Tênis brasileiro vive melhor momento desde Guga, diz CBT – 02/04/2025 – Esporte


Em 1997, com a vitória de Gustavo Kuerten em Roland Garros, o advogado Alexandre Farias, 52, se valendo do aumento repentino no interesse pelo esporte no país, abriu uma academia voltada à modalidade em Criciúma, a cerca de 190 km de Florianópolis.

A atividade o levaria mais tarde ao cargo de diretor de tênis da Sociedade Recreativa Mampituba, tradicional clube da cidade catarinense, e, posteriormente, à presidência da FCT (Federação Catarinense de Tênis).

Em março, Farias tomou posse junto com a nova diretoria da CBT (Confederação Brasileira de Tênis) para cumprir o mandato entre 2025 e 2029. Ele foi eleito presidente da confederação por aclamação para substituir Rafael Westrupp, que estava no cargo desde 2017.

“Acho que a gente vive um dos melhores momentos do tênis brasileiro depois da era Guga”, afirma o dirigente à Folha, citando a ascensão meteórica de João Fonseca e a presença de Bia Haddad no top 20 nos últimos anos, além dos duplistas Marcelo Melo e Rafael Matos e de jovens promessas como Victoria Barros e Naná Silva.

“O tênis brasileiro está sendo contemplado com um volume muito grande de tenistas, tanto no masculino, quanto no feminino. E está vindo uma geração muito boa”, diz Farias.

Diante da febre gerada pelo fenômeno João Fonseca, o presidente da CBT defende que é preciso ter paciência com o desenvolvimento da carreira do jovem tenista de 18 anos. Ele assinala que altos e baixos são naturais nessa altura.

“A gente sabe que o João é extremamente maduro, focado e não temos dúvida do sucesso dele. Só que a gente tem que saber aceitar também alguns resultados adversos que porventura ele possa colher, principalmente nesse início de jornada.”

Farias diz ainda que pretende se valer do aumento no interesse pela modalidade gerada pelo tenista carioca para disseminar ainda mais a prática no país.

“Cabe a nós saber aproveitar o momento e tentar, de uma forma célere, fomentar ainda mais a modalidade através de inúmeras ações, seja de marketing ou com a realização de eventos, para levar o tênis a todos os rincões do Brasil e tornar o esporte mais conhecido”, diz Farias.

Segundo ele, esse é um trabalho que passa também pelo fortalecimento das federações e dos clubes na formação de novos talentos.

“Um dos nossos objetivos é fomentar as federações, para que elas possam apoiar os clubes e a gente possa ter também nas categorias de base um tênis brasileiro muito forte”, diz o presidente da CBT.

Ele afirma que o processo passa menos pelo direcionamento de verbas —”acho que essa questão de assistencialismo não funciona”— e mais pela capacitação técnica dos profissionais responsáveis pelo desenvolvimento das próximas gerações.

“O importante é dar às federações os mecanismos para elas se firmarem nos seus respectivos estados e darem qualidade ao tênis, ao beach tênis e ao tênis em cadeiras de rodas”, diz Farias.

Como exemplo, ele cita o programa de desenvolvimento iniciado na gestão passada direcionado ao tênis feminino, expandido neste ano também à categoria masculina.

Pelo programa, treinadores participam de encontros virtuais e presenciais, de modo a unificar a linguagem e os padrões de treinamentos, com a participação em torneios juvenis para analisar de perto o desempenho dos brasileiros.

Os atletas juvenis também terão a oportunidade de fazer parte de um programa de acolhimento, onde eles e seus treinadores acompanharão os tenistas profissionais em competições do circuito internacional.

Mentorias aos preparadores físicos e aos pais dos jogadores também fazem parte do programa.

“O grande tenista nasce dentro dos clubes, das academias, dos projetos sociais. Eu, que fui diretor de clube e presidente de federação, tenho a obrigação de dar apoio a essas instituições”, diz Farias.

O novo presidente da CBT diz que também pretende intensificar o relacionamento com as federações a partir de agora. Ele assinala que, pelo fato de ocupar cargos na Cosat (Confederação Sul-Americana de Tênis) e na ITF (Federação Internacional de Tênis), Westrupp tinha uma agenda atribulada que pode ter dificultado um estreitamento maior das relações.

“Eu quero estar mais próximo ainda, é minha obrigação, até porque eu não tenho três funções como ele tinha. Tenho só a CBT, então para mim fica muito mais fácil estar próximo das federações, ter esse contato quase diário ou semanal.”



Folha de S.Paulo