Sete vezes olímpicos: os brasileiros recordistas em participações – 20/07/2021 – Katia Rubio

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O número 7 é característico do culto a Apolo, a quem eram celebrados os Jogos Píticos na Antiguidade. Esse numeral simboliza a totalidade do espaço e do tempo. Significa a totalidade do universo em movimento e corresponde à perfeição.

Uma Olimpíada representa um período de quatro anos que separa uma edição dos Jogos Olímpicos de outra. Pelo conhecimento das tradições, o número 4, que representa a materialidade, somado ao 3, a imensidão do céu, resulta no 7.

São sete os valores olímpicos: excelência, amizade, coragem, determinação, respeito, inspiração e igualdade.

Mas as contas não acabam aqui. Se multiplicarmos 4, o número de uma Olimpíada, por 7, chegaremos a nada menos que 28 anos! Ou seja, a idade de um adulto. Em alguns casos, a idade de alguns atletas que até já pararam de competir.

Isso mesmo. Você, leitora ou leitor atento, que acompanha essa coluna por gostar de Jogos Olímpicos, deve estar se perguntando por que tanta matemática. É para apresentar quatro ilustres atletas olímpicos que em Tóquio competirão sua sétima edição olímpica. Gigantes como Formiga, do futebol, Jaqueline Mourão, do mountain bike, Rodrigo Pessoa, do hipismo, e Robert Scheidt, da vela.

Participar de sete edições olímpicas seria por si só um feito sem igual, ainda mais porque três deles são medalhistas com ouros, prata e bronze.

Jaqueline Mourão faz parte desse grupo exclusivo por ter a versatilidade de competir em Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno. Pioneira no mountain bike, competiu em Atenas e Pequim e depois migrou para o esqui biatlo e o cross-country, indo a Turim, Vancouver, Sochi e PyeongChang. A participação em Tóquio não descarta a possibilidade de se classificar também para os Jogos Olímpicos de inverno que acontecerão em Pequim, no próximo ano.

Miraildes Maciel Mota, a Formiga, que começou a defender a seleção brasileira com 17 anos, entrará para a história como a única atleta de modalidades coletivas a ter esse número de participações. Além de duas medalhas olímpicas de prata (Atenas e Pequim) e mais ainda em outras competições, Formiga é sinônimo de luta por espaço, determinação e longevidade. Venceu não apenas dentro de campo, mas nas muitas linhas que definem o espaço de vida de uma atleta.

Robert Scheidt é também um atleta marcado pela precocidade. Aos 9 anos começou a velejar em um barco presenteado pelo pai. Depois disso, o limite foi o próprio infinito. Ganhou cinco medalhas olímpicas em sete edições de Jogos. Dois ouros, duas pratas e um bronze, além de um quarto lugar. Obrigado a mudar de classe em função da organização olímpica, que retirou do programa o seu barco, Robert teve a capacidade de se adaptar e se manter entre os melhores do mundo.

Rodrigo Pessoa honra a tradição no hipismo iniciada por seu pai, Nelson Pessoa. Participou pela primeira vez dos Jogos Olímpicos em Barcelona, em 1992. Conquistou duas medalhas de bronze por equipes, em Atlanta e Sydney, e se tornou campeão individual em Atenas. Depois de ficar de fora no Rio, em 2016, voltará aos Jogos em Tóquio, carregando a experiência de um campeão mundial.

Atletas olímpicos desafiam Cronos, senhor do tempo cronológico e pai de Zeus, celebrado pelos Jogos Públicos de Olímpia. Afirmam a finitude, tão própria dos mortais, realizando feitos incomuns à média humana, capaz de os imortalizar. Estão consagrados em suas modalidades como os maiores de todos os tempos. Sete vezes olímpicos, com a possibilidade de ainda serem mais.​​


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Fonte: Máquina do Esporte