100 imóveis de Campos, RJ, quatro estão com foco de aedes aegypti, aponta levantamento | Norte Fluminense

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A cada 100 residências na cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, quatro estão com focos de aedes aegypti. É o que aponta o Levantamento Rápido de Índice para Aedes Aegypity (LIRAa), com dados coletados em janeiro deste ano.

Os números geram preocupação, já que o índice está em 4,4%, bem próximo ao mais alto risco de proliferação do mosquito, que é de 5%.

Mesmo com este cenário, o Centro de Referência de Doenças Imuno-Infecciosas (CRDI) está fechado. A unidade é responsável pelo atendimento a pacientes com dengue, chikungunya e zika.

O Centro de Referência de Doenças Imuno-Infecciosas (CRDI) em Campos, RJ, está fechado desde o início da pandemia — Foto: Alice Sousa

Subnotificação de casos

Com a suspensão do CRDI, os casos destas doenças estão sendo subnotificados, acredita o ex-diretor do centro, Dr. Luiz José de Souza. Isso porque, o último levantamento de casos de chikungunya em Campos é de março do ano passado, quando o CRDI foi fechado devido a pandemia do novo coronavírus.

Nos primeiros três meses de 2020, o município registrou 900 casos da doença. Mas os altos números do LIRAa registrados no início deste ano geram a suspeita de que a doença pode estar crescendo ainda mais no município.

Localidades com maior número de focos

Ainda de acordo com os dados do LIRAa, os bairros do Turf, Flamboyant e Lapa são os que possuem a maior quantidade de focos de aedes aegypti, mas casos de chikungunya têm sido registrados em diversos pontos do município.

“Estou atendendo muitos pacientes com chikungunya de vários bairros. Uma paciente é do Alphaville. Ela relatou pra mim que tem seis vizinhos com chikungunya, inclusive dois funcionários do CCZ” – alerta o ex-diretor do CRDI.

A confeiteira Maristela Rovetta, mora na rua Múcio da Paixão, no bairro do Alphaville. Começou a sentir muitas dores nas articulações e febre, a suspeita a levou a procurar atendimento no CRDI e encontrou a unidade fechada. Teve que pagar para confirmar o diagnóstico de chikungunya. Mesmo ficando em casa, por conta da pandemia, não se sente segura.

“Nessa época do ano é de muita chuva e as pessoas largam de mão a limpeza dos terrenos, dos quintais…”, observa a confeiteira.

A filha de Maristela, Aline Rovetta, já denunciou à secretaria de Postura os problemas nos terrenos baldios no bairro, mas a situação ainda continua.

“Aqui, por exemplo, atrás da nossa casa, o vizinho ao lado disse que já fez cinco chamadas na (secretaria) de Postura e até hoje ninguém compareceu para limpar o terreno”, conta Aline.

De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Campos nesta sexta (12), a cidade contabiliza 20.445 casos confirmados de Covid-19 e 700 óbitos causados pela doença.

Situação que preocupa ainda mais o ex-diretor do CRDI. “Tem paciente que pode ser portador de chikungunya crônica e adquirir Covid. É um quadro mais grave. Seria coinfecção. A população precisa (da reabertura do CRDI). A necessidade é grande!”, reforça o médico.

Em nota, a Prefeitura informou que está em andamento um estudo para reestruturação da rede própria “e, por ora, ainda não está programada a reabertura do Centro de Referência de Doenças Imuno-infecciosas (CRDI)”.

O município disse, ainda, que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) vem intensificando as ações com o objetivo de baixar o índice e, consequentemente evitar novos casos de dengue, chikungunya e zika vírus na cidade.

Entre as ações já realizadas estão os mutirões nos bairros que apresentaram índice alto e ações integradas com as secretarias de Limpeza Pública e Meio Ambiente, e o bloqueio aeroespacial com carro fumacê nos bairros com índice alto em dois horários: 6h às 10h e 18h às 22h, seguindo os critérios do Ministério da Saúde. O Centro de Controle também mantém a rotina de visita domiciliar e orientação da população de como evitar acúmulo de água parada e a proliferação do mosquito, segundo o município.

“A população deve redobrar os cuidados com a prevenção, reservando 10 minutos do dia para a limpeza do quintal, já que 80% dos focos do mosquito Aedes aegypti são encontrados em residências habitadas”, alertou a Prefeitura.

Sobre denuncias de pontos de água parada em terrenos baldios, a subsecretaria de Postura esclareceu que a limpeza é de responsabilidade do proprietário, mas disse que uma equipe vai ao local após o carnaval para verificar a situação e fazer um levantamento para identificar o proprietário que poderá ser notificado.

A subsecretaria pede que os moradores denunciem por mensagem por aplicativo, pelo número (22) 98168-3645, o descarte de materiais e lixo em locais inadequados.



Fonte: G1

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