Yan Couto precisa renovar os ídolos – 16/10/2023 – Sandro Macedo


Ídolos não precisam ser perfeitos. Talvez nem devam ser. Uma certa humanidade sempre cai bem. Mas há um certo limite para o que um ídolo pode fazer e continuar surfando na onda da idolatria sem levar um caldo.

Em entrevista por esses dias, o jovem lateral direito Yan Couto declarou que seu grande ídolo é Daniel Alves: “Não tem como ser outro, cresci assistindo a ele pela TV, é um ídolo para muita gente, fez uma história linda na seleção, pelos clube que passou (…)”.

Queria dizer ao menino Yan que tem, sim, como o ídolo ser outro. Ou, se ele fosse melhor assessorado, talvez pelo menos tomasse um pouco mais de cuidado ao idolatrar neste momento Daniel, que está aguardando julgamento por acusação de estupro na mesma Espanha em que Yan Couto joga.

Poderia ter dito que Daniel é uma referência técnica em campo. Ponto final. Vale lembrar que Daniel ainda não foi julgado pela Justiça. As últimas notícias que chegam da Espanha, inclusive, dão conta de que o brasileiro trocou de advogado e estaria disposto a fazer um acordo —que pode incluir uma mudança na declaração inicial, de inocência. Enquanto isso, podemos dar outras sugestões para o menino Yan idolatrar.

Que tal Cafu? Marcos Evangelista, o Cafu, não só era lateral como foi o último jogador brasileiro a levantar a Copa, em 2002, poucas semanas após o nascimento de Yan. Tudo bem, no quesito cruzar a bola, Cafu não estava no top 5 da história. Ih, mas agora Cafu está sendo investigado por suposto envolvimento em esquema de pirâmide. Vamos aguardar.

Quer outro lateral que levantou a Copa? Carlos Alberto Torres. Como o menino Yan, Torres adorava subir para apoiar o ataque. Seu gol na final contra a Itália é até hoje um dos mais memoráveis dos Mundiais. Também existe material de Torres disponível online, quase tudo em preto e branco, mas existe.

E temos muitos outros nomes entre Torres e Cafu, como Leandro e Jorginho, dois nomes que fizeram história no Flamengo e serviram muito bem à seleção em Copas.

Quer saber, tem até o Danilo, moço de quem Yan herdou o lugar. Danilo já foi útil a Pep Guardiola —ser útil ao Guardiola é algo que deve ser colocado entre os primeiros predicados no Linkedin de qualquer jogador.

Aos 21 aninhos, e na falta atual de laterais selecionáveis, Yan pode ser o grande legado do professor Fernando Diniz, aquele que foi sem nunca ter sido.

Conhece a rua Pelé, na capital paulista?

Menos de uma semana depois da morte do Rei (1940-2022), a Prefeitura do Rio de Janeiro já estava rebatizando a avenida Radial Oeste para av. Rei Pelé. E a via fica bem pertinho do Maracanã, o que tornou a homenagem especial.

Mas e na capital paulista? Onde fica a rua do rei? Bem, se ela existe, este escriba não encontrou (nem seu parça Google Maps). Curioso, e um pouco triste, não ter logo aqui uma rua batizada com o nome do maior jogador de todos os tempos, que completaria 83 anos na próxima segunda (23).

Um querido amigo, corintiano, até deu a sugestão ideal. Me disse ele uma vez: “Já pensou se rebatizassem a av. Pacaembu como av. Pelé? Terminando em frente à praça Charles Miller [considerado o pai do futebol], onde fica o Museu do Futebol e o estádio do Pacaembu [pelo menos uma parte]?”. Seria perfeito. A via ligaria o rei ao criador.

Pelé marcou 71 gols no Maracanã, onde foi homenageado; mas fez 127 no Pacaembu, onde não foi. O estádio localizado no nobre bairro paulistano só fica atrás da Vila Belmiro entre os que mais viram gols do homem.

Existem outras cidades, inclusive no interior de São Paulo, com ruas homenageando o Rei. Em Três Corações (MG), onde nasceu, tem museu e estátua. Mas São Paulo, capital, está devendo.


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Folha de S.Paulo