Rodrigo Pessoa é convocado para sua sétima Olimpíada no hipismo – 05/07/2021 – Esporte

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O cavaleiro Rodrigo Pessoa, 48, está convocado para representar o Brasil em sua sétima Olimpíada. O time de saltos foi anunciado pela Confederação Brasileira de Hipismo nesta segunda-feira (5).

Além de Pessoa e de seu cavalo, Carlitos Way, o técnico suíço Philippe Guerdat escolheu os conjuntos Marlon Zanotelli/VDL Edgar, Luiz Francisco Azevedo/Comic e Yuri Mansur/QH Alfons Santo Antonio para formar a equipe. Todos são estreantes olímpicos.

Nos Jogos de Tóquio, as equipes terão três titulares e um reserva, que poderá ser escalado após o início da competição. Ainda não há uma definição sobre esses papéis no time brasileiro. O conjunto Bernardo Alves/El Torreo de Muze ficará como suplente e será acionado apenas caso haja algum problema durante a quarentena dos animais.

Outra novidade dessa edição olímpica é que não haverá descarte de nota, sendo computados os três resultados. Anteriormente, entravam quatro conjuntos e a cada rodada havia o descarte do pior resultado. A disputa individual, nos dias 3 e 4 de agosto, antecederá a por equipes, dias 6 e 7.

Rodrigo Pessoa, o velejador Robert Scheidt, 48, e a jogadora de futebol Formiga, 43, irão para sua sétima Olimpíada de verão. A ciclista Jaqueline Mourão, 45, também fará sua sétima participação em Jogos, considerando edições de verão e inverno.

Campeão olímpico em 2004 e medalhista de bronze com a equipe do Brasil em 1996 e 2000, Rodrigo Pessoa foi escolhido para carregar a bandeira do país em Londres-2012. Sua história nos Jogos, porém, sofreu um abalo antes da edição de 2016, realizada no Rio.

O americano George Morris, então técnico do time brasileiro, convocou Rodrigo Pessoa como reserva. A principal justificativa era que o veterano não possuía um cavalo à altura na comparação com os quatro conjuntos titulares.

O cavaleiro considerou a decisão injusta, preferiu abrir mão da posição de substituto e ficou fora de uma Olimpíada pela primeira vez desde a sua estreia, em 1992.

Depois da Rio-2016, sua principal realização foi treinar a equipe da Irlanda e conduzi-la a um título europeu. Ele continuou montando para se manter em forma e conseguiu encontrar um cavalo que lhe possibilitou formar um conjunto competitivo.

“Você precisa de tempo e apoio para digerir um tranco violento desses, mas o mais importante é se ocupar com outra coisa. O trabalho com a Irlanda foi primordial para conseguir me afastar um pouco da equipe brasileira. Dar um passo atrás foi bom para agora enfrentar novas aventuras com eles”, afirmou Pessoa à Folha em 2019.

A principal aposta de destaque individual da delegação brasileira é Marlon Zanotelli, 33, campeão dos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019 no individual e com a equipe, formada na época também por Pedro Veniss, Rodrigo Lambre e Eduardo Menezes.

O maranhense nascido em Imperatriz (cidade de cerca de 360 mil habitantes a 633 km de São Luís) tem uma trajetória marcada pelo esforço seu e de sua família para se destacar no esporte. O pai chegou a dirigir por quatro dias para levá-lo a competições e depois vendeu o carro para conseguir comprar passagens.

“Hoje [no esporte] há muitos casos como o meu. No Brasil, bem menos, porque rotulam o hipismo como algo para rico, que só consegue chegar e acontecer quem é rico. É um esporte de alto nível, sim, mas caro como muitos outros. Sou de família normal e o meu exemplo mostra que é possível acreditar”, disse à Folha em junho. “Devo tudo, de verdade, aos meus pais.”

Além da pandemia da Covid-19, o hipismo conviveu recentemente com a sombra de um surto do vírus de herpes equino (EHV-1), que matou 17 cavalos e chegou a colocar em xeque a modalidade em Tóquio. A instabilidade provocou quarentena entre os animais na Europa para evitar a disseminação da doença.

“Já estávamos passando por uma grande quantidade de testes envolvendo toda a equipe, tratadores e veterinários constantemente. A doença atingiu muitos cavalos, reduziu os eventos. Tivemos ainda mais esse problema. Graças a Deus, não atingiu os meus. Tivemos duas quarentenas ao mesmo tempo, foi difícil”, relatou Zanotelli. “Pararam tudo para que o vírus fosse controlado.”

O vírus equino não afeta humanos, mas é de rápido contágio, transmitido pelo ar e encontrado em diversas partes do mundo. A nova cepa foi registrada em Valência, na Espanha, levando cavalos a distúrbios respiratórios, febres e problemas neurológicos.

No hipismo adestramento, o Brasil terá a participação de João Victor Oliva, filho da ex-jogadora de basquete Hortência, com Escorial Horsecampline. A equipe do Concurso Completo de Equitação será formada por Carlos Parro/Goliath, Marcelo Tosi/Glenfly e Rafael Losano/Fuiloda G.



Fonte: Máquina do Esporte