Real Madrid convoca reunião emergencial após Barcelona ser denunciado por corrupção empresarial

Clube divulgou nota e informou que seus conselheiros vão debater a maneira como a entidade irá se posicionar; equipe catalã é alvo de processo por pagamentos suspeitos ao vice-presidente da Comissão de Arbitragem

FRANCK FIFE / AFPFlorentino Perez
Real Madrid’s president Florentino Perez poses upon arrival at the 2018 Ballon d’Or award ceremony at the Grand Palais in Paris on December 3, 2018

O Real Madrid emitiu uma nota neste sábado, 11, em que anuncia a realização de uma reunião emergencial de seu conselho administrativo para tratar sobre o posicionamento do clube sobre o escândalo que cerca seu rival, Barcelona. A equipe catalã foi formalmente acusada de corrupção empresarial por pagamentos suspeitos ao ex-árbitro e vice-presidente da Comissão de Arbitragem da Espanha, Enríquez Negreira. “Dada a gravidade das acusações feitas pelo Ministério Público de Barcelona contra o FC Barcelona e dois de seus presidentes por fundadas suspeitas de corrupção e suas relações com quem quer que fosse o vice-presidente do Comitê Técnico de Árbitros, José María Enríquez Negreira, o presidente convocou com urgência o Conselho de Administração amanhã, domingo, 12 de março de 2023, às 12h00, para decidir sobre as ações que o Real Madrid considere oportunas em relação a este assunto”, diz trecho do comunicado. No mês passado, assim que a denúncia veio à tona, quase todos os clubes da LaLiga assinaram uma nota e pediram rigor nas investigações. Os únicos que não participaram do ato foram Real Madrid e Barcelona.

Entenda o caso

Atualmente, a equipe culé é alvo de uma acusação de corrupção empresarial continua mediante fraude esportiva. Além do possível crime cometido pelo clube, dois ex-presidentes são acusados de administração desleal – um deles, Josep Maria Bartomeu, também poderá responder por falsificação de documento de mercado. Na denúncia apresentada pelo Ministério Público local, o Barcelona chegou a um “acordo verbal estritamente confidencial” para que o vice-presidente da Comissão de Arbitragem da Espanha “a troco de dinheiro, realizasse ações com tendência a favorecer o Barcelona na tomada da decisão dos árbitros nas partidas disputadas pelo clube, e, assim, nos resultados das competições”. Na petição apresentada à Justiça, Enríquez Negreira é acusado de emitir notas fiscais de cobrança ao Barcelona sem que houvesse descrição do serviço prestado. Iniciada em maio do ano passado, a investigação teve como foco Enríquez Negreira e sua empresa. Assim, os investigadores descobriram que o Barça realizava pagamentos de “enormes somas de dinheiro” ao ex-árbitro, que teriam acontecido de maneira ininterrupta entre 2001 e 2018, totalizando um valor de 7,3 milhões de euros.

Assim que o escândalo apareceu, o Barcelona divulgou um comunicado em que indica ter contratado os serviços de um “consultor técnico” na área esportiva: “O FC Barcelona, ​​​​ciente dos fatos que a Procuradoria está investigando sobre pagamentos feitos a empresas externas, quer deixar claro: Que o FC Barcelona contratou no passado os serviços de um consultor técnico externo, que forneceu, em formato de vídeo, relatórios técnicos referentes a jogadores de categoria inferior na Espanha para a secretaria técnica do Clube. Adicionalmente, o relacionamento com o próprio provedor externo foi ampliado com relatórios técnicos relacionados à arbitragem profissional, de forma a complementar as informações exigidas pela comissão técnica do time principal e da subsidiária, prática comum em clubes de futebol profissional. O FC Barcelona lamenta que esta informação apareça justamente no melhor momento esportivo desta temporada”. A lei prevê que os denunciados recebam uma pena entre seis meses a quatro anos de prisão caso sejam condenados por corrupção. Ao Barcelona, a possível punição passa pelo pagamento de multas ou, em caso extremo, de dissolução da entidade esportiva.



Fonte: Jovem Pan