‘Venci como ninguém vence’, pode dizer Tite a seu favor – 12/10/2023 – O Mundo É uma Bola


Que critérios devem ser utilizados para avaliar a qualidade de um treinador?

Capacidade de gerenciar um grupo, quantidade de vitórias, eficiência tática, futebol bem jogado e troféus conquistados são alguns fatores a serem postos na balança.

Para quase todo torcedor, o que mais importa é o título. Se o técnico conseguir fazer a equipe erguer a taça, o caminho até a glória, pedregulhoso ou não, com espetáculo ou não, deixa de ser relevante.

Recém-anunciado pelo Flamengo, Tite está de volta à cena futebolística depois de quase um ano, afastado que esteve da profissão desde a queda do Brasil na Copa do Mundo do Qatar.

Pode-se afirmar que ele é um dos grandes treinadores da atualidade, fazendo frente a gente da estirpe de Pep Guardiola (Manchester City), Carlo Ancelotti (Real Madrid, que deve assumir o Brasil em 2024), Didier Deschamps (seleção francesa)?

Levando-se em consideração um aspecto específico, e tendo como universo de análise o atual e/ou mais recente trabalho, Tite é o melhor entre os tidos como melhores.

Por melhores hoje, afora os já mencionados, fazem parte da lista Jürgen Klopp (Liverpool), Diego Simeone (Atlético de Madrid), Thomas Tüchel (Bayern), Lionel Scaloni (seleção argentina), Simone Inzaghi (Inter de Milão), Luciano Spalletti (seleção italiana, ex-Napoli).

Pois Tite supera todos esses, e mais alguns que também ostentam fama, no aproveitamento de vitórias. E, sabendo-se que elas, as vitórias, são essenciais para se atingirem conquistas, trata-se de fator importantíssimo a ser considerado.

Com a seleção brasileira, a qual comandou de 2016 a 2022, o gaúcho Adenor Leonardo Bacchi (nome de batismo de Tite) obteve 74% de vitórias (60 em 81 partidas). Mais que o espanhol Guardiola no Man City (72%), mais que o italiano Ancelotti no Real (69,5%), mais que o francês Deschamps com a França (65%).

Em um ranking com 13 nomes, Tite é o campeão na porcentagem de triunfos.

  • Tite (62 anos, Brasil, 2016-2022): 74,1% (81 jogos, 60 vitórias). Ganhou a Copa América-2019
  • Pep Guardiola (52 anos, Manchester City, desde 2016): 72,3% (426 jogos, 308 vitórias). Ganhou a Champions League-2023
  • Carlo Ancelotti (64 anos, Real Madrid, desde 2021): 69,5% (121 jogos, 89 vitórias). Ganhou a Champions League-2022
  • Thomas Tüchel (50 anos, Chelsea, 2021-2022, e Bayern, desde 2023): 68,3% (123 jogos, 84 vitórias). Ganhou a Champions League-2021
  • Lionel Scaloni (45 anos, Argentina, desde 2018): 68,3% (63 jogos, 43 vitórias). Ganhou a Copa do Mundo-2022
  • Didier Deschamps (54 anos, França, desde 2012): 64,8% (145 jogos, 94 vitórias). Ganhou a Copa do Mundo-2018
  • Luciano Spalletti (64 anos, Napoli, 2021-2023, e Itália, desde 2023): 64,3% (98 jogos, 63 vitórias)
  • Simone Inzaghi (47 anos, Internazionale, desde 2021): 63,9% (119 jogos, 76 vitórias)
  • Xavi (43 anos, Barcelona, desde 2021): 62,4% (101, jogos, 63 vitórias)
  • Jürgen Klopp (56 anos, Liverpool, desde 2015): 60,3% (444 jogos, 268 vitórias). Ganhou a Champions League-2019
  • Diego Simeone (55 anos, Atlético de Madrid, desde 2011: 59,1% (638 jogos, 377 vitórias)
  • Fernando Diniz (49 anos, Fluminense, desde 2022, e Brasil, desde 2023): 57,8% (102 jogos, 59 vitórias)
  • Marcelo Gallardo (47 anos, River Plate, 2014-2022): 53,8% (424 jogos, 228 vitórias). Ganhou a Libertadores (2015 e 2018)

Tite tornou-se figura impopular entre a maioria dos brasileiros porque as quedas nas quartas de final de duas Copas do Mundo arranharam sua imagem –fracasso em Copa, a culpa é quase sempre do treinador.

Porém sua passagem pela seleção brasileira, mesmo com só um título (Copa América-2019) em quatro possíveis (duas Copas América e duas Copas do Mundo), na frieza dos números que computam o aproveitamento de vitórias, foi um sucesso.

A cada quatro partidas, o Brasil de Tite ganhou três.

Repetirá isso no Flamengo? Será um baita desafio, já que o melhor desempenho dele em passagem por um clube, no referente à porcentagem de vitórias, foi com o Corinthians, de 2014 a 2016: 61%.


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Folha de S.Paulo