São Petersburgo perde mais de 60 milhões de euros sem final da Champions

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Reprodução/@ChampionsLeagueFinal da Champions League foi realocada para Paris

A guerra na Ucrânia fez com que São Petersburgo deixasse de ser a sede da final da Liga dos Campeões, que foi transferida pela Uefa para Paris. A mudança representa um impacto de, pelo menos, 60 milhões de euros (R$ 341,1 milhões) para a cidade natal do presidente da Rússia, Vladimir Putin. O montante, que pode chegar a até 70 milhões de euros (R$ 397,9 milhões), é referente à injeção financeira que seria recebida pelo fato de a cidade receber a decisão do título do torneio, prevista para acontecer no dia 28 de maio deste ano. A decisão do Comitê Executiva da Uefa, divulgada nesta sexta-feira, 25, de transferir a final da Gazprom Arena para o Stade de France, foi justificada pela “grave escalada da situação de segurança na Europa”, segundo um comunicado divulgado pela entidade continental. Além disso, foi determinado que as seleções de futebol de Rússia e Ucrânia jogarão as partidas em que são mandantes em locais neutros. A alteração representa um golpe para São Petersburgo, que se apresentou para sediar a primeira final da Liga dos Campeões após a queda de grande parte das restrições impostas por causa da pandemia da Covid-19.

A expectativa é que fosse a primeira final em situação de normalidade desde 2019, quando Madri, na Espanha, sediou o jogo e comemorou um impacto econômico de 63 milhões de euros (R$ 358,1 milhões), informou à Agência Efe Miguel Garrido, presidente da central de empresários da capital do país europeu (CEIM). Receber a partida em que se enfrentaram Liverpool e Tottenham no estádio Wanda Metropolitano rendeu 123 milhões de euros (R$ 699,2 milhões) a Madri, sendo que 63 milhões ficaram na cidade. “Realizar eventos deste calibre é muito benéfico para as cidades e tem reflexos em muitos setores, como de lazer, gastronomia, transportes e entretenimento”, explicou Garrido, que também apontou que as receitas foram melhorando ao longo dos anos.

Segundo o líder da central de empresários, em 2010, quando Inter de Milão e Bayern de Munique duelaram no estádio Santiago Bernabéu, também em Madri, o resultado financeiro foi de 50 milhões de euros (R$ 284,2 milhões). “Não é apenas a repercussão econômica. É também a publicidade da própria cidade. A marca Madri chegou a 350 milhões de pessoas, graças à final da Champions”, disse Garrido, em referência ao jogo disputado três anos atrás. São Petersburgo, que já recebeu jogos da Copa do Mundo (2018), Copa das Confederações (2017) e Eurocopa (2020), ficou com gosto amargo por não receber o impulso econômico que Madri teve, algo que também aconteceu com Lisboa, em 2020, que não recebeu a fase final do torneio, transferida para a cidade do Porto por causa da pandemia da covid-19.

A final marcada para maio deste ano estava prevista como um grande evento para a Gazprom Arena, cuja construção levou mais de uma década. O estádio, que começou a ser erguido em 2007, chegou a receber um jogo do Brasil na Copa de 2018, a vitória sobre a Costa Rica por 2 a 0, pela fase de grupos. Ao todo, foram investidos cerca de US$ 800 milhões (R$ 4,09 bilhões) para construir o estádio, cuja origem dos recursos para as obras é envolta em dúvidas, assim como a mão de obra utilizada para tirá-lo do papel. O projeto faraônico resultou em um dos estádios mais modernos da Rússia, com capacidade para 70 mil espectadores, teto retrátil e localizado em uma ilha banhada pelo rio Neva.

Batizado como Krestovsky, o estádio teve os ‘naming rights’ vendidos para a maior companhia de energia da Rússia, passando assim a se chamar Gazprom Arena, nome que não é mencionado pela Uefa, que rechaça o uso de marcas comerciais em competições e clubes. O palco recebe habitualmente os jogos do Zenit São Petersburgo, que é um dos principais do futebol russo. A Gazprom, não apenas injeta dinheiro no clube, mas também é um dos patrocinadores oficiais da Liga dos Campeões, em acordo que, segundo o jornal britânico “Financial Times”, é avaliado em 40 milhões de libras (R$ 271,6 milhões) por temporada. Com o rompimento do Schalke 04, que retirará a marca da empresa russa da camisa, abrindo mão de 9 milhões de euros (R$ 51,1 milhões) por ano, a Gazprom vê os investimentos no futebol caindo, só restando atualmente a decisão da competição continental.

No início dessa semana, em jogos pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, a Uefa exibiu anúncios da companhia na transmissão oficial. Além disso, a mensagem “Road to St. Petersburg” (Caminho para São Petersburgo, em tradução livre), aparecia entre as placas de publicidade dos estádios utilizados. No entanto, já com a iminência da invasão da Rússia à Ucrânia, já se sabia que havia poucas possibilidades de a final da edição deste ano do torneio acontecer na Gazprom Arena. Assim, depois de mudanças em sedes de final causadas pela pandemia da covid-19, foi a fez de São Petersburgo ser afetada, mas por um motivo muito diferente: a guerra.

*Com informações da EFE





Fonte: Jovem Pan