Tóquio-2020 na pandemia impõe cobertura inédita com disciplina e protocolos rígidos – 16/07/2021 – Esporte

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A cobertura dos Jogos Olímpicos em Tóquio pela Folha começou semanas antes do desembarque da equipe na cidade japonesa, no dia 9 de julho.

O bilhete aéreo e a credencial emitida pelo evento não eram suficientes para se deslocar do Brasil em direção ao Japão.

Diversos protocolos foram exigidos pelos organizadores em razão da pandemia da Covid-19 antes do embarque.

A Folha enviou a Tóquio cinco jornalistas: Camila Mattoso, Alex Sabino, Carlos Petrocilo, Daniel E. de Castro e Leandro Colon.

Assim como os demais veículos de imprensa, o jornal teve de apresentar ao governo do Japão, até um mês antes da partida programada, um plano de cobertura para os primeiros 14 dias em solo japonês com base em uma lista de mais de 100 espaços olímpicos.

As autoridades proíbem que, neste período inicial, os jornalistas usem transporte público, visitem pontos turísticos, restaurantes lojas e, inclusive, tenham contato com residentes em Tóquio.

As refeições devem ser feitas somente nos locais oficiais, incluindo os hotéis. Permite-se solicitar comida pela internet ou comprá-la em lojas de conveniência.

Por causa dessas regras, o time do jornal chegou ao Japão com duas semanas de antecedência justamente para estar teoricamente mais livre a partir do dia 23, quando a Olimpíada será aberta oficialmente.

O plano enviado ao governo japonês também contemplou outra exigência: hospedagem em um hotel oficial dos Jogos.

O principal objetivo das autoridades nesse período de duas semanas é evitar ao máximo o contato dos visitantes de fora com moradores locais. Tóquio está em estado de emergência por causa da pandemia. Os números de casos de Covid passaram de 1.000 nos últimos dias na cidade.

O chamado “plano de atividades” da equipe da Folha foi aprovado somente no dia 4 de julho, cinco dias antes do desembarque programado em Tóquio.

Com isso garantido, começou outra etapa exigida pelas autoridades: os testes negativos de Covid para entrar no país.

São dois: o primeiro a partir de 96 horas antes do embarque do voo e o mais importante, inclusive exigido na imigração, de 72 horas. E um detalhe: o laudo atestando negativo deve ser em japonês e seguir um modelo estabelecido pelo governo.

Os jornalistas da Folha foram vacinados entre maio e junho, em uma ação entre o Comitê Olímpico do Brasil, o COI (Comitê Olímpico Internacional) e o governo brasileiro. O COI prometeu enviar uma dose a mais para cada uma usada para credenciados.

Com os testes negativos em mãos e o plano de atividades aprovado, é hora de seguir para o Japão. Não sem antes passar por mais uma burocracia: baixar um aplicativo exigido pelo governo, chamado Ocha, para que todos os dados sejam inseridos, como o laudo negativo, e apresentados na chegada ao território japonês.

A saga de protocolos continua no aeroporto em Tóquio. O passageiro credenciado para os Jogos não pode descer do avião sem permissão. Deve esperar um membro da organização do evento buscá-lo.

A partir daí, dá-se início a uma série de checagens no aeroporto. A reportagem contou pelo menos 10 pontos de fiscalização. O principal é o teste de Covid via saliva em um tubo plástico.

É preciso esperar o resultado, que pode levar mais de hora, para seguir com os trâmites finais de imigração.

Entrada no Japão permitida, circulação nem tanto. O plano de atividades da Folha aprovado pelo governo japonês obrigou a equipe a passar três dias isolada no hotel, na região de Shinjuku.

Um fiscal, vestido com adereços de Tóquio-2020, ficava no lobby monitorando a saída dos jornalistas, permitida por apenas 15 minutos para alimentação. A cada volta, uma anotação na prancheta.

A fiscalização é de 24 horas. Durante esses três dias, os repórteres são obrigados a fazer testes de Covid por meio de kits distribuídos pela organização do evento.

Passada essa etapa, com os exames negativos confirmados, os repórteres da Folha passaram a cumprir os demais 11 dias do plano pré-estabelecido, que permitem circulação em locais dos Jogos e uso apenas de transporte oficial do evento, como ônibus e táxis.

Os testes de Covid continuam, desta vez com a periodicidade de 4 dias –sempre com saliva. Um outro é exigido ao término dos 14 dias na cidade para que, enfim, o jornalista seja liberado, a partir de então, a ter acesso a espaços públicos, como transporte local.

Durante todo o período de cobertura, há também uma série de regras a se cumprir. As entrevistas com atletas e dirigentes são mais restritas, dividindo jornalistas em grupos pequenos para evitar aglomeração. Há necessidade de ficar a 1,5 metro de distância na hora de fazer as perguntas.

Cada veículo de mídia foi obrigado a apontar um representante da equipe, chamado de CLO (Covid-19 Liaision Officer), para ser a ponte do comitê organizador com a respectiva equipe sobre o controle da pandemia durante o evento.

Coube ao CLO atualizar a medição de temperatura de cada credenciado nos dias que antecederam a viagem ao Japão. Em território japonês, esse dado deve ser inserido pelo próprio jornalista no aplicativo Ocha.

No caso de um teste positivo de Covid em algum integrante, o CLO é informado pelo COI e essa pessoa é isolada imediatamente para uma quarentena. E quem esteve em contato com esse indivíduo por mais de 15 minutos, a menos de um metro de distância e sem usar máscara é considerado com risco potencial de contaminação.



Fonte: Máquina do Esporte