Seleção brasileira tem pouco domínio da bola e do jogo – 06/07/2021 – Tostão

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Um grande número de pessoas ligadas ao futebol, por profissão ou por ser apenas um torcedor, prefere um jogo ainda mais estratégico do que já é, ainda mais estatístico, ainda mais ensaiado, ainda mais previsível, como se fosse um confronto entre avatares, dirigido por técnicos disciplinados. Ainda bem que existem os românticos, os inconformados, os rebeldes, os inventivos, os transgressores, que, a cada lance, sonham com a diversidade, com as jogadas surpreendentes. A graça do futebol está no imprevisível.

Os times que geralmente ganham e encantam são os que, além de um bom conjunto, possuem os melhores jogadores, como o Flamengo, quando está completo, as seleções brasileiras de 1958 e de 1970 e tantas outras. Alguns times especiais que não venceram continuam em nosso imaginário, como a seleção brasileira de 1982, a holandesa de 1974, a húngara de 1954 e outras.

No Brasileirão do ano passado, o Bragantino, no primeiro turno, jogava bem e perdia. Ficou entre os últimos colocados. No segundo turno, continuou jogando bem e passou a ganhar, ficando em décimo lugar. Se continuar atuando bem, provavelmente conseguirá ficar perto dos primeiros colocados e garantir uma vaga na Libertadores. É muito difícil, mas pode até ser campeão. Por que não? O Bragantino é também um forte candidato ao título da Copa Sul-Americana.

O Bragantino não tem jogadores do nível das melhores equipes do futebol brasileiro, mas tem contratado bons e jovens atletas com chances de evoluir.

Na Eurocopa, a Itália e, principalmente a Espanha, deram uma aula de futebol compacto, de marcação por pressão, em todo o campo, marcas do jogo moderno. A Espanha fez um gol do jeito que gosta, trocando passes, e a Itália marcou de seu jeito antigo, de contra-ataque. Nos pênaltis, a Itália se classificou.

Na Copa América, o Brasil, contra o Peru, repetiu o 1 a 0 contra o Chile. O time teve uma excelente atuação no primeiro tempo e, no segundo, ruim. A retranca do Peru, com nove jogadores à frente da área, sem avançar, facilitou para o amplo domínio do time brasileiro. O Peru nunca soube fazer retrancas. No segundo tempo, o Peru mudou, atacou e criou chances para empatar.

Enquanto o Peru estava recuado, o Brasil atuou com um lateral (Renan Lodi) de ponta-esquerda. Era melhor colocar um atacante pelo lado. É muito diferente escalar um lateral de ponta de ter um lateral que avança bastante, como um ponta, como acontece com tantas equipes, como a Inglaterra, como Luke Shaw, e a Itália, com Spinazzola, que não atuou contra a Espanha.

Não tinha entendido a convocação de Paquetá, pelo que jogou no Flamengo, na Itália e também porque não o vi atuar na França. Ele fez os gols da vitória sobre Chile e Peru, além de alguns outros bons momentos, e passa a ser titular. Mas é não ter senso crítico já dizer que ele é o craque parceiro de que Neymar precisava.

Nas partidas contra o Chile, contra o Peru e em várias outras, pela Copa América e pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo, o Brasil se destacou pelo sistema defensivo, por ter dois excepcionais zagueiros e mais Casemiro e Fred na proteção e, no ataque, pelos lances isolados, estocadas, sempre com a participação de Neymar. Há pouca troca de passes e pouco domínio da bola e do jogo, por características da equipe e pela falta de um grande meio-campista. Isso me preocupará quando o Brasil for enfrentar as mais fortes seleções europeias.


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Fonte: Máquina do Esporte